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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

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Gente de confiança

José Mendonça da Cruz, 19.05.09

Recapitulemos: em 6 de Junho de 1999, o advogado José António Barreiros, ao tempo secretário-adjunto do governador de Macau, demitiu por falta de confiança pessoal e política o então director do Gabinete dos Assuntos de Justiça, Alberto Costa. Fundamentava com o facto de Alberto Costa ter pedido para falar, e falado, com o juíz Celeiro, que tinha em mãos o caso das alegadas ilegalidades no caso da televisão TDM. Em resultado, o referido juíz queixou-se de pressões, sendo o resultado a demissão de Costa.

Carlos Melancia, o novo governador de Macau, decidiu, então revogar não a demissão, mas a fundamentação da demissão. Após o que Alberto Costa recorreu para o tribunal Administrativo e, obviamente, não havendo fundamentação da demissão, foi reconduzido e indemnizado.

Reconhecendo os manifestos «bloqueamentos políticos», José António Barreiros pôs o lugar à disposição, e o presidente da República, Mário Soares, demitiu-o.

Alberto Costa viria a ser ministro da Administração Interna e é, hoje, ministro da Justiça do governo socialista. E nomeou Lopes da Mota para o Eurojust, o organismo europeu que faz a ligação entre polícias, nomeadamente em casos internacionais como o Freeport. Lopes da Mota foi alvo de uma queixa de pressões sobre os magistrados que investigam o caso Freeport no sentido de o arquivar, invocando o nome de Costa e de Sócrates. Corre processo disciplinar contra ele. E Costa e Sócrates não o demitem.

Entretanto, toda a documentação sobre o aterro da Cova da Beira, assunto que está em tribunal e envolve a viúva de António Morais, professor de Sócrates no seu curso, toda essa documentação guardada num Ministério, o do Ambiente (que foi o organismo que supervisionou o aterro, sendo Sócrates ministro) foi destruída. Segundo «directivas europeias», dizem-nos.

Vi isto de fugida num telejornal. Mas o que me divertiu realmente hoje foi o primeiro episódio de «O Padrinho». Espero que a TVcine repita a continuação desta história de gangsters.

 

A bem da pátria

João Távora, 11.05.09

Não sei porquê anda para aí meio mundo preocupadíssimo com a perspectiva de nenhum partido obter maioria absoluta nas próximas legislativas. Sem se rirem às gargalhadas dizem temer que o país venha a tornar-se ingovernável.

Então expliquem-me como se eu fosse muito burro: o que é que ganhou o país com a maioria absoluta socialista? E as reformas prometidas? E o confronto com as corporações? Ou será que tudo não passou dum mero jogo de intimidação ao género canino – agarrem-me se não eu mordo? A justiça já funciona? Baixou-se a despesa pública? Que é feito da dívida externa? Diminuiu a corrupção? As escolas já ensinam? O desemprego abrandou? E a criminalidade? O estado paga a horas e tornou-se pessoa de bem?
Ora deixem-se lá de tretas, e venha daí uma maioria relativa!