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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

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21
Out09

Saramago insiste nas ofensas! Porque não descansa também?


Pedro Quartin Graça

"Deus é vingativo e má pessoa" afirmou o Nobel português num encontro com a imprensa em que José Saramago reiterou: “O Deus da Bíblia não é de fiar: é vingativo e má pessoa.” 

E acrescentou: “Antes da criação do Universo, que se saiba, Deus nada fez. Depois, fez o Universo em seis dias e nota-se, como diz a minha mulher, Pilar. Ao sétimo dia descansou e continua a descansar até hoje.”

Um conselho a Saramago: aproveite e descanse também, mas faça um descanso bastante prolongado e poupe-nos ao chorrilho de asneiras que persiste em dizer com objectivos meramente materiais.

20
Out09

Afinal não sou só eu a pensar assim... "Uma notável prova de ignorância", por Pedro Correia *


Pedro Quartin Graça

Fui e sou leitor da Bíblia. Que não é um livro - são muitos livros. Há livros da Bíblia que merecem leitura permanente e são uma fonte inesgotável de sabedoria para além da fé pessoal de cada um. Livros como Rute, Job, Salmos, Provérbios, Eclesiastes e o Cântico dos Cânticos, além dos quatro Evangelhos.

A Bíblia influenciou toda a arte ocidental, toda a literatura ocidental. Lemos autores tão diversos como Hemingway, Melville e Thomas Mann - e lá está, bem patente na obra deles, a marca bíblica. Vemos filmes de cineastas tão diferentes como Bergman, Ford, Fellini ou Dreyer - e lá deparamos, bem nítido, com o imaginário bíblico. A Bíblia é fundamental até na nossa linguagem comum: muitas frases que usamos no quotidiano são de lá extraídas. Frases de cuja origem bíblica muitos de nós nem sequer suspeitamos, como "os últimos são os primeiros", "pela árvore se conhece o fruto", "a carne é fraca", "lobo com pele de cordeiro", "pedra sobre pedra" e tantas outras. Concordo inteiramente com o que escrevem Daniel Oliveira, no Arrastão, e Bruno Sena Martins, no 5 Dias.

Dizer, como disse José Saramago, que "a Bíblia é um manual de maus costumes, um catálogo de crueldades e do pior da natureza humana" é passar um auto-atestado de ignorância: ao falar assim, Saramago só demonstra que não sabe do que fala. Fica-lhe mal a ele, não à Igreja Católica. Mas é compreensível que a Igreja reaja e responda: nada mais natural numa sociedade aberta. Assim sucedeu, aliás com notável moderação. Foi quanto bastou para haver quem escrevesse que a Igreja pretende "atear novas fogueiras", o que é algo pelo menos tão disparatado como as opiniões de Saramago sobre a Bíblia e me faz lembrar este aforismo: "Viste alguém que se julgue sábio? Há mais a esperar do insensato que dele."

Encontramo-lo onde encontramos tanta coisa: na Bíblia (Provérbios, 26-27).

Saramago devia lê-la.

 

* Publicado em: http://corta-fitas.blogs.sapo.pt/

e em http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/1101022.html

16
Out09

Saramago no seu melhor! Como é possível gostar desta prosa?


Pedro Quartin Graça

«Quando o senhor, também conhecido como deus, se apercebeu de que a adão e eva, perfeitos em tudo o que apresentavam à vista, não lhes saía uma palavra da boca nem emitiam ao menos um simples som primário que fosse, teve de ficar irritado consigo mesmo, uma vez que não havia mais ninguém no jardim do éden a quem pudesse responsabilizar pela gravíssima falta, quando os outros animais, produtos, todos eles, tal como os dois humanos, do faça-se divino, uns por meio de rugidos e mugidos, outros por roncos, chilreios, assobios e cacarejos, desfrutavam já de voz própria. Num acesso de ira, surpreendente em quem tudo poderia ter solucionado com outro rápido fiat, correu para o casal e, um após outro, sem contemplações, sem meias-medidas, enfiou-lhes a língua pela garganta abaixo. Dos escritos em que, ao longo dos tempos, vieram sendo consignados um pouco ao acaso os acontecimentos destas remotas épocas, quer de possível certificação canónica futura ou fruto de imaginações apócrifas e irremediavelmente heréticas, não se aclara a dúvida sobre que língua terá sido aquela, se o músculo flexível e húmido que se mexe e remexe na cavidade bucal e às vezes fora dela, ou a fala, também chamada idioma, de que o senhor lamentavelmente se havia esquecido e que ignoramos qual fosse, uma vez que dela não ficou o menor vestígio, nem ao menos um coração gravado na casca de uma árvore com uma legenda sentimental, qualquer coisa no género amo-te, eva. Como uma coisa, em princípio, não deveria ir sem a outra, é provável que um outro objectivo do violento empurrão dado pelo senhor às mudas línguas dos seus rebentos fosse pô-las em contacto com os mais profundos interiores do ser corporal, as chamadas incomodidades do ser, para que, no porvir, já com algum conhecimento de causa, pudessem falar da sua escura e labiríntica confusão a cuja janela, a boca, já começavam elas a assomar. Tudo pode ser. Evidentemente, por um escrúpulo de bom artífice que só lhe ficava bem, além de compensar com a devida humildade a anterior negligência, o senhor quis comprovar que o seu erro havia sido corrigido, e assim perguntou a adão, Tu, como te chamas, e o homem respondeu, Sou adão, teu primogénito, senhor. Depois, o criador virou-se para a mulher, E tu, como te chamas tu, Sou eva, senhor, a primeira dama, respondeu ela desnecessariamente, uma vez que não havia outra. Deu-se o senhor por satisfeito, despediu-se com um paternal Até logo, e foi à sua vida. Então, pela primeira vez, adão disse para eva, Vamos para a cama.»

 

Mau, muito mau mesmo!

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