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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

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Serviço público

João Távora, 29.05.09

Com a devida vénia ao João Miranda no Blasfémias

 

Dias Loureiro vs. José Sócrates

 

 

Dias Loureiro

José Sócrates

Existem suspeitas vagas sobre Dias Loureiro, embora ainda ninguém lhe tenha atribuído um crime concreto. Terá participado num negócio fictício em Porto Rico? Terá mentido ao Parlamento? Charles Smith foi filmado a dizer que José Sócrates recebeu dinheiro para aprovar o Freeport. José Sócrates foi o responsável pela aprovação do Freeport nos últimos dias de um governo de gestão.
Autoridades portuguesas dizem que Dias Loureiro não está a ser investigado. Autoridades portuguesas dizem que José Sócrates não está a ser investigado.
Nenhuma autoridade estrangeiras está a investigar Dias Loureiro. As autoridades inglesas estão a investigar José Sócrates.
Oliveira e Costa diz que Dias Loureiro mentiu. Tinha interesse em dizer que mentiu. Charles Smith foi filmado a dizer que José Sócrates recebeu dinheiro para aprovar o Freeport, mas depois desmentiu a acusação. Tinha interesse em desmentir.
Dias Loureiro não é arguido. José Sócrates não é arguido.
Na SLN Dias Loureiro desempenhava funções privadas e tinha responsabilidades perante privados. No Ministério do Ambiente, José Sócrates desempenhava funções públicas.
Dias Loureiro era Conselheiro de Estado, nomeado pelo Presidente da República. Desempenhava cargo com pouco poder e baixo risco para o sistema. Foi dito que Dias Loureiro descredibilizava o Conselho de Estado. José Sócrates é conselheiro de Estado. Até ao momento, ninguém se lembrou de dizer que a sua presença no Conselho de Estado descredibiliza a instituição.
Dias Loureiro não era primeiro-ministro. José Sócrates é primeiro-ministro. Desempenha um cargo de muito poder e alto risco para o sistema.
Dias Loureiro não podia ser demitido pelo Presidente da República. José Sócrates pode ser demitido pelo Presidente da República.
Investigação do caso BPN prosseguiu de forma normal. Investigação do caso Freeport parou durante 4 anos. Lopes da Mota está a ser investigado por ter feito pressões sobre responsáveis pelo processo.
Cândida Almeida nunca deu entrevistas sobre o caso BPN. Cândida Almeida deu uma entrevista sobre o caso Freeport.
Dias Loureiro demitiu-se. José Sócrates não se demitiu.

 

Pela sua rica saudinha

João Távora, 13.03.09

Hoje no parlamento uma proposta socialista  estipulando que o teor máximo de sal no pão passe a ser de 1,4 gramas por cada 100 gramas foi aprovada por larga maioria dos deputados da nação. Suspeito que o que se segue é o debate a respeito da quantidade de gordura no toucinho e sobre a porção de açúcar nos Ovos Moles ou nas Bolas de Berlim. Sempre é mais fácil regular a culinária.

O Nome da Rosa

Ana Vidal, 01.03.09

 

Parece que o novo Nome da Rosa, saído do espinho do congresso (ou do congresso de Espinho?), é Vital Moreira. Uma rosa mais vermelha  do que as outras, a sobressair no bouquet habitual, já bastante desmaiado. Veremos como vai colorir a cena política nas próximas eleições.

 

E, afinal, Sócrates tinha razão: a "campanha negra" que as forças ocultas lhe moveram é tão poderosa, que invadiu o congresso e deixou tudo... às escuras.

 

Há vida para lá d(as) Portas

João Távora, 14.01.09

O movimento não institucional do CDS - Alternativa e Responsabilidade – vai apresentar uma moção ao congresso do CDS do próximo fim-de-semana. Este grupo, onde se destacam militantes como Filipe Anacoreta Correia, Eduardo Nogueira Pinto,  Gonçalo Maleitas Correia, Miguel Alvim, Nuno Pombo, o Pedro Pestana Bastos, Pedro Melo e Rui Castro, entre outros, pretende o reposicionamento do CDS no seu espaço político natural e a recuperação de uma direita dos valores,  personalista e fiel aos princípios que constam do Programa do partido. Para lá da inevitabilidade da actual liderança do recém-eleito Paulo Portas, este movimento de cidadania afirma-se teimosamente como uma inequívoca voz alternativa dentro do partido, uma afirmação de esperança num AR novo no CDS.

O guarda freio

João Távora, 12.12.08

Do diferendo entre o governo e os professores, dessa grotesca novela de faca e alguidar, paradigma da total falência do regime, há um personagem chave – não sei se ele representa a faca ou o alguidar - que ultrapassa a mais delirante ficção: falo do grande líder Mário Nogueira cuja figura me sugere um guarda freio da carris. Numa hipotética  sessão de casting para um figurante assim, eu escolheria o sindicalista. Está visto que o homem tem futuro.

A escola pública

João Távora, 03.12.08

Em Portugal o ensino público é determinante na formação da população portuguesa: a “educação” é ministrada  em mais de 10.000 escolas para um milhão trezentos e sessenta mil alunos por cerca 150.000 professores pagos por todos nós. Os resultados são por todos conhecidos.
Para lá de toda a inflamação e aproveitamento político que as negociações das reformas neste sector têm gerado, como português e encarregado de educação de quatro crianças, preocupa-me principalmente a desmesurada força desta corporação, basicamente ingovernável, logo inimputável.
De resto, a premissa é só uma e válida para todos os sectores de actividade laboral: a recompensa do mérito e a coibição da mediocridade alem de constituírem um simples acto de justiça são a mais eficaz promoção da excelência, valor que nesta república é apenas instrumento de mera retórica.
 

Cavaco Silva

João Távora, 27.11.08

Ao ver Cavaco Silva na televisão nas recentes declarações a respeito de Dias Loureiro, o que mais me intrigou foi o aparente estado de debilidade física que o Chefe de Estado evidenciava: um aspecto tremendamente envelhecido e voz  trémula. Para mim, começa a fazer cada vez mais sentido a tese da incapacidade do PR encetar a dura batalha politica que se adivinha para o seu segundo mandato. Daí que até final do mandato Cavaco, decididamente um corpo estranho ao regimento dominante estará impiedosamente debaixo de mira dos seus ressabiados adversários. E os que se dizem seus amigos não deveriam porventura poupá-lo, mesmo que com sacrifício pessoal?