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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

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Estrada dos bravos, blog dos livres

21
Jan14

Pedro Marques Lopes, no "Bloco Central" da TSF, manifesta-se contra a instituição referendo. Representando a possibilidade de pronunciamento popular, através do sufrágio direto, o referendo constitui-se um instrumento importante de exercício democrático que em Portugal permanece como reserva absoluta. Denuncia Pedro Marques Lopes o uso abusivo do referendo em estados como da Califórnia, onde se referenda inclusive parques de estacionamento. Surpreende-me a reação negativa de PML em relação a tal instrumento político. Como sempre direi a eleição não faz de um governo absolutamente legítimo, até porque feitas as contas o executivo em exercício foi eleito por 30% dos portugueses, porque a abstenção é exatamente isso mesmo: abstenção e não concordância. 

Ao contrário de PML, considero que o referendo deveria fazer parte dos mecanismos correntes de governação, desde que os termos sejam claramente enunciados. Ao caso recente, oponho-me ao referendo, uma vez que a coadoção representa tão-somente a proteção legal de um dado já existente. Todavia, considero que em matéria vital o referendo não deve ser excluído mas antes promovido. E por matéria vital recordo a adesão à UE, à moeda única, ao Tratado de Lisboa, a intervenção da troika, a privatização do sistema de saúde, os cortes nas pensões, o Processo de Bolonha, e tantos outros. O referendo, de caráter obrigatório, é ainda uma responsabilização dos cidadãos perante o rumo do país. A República e a Democracia apontam nesse sentido, pelo menos da última vez que olhei os conceitos.

 

[também ali]

12
Nov13

Numa entrevista ao jornal 'Público', Bernardino Soares, atual Presidente de Câmara de Loures, colocou de parte a hipótese de um dia ser líder do PCP, exprenssando-o nos seguintes termos: «A legitimidade eleitoral não tem nada a ver com isso. Para ser secretário-geral do PCP é preciso um conjunto de características que o Jerónimo de Sousa tem e que, porventura, outros camaradas meus terão também. Essa questão não se põe em relação a mim. Eu nunca pus a hipótese». Nas entrelinhas lemos toda a lógica do PCP. Não é uma questão de qualidade mas de características e, já agora, de antiguidade, esqueceu Bernardino de referir. A antiguidade ainda é um posto no mundo vermelho. O que é lamentável, quando o PS vive dias de amargura identitária, entre o cá e o lá da esquerda lusitana e dos entroikados, o BE permanece como um partido de rua e a esquerda precisava de um PCP renovador, não apenas bem firmado nas suas estruturas filosóficas de apoio ao proletariado, mas também ativo e adaptado à realidade social, cultural e política nacional, com uma dimensão abrangente capaz de ser a esquerda que a esquerda precisa, e não a esquerda que desconforta o eleitorado da esquerda moderada (leia-se não radical). 

30
Set13

Os erros governativos, a corrupção no poder central e local, as leis feitas nas escondidas, etc., não são apenas culpa da classe dirigente. O eleitorado chamou para si a culpa, e não pequena, quando abriu mão do seu papel de vigilante da Democracia e prefere, em plena noite eleitoral, assistir a mais uma edição da Casa dos Segredos. Temos os isaltinos que merecemos.


17
Jul13

Cavaco Silva procurou ser Presidente da República dos consensos, do status quo e da sobrevivência pessoal e do PSD. Ao governo PSD-CDS junta-se o PS, que de livre vontade caminha para a forca numa situação em que reconhece que será "preso por ter cão e preso por não ter" - a convergência com o governo é conivência com o rumo, a não convergência é procura desesperada pelo poder. O CDS, com ou sem a boa disposição de Paulo Portas (que viu fugir as rédeas do governo acordado com PPC), está empenhado na salvação nacional de iniciativa presidencial

Os excluídos - porque a Cavaco Silva a esquerda faz comichão e nada tem a oferecer ao país - pretendem um alinhamento próprio e alternativo. O BE quer convergir as forças canhotas, enquanto o PCP como tradicionalmente o faz, exclui o PS. Será neste jogo entre iniciativa presidencial e convergência maior ou menor à esquerda - que ficará responsável por fazer oposição - que se encontra depositado o rumo do país. Não é bom o horizonte.

 

[também ali]

03
Jul13

PASSOS COELHO não se demite porque, sabemos, levou uma vida inteira à espera da oportunidade de chegar onde chegou. São os perigos da dependência do carreirismo político - não se compadece com a dignidade institucional. De Cavaco Silva já se sabe que não é possível esperar mais, o comprometimento com o governo, em nome da laranja cor que pinta o horizonte, é total, o país e os deveres presidenciais que se danem. A precipitada, infundada e pouco legítima escolha de Maria Luís Albuquerque para ministra das Finanças foi o gota de água num governo já em cuidados paliativos, acelerados com a saída de Vítor Gaspar, grande ideólogo do governo de PPC. Paulo Portas, que até então segurava o governo e coligação, faz o jogo que lhe convém, saindo a tempo de deixar a imagem de que abandonou o barco quando ele estava já inavegável, quando o rumo era já absurdo, desesperado e com o qual não poderia pactuar. Numa manobra muito própria garante a credibilidade mínima para ir às eleições e regressar ao governo.

Infelizmente para os portugueses foram dois anos a viver a loucura absoluta, o desnorte político, o falhanço orçamental. Infelizmente para todos nós, o pós-isto-que-vivemos não será melhor. O PS, mais sério candidato a governar, avança com um PPC de feições mais à esquerda, mas não menos carreirista e candidato do acaso. Os nomes fortes retraem-se diante de tempos loucos, tempos de uma Europa germanizada, de uma Europa presa ao capitalismo selvagem, de uma Europa que teima em não ser por si, diante dos mercados incontrolados e desumanos da China ou Índia, por exemplo. 

Enquanto formos governados pelas jotas partidárias e não pelos competentes estaremos condenados. Militância e antiguidade não devem ser sinónimos de poder fácil. Isto ainda é uma Democracia e não um regime hereditário.

 

[também ali]

01
Jul13

AS NOTÍCIAS dão conta da saída de Vítor Gaspar do governo de PPC. Em linguagem desportiva estamos diante de uma verdadeira "chicotada psicológica", porque Gaspar assumia no governo a função que um treinador de futebol, por exemplo, assume num clube - é o mentor de uma ideologia, de um modelo de gestão, responsável pela escolha do plantel, etc. A estratégia do governo foi, até agora, da exclusiva responsabilidade e (in)competência de VG. A saída deste é, em traços largos, o fim do governo, e a promessa de um novo, mesmo que o líder formal se mantenha. Haverá uma enorme expectativa para saber que rumo Portugal tomará, que tipo de austeridade teremos, e até que ponto as regras da troika e o ir além da troika estavam condicionadas pelo ministro das Finanças cessante. 

Já agora, uma esperança: que nas universidades a sociologia e a história façam parte da formação em Finanças, porque não há números sem pessoas, nem teorias sem história. 

 

(também ali)

10
Mai13

O executivo de Pedro Passos Coelho tem aberto uma guerra sem precedentes à classe média, à sustentabilidade do país, à sustentabilidade das famílias, aos jovens, e agora aos pensionistas. Manuela Ferreira Leite, que no seu tempo foi uma ministra sem sensibilidade social, é hoje uma das líderes da oposição, condenando veemente o plano do governo e a inércia dos portugueses. A deterioração do sistema social e do tecido empresarial português é gritante, e o único emprego gerado roça já a exploração: salários até 310€. Os xerifes de Nottingham estão cegos de ódio e não há Robin dos Bosques que altere a situação.

 

[também ali]

08
Mai13

A segurança social portuguesa está em cuidados paliativos. Pela primeira vez, em mais de uma década, o saldo ficou negativo, na ordem dos 800 milhões de euros. Quase metade da população nacional depende da segurança social, entre pensionistas e desempregados. Esta dependência acarreta a insustentabilidade do sistema, a qual não está independente de uma falta de critério no controlo dos beneficiários - falsos desempregados, beneficiários em diferentes localidades, entre outros dolos que não necessitam ser mencionados. 

Por outro lado, este esgotamento da segurança social, ao registar pela primeira vez perdas significativas, é também sintomático da falência do modelo governativo em vigência. As falências e os despedimentos em catadupa - que surpreenderam Vitor Gaspar (imagine-se!) - estão a empurrar os portugueses para uma situação insustentável, ao mesmo tempo que os países de emigração começam a não ter capacidade de dar resposta às solicitações e encerram as suas portas. É, pois, a austeridade que está a alimentar a fogueira que consome um país. As medidas de Gaspar empurram-nos para o abismo ao som do hino germânico.

 

[também ali]

06
Mai13

O eloquente e vibrante poeta Ary dos Santos, escreve um incontornável poema intitulado "As portas que Abril abriu". Trata-se de um poema feito de lágrimas, de amor, de esperança e encantamento. Cerraria Ary novamente o punho para escrever que roubadas foram as portas que Abril abriu. Não restam dúvidas que as portas que Abril abriu foram para políticos como Paulo Portas e não apenas para idealistas como Ary. Na ânsia de ser governo Paulo Portas abriu mão de todas as suas bandeiras políticas, da proteção aos reformados até à classe média que sustenta a economia. Malabarista e contorcionista único, Portas é o principal mantenedor do governo e cabeça da oposição. E porquê? Porque para Portas o mais importante é o seu lugar na cena política. Não importa apertar a mão ao governo e piscar o olho à oposição. Não é incongruência é realpolitik. E nisso, admita-se, Portas é muito bom. No meio desta salganhada governativa, deste rumo sem rumo, Portas saberá sair sem um arranhão por entre as sebes. Mais ano menos ano estará no governo, outra vez, com o PS, e um dia vê-lo-emos como Primeiro-Ministro. A sobrevivência do contorcionista é impressionante - na Assembleia Portas senta-se ao lado de Passos Coelho, com sorriso amarelo, nas televisões faz oposição. Seja qual for o cenário político-económico português num futuro próximo, Portas virá dizer "eu bem avisei". Avisou, não fez foi nada, e isso é uma arte que ele bem domina.

 

[vale a pena ler Fernanda Câncio] [postal também ali]

04
Mai13

Dizem que as mentiras repetidas mil vezes se tornam verdades. As “verdades” políticas residem, então, entre as mnemónicas e as ladainhas. O primeiro-ministro (oficial) leva o ditado ao pé da letra. “Este é o caminho”, “estamos no rumo certo”, entre outras ladainhas que funcionam como mnemónicas numa lógica orwelliana de verdade absoluta.

Recordemos que há dois anos Pedro Passos Coelho prometeu um ajustamento “rápido e indolor”. Está mais do que visto que nem uma coisa nem outra. As sucessivas falhas do cérebro por trás do oficial devotaram o país à ruína e ao caos social. A despesa com subsídios de desemprego cresceu em três meses na ordem do previsto para um ano. As contas públicas estão caóticas, a recessão cresce, as falências dão-se em catadupa, enquanto o PM confia cegamente num plano falhado e recusa a negociação.

Porque a culpa não quer morrer solteira, o governo encetou uma narrativa de culpabilização do tribunal constitucional, sem qualquer sentido. A constituição existe para se governa com esta, mas o atual governo, numa linha muito cara a uma certa direita histórica, prefere culpar a constituição, suspirando pela de 1933. 

 

[também ali]

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