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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

17
Out13

O período de incerteza que vivemos, em que o horizonte está bacento e imperceptível não é, contudo, difícil de explicar. As crises, todos sabemos, são cíclicas. Ao longo do séc. XX as mesmas foram resolvidas com guerras e consequentes planos de recuperação, dinamizando a economia e reerguendo a Europa a partir das cinzas. Hoje, diante do perigo do armamento nuclear, químico e de uma política de cooperação multilateral as guerras fazem-se na banca, na especulação e no mercado liberal. A emergência de novas potências, os acordos alemães, franceses e norte-americanos de exportação de tecnologia e da indústria automóvel obrigaram o Ocidente a abrir as portas aos produtos chineses a custos baixíssimos em função de uma mão-de-obra neo-escrava. As indústrias europeias foram, assim, assassinadas em favor de uma política temporária de um grupo de países.

A formação da União Europeia trouxe uma política agrícola e das pescas que, fabricada em Bruxelas, estrangulou as economias dos países do sul da Europa, com Portugal em particular enfoque. Os fundos europeus destinados ao desenvolvimento técnico foram distribuídos em compadrios e gastos levianamente, em automóveis, casas, estradas mil, equipamentos desportivos e culturais sem públicos, e tantos outros projetos loucos. Os bancos fomentaram o despesismo das famílias e empresas, à sombra de um paradigma de que o crescimento impõe a existência de dívida. Veio depois uma moeda única, que tratou a Europa como unidimensional e empurrou a esmagadora maioria dos países europeus para o sobreendividamento com um custo de vida insuportável - entre o escudo e o euro passámos a pagar o dobro e a ganhar o mesmo de sempre. 

Vinte anos volvidos de um capitalismo louco, de uma globalização desregulada, de projetos e ideologias tontas, estamos enterrados até ao pescoço. A austeridade que começou por ser a mãe de todas as virtudes - uma mãe com alzheimer que não sabe que a austeridade requer desvalorização monetária - rapidamente foi compreendida como a mãe de toda a miséria pelo FMI. A troika dos bancos e dos interesses alemães, contudo, mantém-se. O empobrecimento generalizado como projeto é cada vez mais claro, oferecendo aos países nobres da Europa mão-de-obra qualificada a preços de saldo. Enquanto isso os governos como o português caminham triunfantes para o suicídio. Ao menos afundam-se com orgulho. Os culpados da loucura dos anos 90 mantém-se nos governos e falam como se não tivessem estado lá. O povo esquece-se de tudo, a bem da euforia das campanhas, e volta a elegê-los. 

Sem dúvida que dentro de vinte anos - ou assim espero - os tempos que vivemos serão estudados como de loucura, em que os Estados condenaram as populações para salvar a banca, os bancos e determinados setores previligados e patrocinadores das campanhas. 

 

[também ali]

19
Mar09

Eu sou cristão. Já tenho dúvidas se serei democrata. Ano após ano, só tenho sentido vergonha do comportamento que os políticos ditos democratas têm sustentado perante a sociedade. Corrupção a todos os níveis. Compadrio e fraudes em catadupas. Roubos e abusos do erário público q.b. e actos repugnantes de vil descaramento. Na altura em que George W. Bush decidiu invadir o Iraque veio anunciá-lo aos Açores com a passadeira vermelha estendida pelo primeiro-ministro Durão Barroso. A guerra foi mais uma vergonha mundial. Um amigo meu disse-me: "Olha, o Durão acabou com a sua carreira política com esta parvoíce de dar cobertura à invasão". Respondi-lhe que o mundo é dos "chicos-espertos" e que Durão teria uma carreira auspiciosa. Acertei.

Se alguém tinha dúvidas que o homem depois de fugir daqui ainda iria ser contemplado com mais um mandato na Comissão Europeia, ora tomem lá!

02
Mar09

Nino vieira foi morto à bomba pelo exército da Guiné-Bissau. A antiga colónia portuguesa, um país inviável  tornado num entreposto de droga, fica, convenientemente, muito longe daqui, muito longe das nossas consciências acomodadas. Parece-me salutar relembrar que a democracia no nosso país foi construída sobre o sangue e a tragedia duma descolonização exemplar.
Mas esta noticia também me faz lembrar as frivolidades domésticas, o presumido medo que medra em Portugal. O medo, como acontece com as ilusões, é um problema que só resolve quem o sente - com "vontade", ou com a ajuda dum cão. Talvez que muitos medrosos devessem partir em missão para as metrópoles africanas de língua portuguesa, intervir na luta contra a miséria, escrever em blogues e tudo. Para ganharem coragem e ginasticar o carácter. Ganhavam todos e no fim até ganhava Portugal.
 

19
Fev09

Ao que parece os voos da CIA em nada implicam Portugal. Netanyahu parece que vai ter o apoio de Lieberman para formar governo em Israel - o que me parece uma má notícia - Livni já afirmou que se prepara um governo de extrem-direita. O julgamento do jornalista que atirou os sapatos a Bush foi novamente adiado - espero que seja condecorado e não condenado. O Irão quer um "desarmamento nuclear total", o que parece bizarro. A Rússia absolveu os réus acusados do homicídio de uma jornalista. Triste mundo este.

 

Adenda: Netanyahu já foi convidado a formar governo...

16
Fev09

 

Na Venezuela, o Carnaval chegou mais cedo. A ditadura mascarou-se de democracia, o povo mascarou-se de massa com vontade própria, a indução explícita mascarou-se de referendo, a ignorância mascarou-se de liberdade. Enfim, Hugo Chávez mascarou-se de imperador  romano, num absurdo Carnaval que começa agora e não terá fim. A não ser numa qualquer quarta-feira de cinzas, um dia, com muitas cinzas.

 

26
Jan09

BGV - Bancarrota de Grande Velocidade

 

O optimismo estará, então, no futuro que Sócrates nos promete. Os grandes investimentos públicos, a grande determinação. Ainda agora, quando os pessimistas esperavam que - perante a calamitosa dívida externa, perante a incerteza dos próximos anos - investimentos mastodônticos fossem travados, o primeiro-ministro regressou da cimeira luso-espanhola com a promessa de que o TGV estará pronto em 2013.

E logo o pessimista Prof. Luís Campos e Cunha, primeiro ministro das Finanças de Sócrates, afastado do governo - sendo que cada vez resulta mais claro que não merecia estar lá -  escreve isto no Público: «A política do Governo é simples mas errada: o investimento e as exportações cairam, logo o Estado faz uns programas de investimento e de subsídios públicos (...) Na situação actual, mais investimento público implica que o Estado vai precisar de mais financiamento, porque o défice orçamental aumenta. Mais financiamento directo ao Estado vai reduzir a  breve prazo o financiamento (aquilo que sobra) para os bancos (que resultará em ) menos crédito às famílias e empresas; logo, teremos mais falências, mais desemprego e, também, problemas acrescidos para os bancos. O Governo volta a reagir com mais investimento ou subsídios públicos... » E assim por diante.

Num desabafo, Campos e Cunha ainda escrevia: «Pode ser que a cimeira ibérica ponha um ponto final no TGV para Madrid ...» Mas o ex-ministro escrevia a sua crónica antes da cimeira que reafirmou o TGV. Ele, outro horrível pessimista, fora optimista demais.

 

23
Jan09

Obama e a pressa: uma assinatura à esquerda.

 

O gesto mais noticiado do primeiro dia da presidência Obama - a assinatura da ordem de encerramento da prisão de Guantanamo no período de um ano -  não sendo inesperado, é  preocupante.

Não é inesperado porque Obama sempre afirmou que faria isto mesmo durante toda a campanha, e pode dizer-se, portanto, que está a cumprir uma promessa.

Mas não está. O que Obama fez foi assinar uma ordem vistosa (e é a primeira pedrinha de preocupação), mas vazia (e é a segunda). Interrogado sobre todas as consequências que naturalmente ocorrem (para onde vão os prisioneiros, o que acontece aos processos, o que farão a Osama Bin Laden se o apanharem, etc.) o assessor de Imprensa, na sua primeira conferência do mandato, sorriu muito e não poude dar uma única resposta. Não se sabe, ninguém sabe, está para ver-se, será estudado.

Preocupante, mais, é Obama ter tido tanta pressa de fazer notícia quando, para que a decisão tivesse conteúdo útil e conhecido, não poderia ter tanta. Ora, se decide com os olhos nos media quando se trata de terrorismo e guerra, como fará quanto ao resto?

E sobre economia, a maior urgência? Sobre economia, a maior urgência, nada.

Mas decerto que a salvação seguirá dentro de momentos.

 

21
Jan09

Primeiro, por ter combatido de frente o terrorismo islâmico, ter acabado com duas tiranias sangrentas, e feito de Iraque e Afeganistão um íman onde fanáticos de todo o Mundo querem ir matar americanos, e morrer pela graça de deus (que os obsequiem muito). Como é seu hábito histórico (contra nazismo, contra comunismo, contra fundamentalismo islâmico) a América defende a liberdade, e os seus soldados dispõem-se a morrer para que as acções estejam onde estão as palavras. (E não, este não é um arroubo republicano. Recordem o que disse Obama há poucas horas sobre os grandes desafios que enfrenta: derrotar «uma rede mundial de terror e ódio com um braço longo»)

 

 

Segundo, por durante 8 anos, prudente e

consistentemente, com visão geoestratégica notável, ter feito da China e da Ásia os parceiros políticos e económicos principais da América, assim convidando a Europa a despertar. E se alguém quer saber porquê, comece por consultar aqui o manifesto dos socialistas europeus para as próximas eleições de Junho, e veja que platitudes, generalidades pacíficas, ideias bafientas e ilusões passam por visão de futuro. E depois pense nos Sócrates e Zapateros que nos gerem.

 

 

Terceiro, por fim, por ter posto bem à vista a «tolerância democrática» da esquerda, que com Bush foi repetidamente e às claras - à vez ou simultaneamente - ordinária, soberba e intolerante, brejeira, reincidente na ofensa pessoal e física, intelectualmente desonesta e distraída. Essa mesma esquerda depressa quererá morder Obama. Mas, sendo a mesma em natureza, sentirá necessidade de ser mais dissimulada.

21
Jan09

A CNN estava ocupada demais para dar, mas a Sky News deu o discurso de despedida de George W. Bush na chegada ao seu West Texas amado, onde viverá.

Bem disposto, revelando que a sua «nova agenda doméstica é pôr o lixo lá fora». Recordando que o seu pai é o único antigo presidente que fez questão de, mal terminou o mandato, saltar de pára quedas uma vez ... e depois outra (e que não tenciona disputar-lhe o título).

Familiar, sublinhando que é o único presidente que no fim do seu mandato pode contar com ambos os pais vivos.

Respeitando honrosamente o seu próprio mandato e o seu pessoal político, e sublinhando um facto indisputável mesmo por aqueles que acham que um governador e presidente dos EUA pode ser estúpido: que o país não foi atacado por terroristas desde Setembro de 2001.

 

20
Jan09

Meio dia em Washington, cinco da tarde em Lisboa, e Barack Hussein Obama é desde agora, mesmo antes do seu juramnento, conforme diz a Constituição, o 44.º presidente dos Estados Unidos da América. Rick Warren, um famoso pastor, acaba de terminar o seu discurso rezando com a multidão um Pai Nosso; Aretha Frankin cantou «My Country `Tis of Thee», Yo-Yo Ma e mais 3 instrumentistas de renome cujos nomes vêm dos quatro cantos do Mundo, acabam de tocar uma peça escrita para a cerimónia por John Williams. E mais uma vez - disfrutando o sentido, a intenção, a prática sincera e competente de tudo isto - o meu coração e o meu espírito alegram-se com a existência da América.

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