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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

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14
Jan13

ANÍBAL de Jesus Varela MARINHO


José Aníbal Marinho Gomes

Hoje é dia do 111.º Aniversário de nascimento do meu avô.

Quis o destino que, após eu ter nascido, ficasse a viver em Ponte de Lima, terra da minha naturalidade, com a minha mãe, em casa do meu avô materno Aníbal Marinho enquanto o meu pai, funcionário judicial, tentava progredir na carreira e conseguir uma vaga mais próximo da sua família. Aqui vivi durante 13 anos consecutivos…Mas depois para aqui vinha aos fins-de- semana e nas férias.

Durante estes anos tive um avô afectuoso, compreensivo e benevolente para as minhas tropelias, que tocava apaixonadamente guitarra, que conversava com todos e fazia amigos, que lia e escrevia com avidez, que adorava o mar, longos passeios e o contacto com a natureza…

Não encontramos hoje em dia muitos homens do seu calibre, atento ao que o rodeava, amante das coisas simples e belas, sempre pronto a combater as injustiças sociais, a defender os oprimidos e os mais fracos fosse em que circunstâncias fossem. Não teve medo da PIDE, onde tinha dois processos, um na Delegação do Porto e outro em Lisboa, fez sempre ouvir a sua voz sem medo, quer fosse oralmente quer através dos jornais regionais onde colaborou, com particular destaque para o Jornal “Cardeal Saraiva”, onde ia conseguindo ludibriar a polícia do regime, com os seus artigos em prosa ou verso carregados de metáforas.

Para além da saudade como legado ficam os seus ensinamentos, o seu exemplo de um Homem vertical que levou uma vida digna, que deixou em todos nós, seus familiares e amigos mais próximos, um pouco de si.

Por isso, foi para mim um prazer enorme ter dirigido a edição de toda a sua produção literária, no volume intitulado “Aníbal Marinho-Cinco Décadas Literárias”, que faz hoje precisamente um ano foi lançado no auditório Municipal de Ponte de Lima, na presença de muitos dos seus admiradores, familiares e amigos. Do prefácio encarregou-se o Prof. Dr. Fernando Hilário, a quem desde já em meu nome pessoal e em nome da minha família volto a agradecer, sobretudo pela forma como se empenhou neste repto que lhe lancei, e que já em 1981, Aníbal Marinho pretendia levar a cabo, após se ter esgotado o livro “Homens e Ideias”, que editou em 1976. E eu limitei-me a fazer-lhe a vontade: recolhi os seus escritos e fiz algumas notas. 

Não posso esquecer o amigo Filipe Amorim por ter emprestado o seu saber na composição de “Aníbal Marinho-Cinco Décadas Literárias”.

Agradeço à Câmara Municipal de Ponte de Lima, na pessoa do seu Presidente, o apoio prestado para a edição da sua obra literária.

De igual modo, agradeço à Dr.ª Maria do Céu Malheiro a gentileza de ter aceite o convite para fazer a apresentação publica do livro, que no final da sua intervenção sugeriu ao Presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima a colocação de um dos sonetos de Aníbal Marinho (Paisagem Limiana ou Beleza Límica), num pedestal na marginal limiana. Ao Sr. Fernando Castro e Sousa, filho de Augusto de Castro e Sousa, um grande amigo e companheiro do meu avô, pelo seu testemunho sobre a vida do autor; ao Dr. Miguel Franco que com o seu engenho, declamou alguns poemas de Aníbal Marinho; aos seus amigos e colegas que estiveram presentes e a todos os que preencheram a vida do meu avô… BEM HAJAM!

Por isso no decurso deste dia darei a conhecer alguns dos textos poéticos da sua autoria, bem como algumas das suas citações mais importantes.

 

 

28
Mai09

Já repararam como está sol? As ruas estão cheias e há sorrisos, não que as pessoas tenham um motivo especial para sorrirem, para aparentemente estarem contentes - mas as pessoas reagem a impulsos, a estados de alma e estão felizes, estão felizes por e simplesmente porque está sol. Não será estranho?

As notícias dizem que há guerra, que há crise, que há tristeza, que não há dinheiro e que não há amor. E as pessoas? As pessoas respondem com um sorriso, com a força do sol e com a magia de uma Primavera que foge engolida por um Verão que chega. Depois vem o calor e mais calor, a família, as férias, a praia, o descanso e tudo o resto que o sol nos dá. Mas não há Verão sem um Outono que nos rouba a felicidade e também o calor, que já vimos são no fundo a mesma coisa.

Gosto do calor e da felicidade. Mais do calor, esse há sempre - pelo menos no Verão.

22
Abr09

Depois do sucesso que foi o primeiro volume da antologia de poesia contemporânea "Entre o Sono e o Sonho", Editada pelo Jornal Portal Lisboa e pela Chiado Editora - decidimos avançar com o II. Volume da mesma antologia, pelo que andamos à procura de novos autores portugueses, que tenham interesse em publicar alguns dos seus poemas. Para poderem ser seleccionados apenas têm que consultar o regulamento do concurso e enviar alguns poemas para serem analisados pela equipa editorial, que posteriormente se decidirá pela sua publicação.

Sendo o I. volume desta obra ainda recente, congratulo-me por já ter nascido um escritor daí, dá pelo nome de Francisco Júnior e publicou recentemente o seu primeiro livro.

Visto estarmos num país de poetas, em que tantas pessoas têm o sonho de ver alguns dos seus escritos publicados, pedimos que divulguem pela blogosfera esta iniciativa.

 

01
Mar09

"Confias no incerto amanhã? Entregas
às sombras do acaso a resposta inadiável?
Aceitas que a diurna inquietação da alma
substitua o riso claro de um corpo
que te exige o prazer? Fogem-te, por entre os dedos,
os instantes; e nos lábios dessa que amaste
morre um fim de frase, deixando a dúvida
definitiva. Um nome inútil persegue a tua memória,
para que o roubes ao sono dos sentidos. Porém,
nenhum rosto lhe dá a forma que desejarias;
e abraças a própria figura do vazio. Então,
por que esperas para sair ao encontro da vida,
do sopro quente da primavera, das margens
visíveis do humano? "Não", dizes, "nada me obrigará
à renúncia de mim próprio --- nem esse olhar
que me oforece o leito profundo da sua imagem!"
Louco, ignora que o destino, por vezes,
se confunde com a brevidade do verso."

Nuno Júdice

27
Fev09

"Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!

Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza...
A um morto nada se recusa,
Eu quero por força ir de burro."
 

 

Mário de Sá Carneiro

26
Fev09

Sou o fantasma de um rei
Que sem cessar percorre
As salas de um palácio abandonado...
Minha história não sei...
Longe em mim, fumo de eu pensá-la, morre
A ideia de que tive algum passado...

Eu não sei o que sou.
Não sei se sou o sonho
Que alguém do outro mundo esteja tendo...
Creio talvez que estou
Sendo um perfil casual de rei tristonho
Numa história que um deus está relendo...

 

Fernando Pessoa

25
Fev09

"Quem escreve quer morrer, quer renascer

num ébrio barco de calma confiança.

Quem escreve quer dormir em ombros matinais

e na boca das coisas ser lágrima animal

ou o sorriso da árvore. Quem escreve

quer ser terra sobre terra, solidão

adorada, resplandecente, odor de morte

e o rumor do sol, a sede da serpente,

o sopro sobre o muro, as pedras sem caminho,

o negro meio-dia sobre os olhos. "
 

António Ramos Rosa

24
Fev09

 

 

O jornalista e poeta Torquato da Luz tem mais uma obra literária pronta a ser entregue ao público. O seu novo livro de poesia - "Por Amor e Outros Poemas" - será apresentado por Inês Ramos, uma das portuguesas mais apaixonadas pela poesia de todos os mestres. O lançamento terá lugar no próximo sábado, 28, na Livraria Barata, Av. de Roma, 11 A, em Lisboa, pelas 17.30.

Torquato da Luz distinguiu-me com o honroso convite para declamar alguns dos poemas inseridos no seu livro. Não deixe de conhecer um pouco mais sobre a vasta obra de Torquato da Luz. Lá vos espero.

24
Fev09

"É urgente o Amor,
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros,
e a luz impura até doer.
É urgente o amor,
É urgente permanecer."

 

Eugénio de Andrade

23
Fev09
"Alberga o meu corpo como um velho
Leviano. Dobrado em espasmos,
De carne dura e áspera e seca.
 
Não o queiras. Não o tenhas. Não o gozes.
Na recolha dos destroços que já é.
Faz dele verbo. Faz dele prosa.
Poema sem abono.
 
Este é um corpo emigrante.
Que não admite colono."
Filipa Martins

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