Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

14
Abr14

A propósito da venda da primeira casa de Portugal a um espanhol


José Aníbal Marinho Gomes

Noticiou ontem o Jornal de Notícias que uma casa que pertenceu à Guarda Fiscal e um terreno com 60m2 onde está implantado o marco n.º 1, na desactivada fronteira de S. Gregório, freguesia de Cristóval, concelho de Melgaço, a primeira porção de Portugal, foi vendida, diz-se em segredo, por ajuste directo, a um cidadão espanhol, que pagou ao Estado português a quantia de 2.800 euros.

Há contudo, algumas questões que importa clarificar.

É preciso saber quem foi o responsável pela alienação e se a autarquia tinha ou não conhecimento de que estes bens se encontravam à venda. Se sabiam do facto, não vale a pena agora protestarem pois podiam e deviam ter actuado eficazmente. Mas, ao invés, se o desconheciam, a situação já é diferente, uma vez que se tratam de imóveis com interesse para a história nacional e em particular para a história local pois era por esta fronteira que um número considerável de pessoas, passava “a salto”, para a Espanha, com o objectivo de chegarem a França, uma vez que era possível atravessar a pé o Rio Trancoso, fugindo assim à fiscalização das autoridades, o que facilitava também o contrabando. 

O imóvel vendido era, ainda, a casa mais importante da Guarda Fiscal na localidade, que chegou mesmo a funcionar como uma prisão provisória para os contrabandistas.

Não está em causa o terreno e casa terem sido adquiridos por um cidadão espanhol, pois qualquer cidadão pode comprar casas e terrenos em qualquer país. O que está em causa é a venda de um edifício com este significado histórico, a um particular, seja ele português ou espanhol, e sobretudo por não se saber o que concretamente pretende fazer no local.

E é claro que, para os mais patriotas, a venda do primeiro bem imóvel português a um cidadão espanhol, não é vista com bons olhos!…

Nas questões de património nacional, sobretudo fronteiriço, é preciso prevalecer o bom senso, competindo ao Estado, para além de ponderar as questões de soberania, preservar os aspectos culturais e simbólicos dos imóveis, devendo ser, sempre, dada prioridade de aquisição às autarquias locais.

Quantos edifícios fronteiriços tem o nosso país abandonados, a deteriorarem-se diariamente?

Quantas casas dos antigos guardas florestais e dos cantoneiros, quantos fortes que foram construídos ao longo da nossa costa, sobretudo após a Restauração da Independência de 1640 (precisamente de Espanha…) há nestas condições?

  

Sabemos que o Estado Português não tem possibilidades económicas para recuperar semelhante quantidade de imóveis…

Mas, em nome dos nossos filhos e netos, todo este património deve ser preservado, ainda que o fim para que foram construídos possa ser alterado.

Porque não se requalificam os mesmos, procedendo ao seu restauro, fixando neles serviços públicos ou municipais, museus, postos de atendimento turístico, hotéis, casas de música, etc.?

 

E porque razão tem o Estado Português de vender o património que é de todos, ao desbarato (2.800€ por uma casa da guarda fiscal…) e em negociatas pouco transparentes (sem concurso público, leilão, etc.)?

Porque, ao invés de venda, o Estado Português não celebra outro tipo de contratos com os interessados, como por exemplo arrendamento de longa duração (mais de 20 anos), comodato, etc., ou introduz cláusulas de reversão, de reserva de propriedade ou outros (peçam-se sugestões aos seus juristas ou às sociedades de advogados, que são pagas principescamente pelo erário público) que defendam sempre o interesse nacional?

Isto, para além de ser uma fonte de receita para o Estado Português, permitiria a recuperação de milhares de edifícios.

 

 

06
Jan13

“Fidalguia sem comodoria é gaita que não assobia”... como diz o velho ditado.

 

Grassam por este pais à beira mar abandonado, um sem número de residências nobres que chegaram a um estado de preservação muito menos digno do que os áureos dias que outrora conheceram...

 

São um reflexo de uma aristocracia depauperada que foi perdendo o carisma e a fortuna pelo passar de várias gerações, na maior parte das vezes sem trabalhar...

 

No meu entender, distingo a nobreza em três ramos bem diferentes...

 

A nobreza de nascimento é a que menos valor tem, e é de uma grande responsabilidade.

 

Bastou o nosso karma ter escolhido um berço para sermos galardoados com “sangue azul”, o que nos pode abrir portas e dar acesso a um nível sócio cultural privilegiado, no entanto é sempre um dever honrar o nome que se transporta, para poder ter o merecido orgulho.

 

A nobreza empresarial e militar é apanágio de homens com H, é com actos de bravura, diplomacia, ética e inteligência, que se distinguem os valorosos.

 

Independentemente do seu nascimento, qualquer um poderia conquistar um titulo... se o merecesse.

 

A nossa história passada e presente, está pejada e bem marcada com bons exemplos que fizeram e fazem de Portugal uma digna nação

 

Há ainda a nobreza de espírito, que independentemente do estado social em que se nasceu é a que nos vai guiar por um caminho mais puro e garantir a honra de cada um...é importantíssima!

 

A nobreza de espírito nem sempre anda de mãos dadas com a nobreza social, como se pode testemunhar pela maneira como o património imobiliário onde os egrégios avós alcançaram as suas glórias, é votado ao esquecimento, conspurcando todo o sentido de nobreza.

 

Estas casas são autênticos guardiões de histórias e memórias familiares que deveriam ser preservadas com o mesmo carinho que um brasão ou titulo de nobreza.

 

Sei que os custos de manutenção de uma propriedade desta envergadura são elevados, mas a sua sustentabilidade pode ser auto gerada com um pouco de trabalho, empreendedorismo e inteligência... como sempre foi ao longo das várias gerações.

 

Noutros casos a ganância também faz estragos, pois muitas vezes as questões de partilhas levam uma boa parte do nosso património a um estado que em nada faz justiça ao bom nome de ninguém.

 

Também a exuberância dos estilos de vida, em que muitos "nobres" teimam em manter sem os devidos rendimentos, deitam a perder não só a nobreza com que supostamente nasceram, como também os melhores valores que deveriam manter...

 

O estado português, que foi outrora representado por uma família real, deveria igualmente dar exemplos de nobreza, já que usourpou um estatuto que desperdiça todos os dias, dando exemplos que envergonham o País e todo o seu povo...

 

O nosso melhor e mais nobre património, definha todos os dias aos descuidados da república, que parece pretender apagar o nosso glorioso e nobre passado substituido-o com "magestosos mamarrachos", simbolos do novo-riquismo instalado, afirmando-se pela demagogia barata do "progresso"...

 http://ruinarte.blogspot.pt

03
Jan13

A incompetência no meio de uma boa notícia


José Aníbal Marinho Gomes

No Blog do amigo Nuno Matos http://pontelima.blogspot.pt/ tomei conhecimento da intenção da senhora Directora-Geral do Património Cultural, Dr.ª Isabel Cordeiro, de propor ao senhor Secretário de Estado da Cultura a classificação da Igreja Matriz de Ponte de Lima, como monumento de interesse público, apesar de em nosso entender esta iniciativa pecar por tardia, mas como diz o ditado mais vale tarde do que nunca…  

Importa referir que antes do actual edifício deve ter existido outro, provavelmente românico (erigido pelos séculos XII-XIII) e de estrutura modesta, com apenas uma nave, a que Carlos Alberto Ferreira de Almeida na obra “Alto Minho” atribuiu o registo inferior da fachada principal, incluindo o portal (ALMEIDA, 1978, vol. 2, p.253 e 1987, p.102). 

Nas Cortes de Évora, realizadas em 1444, os procuradores de Ponte de Lima declararam que a Igreia uelha era tam pequena Em que nom podiamos caber como refere Amélia Aguiar Andrade em "Um espaço urbano medieval: Ponte de Lima" (ANDRADE, 1990, p.59, nota 67). Os financiamentos decorreram no reinado de D. João I e durante a regência de D. Pedro, tendo a empreitada se prolongado até à década de 50.

A actual igreja data de meados do século XV, no entanto no século XVI poderá ter surgido a estrutura tripartida tal e qual como existe nos nossos dias. 

Após leitura no Facebook de um post do amigo Ovídio Vieira, resolvi ler esta intenção da Direcção-Geral do Património Cultural.

Numa análise atenta ao Anúncio n.º 13817/2012, publicado no Diário da República, 2.ª Série, N.º 251 de 28 de Dezembro de 2012, a páginas 40907/8, verifiquei que a alínea c) do n.º 2 nos remete para a consulta do processo na página electrónica da Câmara Municipal de Ponte da Barca (???), e não obstante este grave erro, o endereço electrónico constante é www.cm-marco-canavezes.pt.

Ou seja podemos consultar o processo da Igreja Matriz de Ponte de Lima, na página da Câmara Municipal da Ponte da Barca, cujo endereço é o da Câmara Municipal de Marco de Canavezes.

 

 

Assim vai o nosso país, trapalhada atrás de trapalhada….

Ou será que estamos perante alguma reforma administrativa em curso (por proposta do ministro Relvas...) que englobe a fusão dos concelhos de Ponte de Lima, Ponte da Barca e Marco de Canavezes?

Sinto pena de tanta incompetência.

02
Jan13

Como se Levantaria um Estado

Sem querer plagiar o título da obra do Dr. Oliveira Salazar, esbocei uma série de ideias, que pela reabilitação do património arquitectónico, poder-se-ia igualmente reabilitar boa parte da nossa estrutura socio-económica, além de finalmente podermos ingressar com orgulho no mapa da Europa… aqui ficam algumas sugestões…

Quando era miúdo e fiz a instrução primária, além de ter aprendido a ler, escrever e fazer contas, aprendi essencialmente a acreditar em Portugal…
Todas as matérias ensinadas eram novas e interessantes, recebia com gratidão os conhecimentos que diariamente acumulava, e acreditava com convicção em tudo o que a professora ensinava…
Havia uma disciplina que particularmente me cativava, era o Meio Físico e Social, dava-nos a conhecer Portugal e todas as suas regiões e culturas…
Era uma disciplina que além da geografia, história e etnologia, também nos deu noções de patriotismo, mostrando que pela cultura, a identidade de um povo estaria para sempre preservada.
Como espelho de uma cultura e civilização, tal como barómetro sócio cultural, poderíamos utilizar a arquitectura e todo o ambiente que nos rodeia, pois está nela transposta toda a nossa epopeia como nação económica e cultural.
Pelos estilos de arquitectura podemos definir com alguma exactidão, não só a sua cronologia, como também a região onde está localizada, havendo características bem específicas que identificam cada edifício e atribuem uma identidade a cada povo e região.
Hoje, em pleno Século XXI, toda a identidade do País mais antigo da Europa está posta em causa pela conspurcação ética e estética dos valores culturais.
A proliferação de “maisons” que floresceram nos mais recônditos cantos da nossa pátria, conspurcaram tudo o que se ensinava nas escolas como característico do “puro lusitano”, condenando ad eternum todo o charme de um País.
Sabemos que a criatividade é uma mais-valia para qualquer sociedade, no entanto o excesso da mesma pode ser muito prejudicial para todos nós. Todas as liberdades criativas espelhadas na arquitectura deveriam ser controladas pelas Cameras Municipais, que com todo o rigor, deveriam acompanhar cada obra e impor as leis vigentes.
Desde a arquitectura barata, as cores berrantes, o gradeamento exuberante e estatuária aberrante, águias, dragões, leões e anões, azulejaria de casa de banho com as mais bizarras conjugações, … todos os golpes foram e são permitidos…  ou será esta a cultura portuguesa?
Portugal tornou-se num País de aberrações que nos assolam de Norte a Sul… Basta de “pimbalhices” e novo-riquismo, DEVOLVAM-NOS A IDENTIDADE E A DIGNIDADE!
Também a construção desmedida de autênticos mamarrachos, (que muitas vezes ditaram a sentença de morte de verdadeira obras de arte), inundou o mercado com um excesso de oferta, criando especulações e crises financeiras… a nossa moral nunca esteve tão baixo como agora… nem que a selecção de futebol fosse campeã do mundo, o patriotismo nos seria revitalizado…
Nenhum País pode funcionar sem sentido de patriotismo, é como se fosse o “óleo do motor”de uma nação.
O patriotismo lubrifica-nos o ego, aumenta-nos a produtividade, além de nos dar força para enfrentar a vida com a convicção. É uma espécie de dopping que alguns governantes se esforçam a incutir nos seus povos, pois sabem que é o orgulho colectivo que os conduzirá à vitória e levará o País avante.
Muitas vezes e através de demagógicas campanhas de propaganda barata, em que nos são prometidas doses massivas de adrenalina patriótica, gastam-se inocuamente verbas que poderiam por este País a funcionar…
Sabemos que os submarinos, o TGV, o aeroporto internacional e as auto-estradas são investimentos que nos ajudarão a elevar a nossa auto-estima, pois é uma maneira ilusória de nos poder comparar ao resto da família europeia, dando-nos a pensar que isto é um País evoluído.
No entanto e enquanto houver cerca de um milhão de ruínas neste canto da Europa, dificilmente Portugal poderá ser produtivo, não só pelo que estas ruínas representam para a nossa economia, mas também por aquilo que representam como sociedade.
O plano de recuperação económica e social, deveria começar precisamente por devolver a Portugal a sua identidade, pela preservação e rentabilização do seu vastíssimo património.  
Eu sei que são investimentos colossais que o estado não pode suportar neste momento, mas  se criasse condições para que os particulares o façam?
Embora isso por vezes até possa acontecer, é muitas vezes impossível prever com exactidão o orçamente destas empreitadas, pois à medida que os trabalhos progridem, também os buracos aparecem ao mesmo ritmo, tornando muitos projectos economicamente inviáveis.
Outro entrave, é o orçamento acrescido para mão-de-obra especializada que regiamente se faz pagar pelos seus préstimos, uma vez que quase não há concorrência pela escassez de cada profissional.
Noutra altura atrevi-me a apresentar soluções legislativas a quem pudesse interessar, todas elas no interesse de todos nós como nação civilizada, tendo tido o cuidado de as sustentar através da legitimação histórica, pois esta é cíclica e ensina-nos valiosas lições.
Uma vez que este projecto tem contribuído para a difusão e sensibilização desta causa nacional, através do levantamento histórico e fotográfico de alguns edifícios, gostaria de o ver também a contribuir com algumas ideias que ajudariam a levantar a economia e sociedade portuguesa.
O plano começaria depois de todas as leis serem afinadas, o que dinamizaria todos os processos de reabilitação urbana, cultural e económica.
Já que hoje em dia só é valorizado um profissional com “canudo”, e sem esse “atestado de doutor”, qualquer um é visto como uma espécie inferior de ser social. Seria uma forma de dignificar as profissões através de um estatuto, apelando assim a um grande número de futuros alunos para a Universidade de Reabilitação.
Ao mesmo tempo esse mesmo canudo serviria como selo de garantia para um trabalho rigoroso e profissional… seria ouro sobre azul…
A Escola Superior de Reabilitação, traria além de milionários lucros em forma de propinas, um novo fôlego a toda a sociedade…
Ocupando um espaço devoluto e a necessitar de intervenção, poder-se-ia sem grandes investimentos iniciais dar avanço a este ambicioso projecto.
Começando-o pela recuperação das suas instalações, contribuiria não só para o ambiente urbano, como também para a formação dos seus alunos.
Desta forma seriam preenchidas várias lacunas de uma só vez, e todos os benefícios sócio económicos desta empreitada seriam imediatamente rentabilizados.
Imediatamente também, se constituiriam inúmeras formas de emprego permanente, e se construiriam muitas carreiras.
Carreiras essas que facilmente encontrariam mercado de trabalho, num milhão de ruinosas oportunidades só em solo nacional. Muito mais do que advogados, engenheiros e outros doutores, todos estes profissionais teriam uma projecção mais que garantida.
Para levar a cabo uma digna reabilitação, são necessários vários profissionais especializados. Além do conhecimento dos materiais que podem ser autênticas fórmulas de alquimia, as técnicas utilizadas pelos nossos avós são a única maneira de reabilitar sem desvirtuar um edifício histórico.
Todos os trabalhos de formação poderiam ser feitos em monumentos nacionais ou em edifícios do estado, o que representaria a poupança de muitos milhões de euros, além de poder aceitar empreitadas com valores muito mais acessíveis, o que seria outra forma de rentabilizar esta instituição.
Também as instituições prisionais poderiam ministrar cursos de reabilitação. Utilizando os reclusos como mão-de-obra, não só se rentabilizaria esta força de trabalho, como a mesma seria utilizada num verdadeiro serviço público, além de que garantiriam uma profissão honesta e segura assim que saíssem em liberdade.
Com os lucros gerados por esta escola, poder-se-iam fundar outras em diversos pontos do País. Uma vez que os centros urbanos das principais cidades, rumam a passos largos para de desertificação pela sua eminente ruína, estas escolas de reabilitação tornam-se numa necessidade suprema para cada autarquia.
Num Portugal onde o desemprego todos os dias atinge recordes, especialmente na camada mais jovem, é urgente arranjar e tomar medidas que revertam esta situação.
Com estas escolas, vários problemas seriam combatidos e resolvidos. Desde a reabilitação urbana, valorização de património, revitalização económica e cultural, baixa do custo da habitação, qualidade vida, emprego e muito trabalho, … e acima de tudo… PATRIOTISMO!!!
Está na hora de levantar de novo o esplendor de Portugal... eu já comecei…!!!
http://ruinarte.blogspot.pt
01
Jan13

Caros amigos,

 

Foi com honra e orgulho que aceitei o convite do nosso amigo Pedro Quartin Graça, para partilhar alguns textos e experiências que tenho escrito e vivido nestes últimos tempos, num País à beira mar arruinado. Tenho dedicado quase em exclusividade todas as minhas energias a um assunto que a todos concerne e preocupa... o mau estado do Património Edificado, tendo visitado e fotografado perto de um milhar de ruínas em solo nacional...

O "Projecto Ruin'Arte", que iniciei em 2008, fez-me enriquecer em todos os sentidos (excepto o financeiro), muitas pessoas conheci, locais e suas histórias, e acima de tudo, fez-me pensar e sentir de uma forma diferente e muito mais profunda.

 

Por sentido civico e patriotismo, irei continuar esta demanda, com o ritmo que a vida me permitir, sem desisitir.

 

Este meu primeiro "post", é uma dissertação sobre uma das maiores lacunas que nos tem atrasado como povo civilizado, e pertendo alertar todos os portugueses (inclusive os governantes), para esta questão que tem sido tratada com desdém há já muitas gerações: A CULTURA!
A Cultura é em si, um termo demasiado vasto para entendido como um simples conceito, e pode ser sucintamente definido como a acumulação de conhecimento e experiências... mas não é apenas isso, é muito mais.
Podemos falar sobre cultura pessoal, cultura geral, cultura popular, cultura de um País... mas afinal o que é cultura e que falta nos faz?? Podemos viver sem ela?? Sem dúvida, mas leva-nos todos os dias à ruína...
A sua etimologia transporta-nos à Roma antiga, onde esta ilustre palavra "colere" significava literalmente cultivar, no sentido fazer de crescer, levando-me a concluir que a Cultura é uma coisa que nos torna maiores como seres humanos, pois faz-nos crescer.
É precisamente este conceito que pretendo aqui abordar, o tornamos-nos melhores sempre que crescemos espiritualmente e intelectualmente, pois "os Homens não se medem aos palmos", e não é só em altura que se pode crescer.
É como que se nos valorizássemos cada vez que adquirimos conhecimentos, ficamos muito mais ricos do que se nos saísse um "totomilhões", porque esse tipo de riqueza é efémera e não a levamos quando partimos para outro plano...
A Cultura dá-nos sensibilidade para apreciar a vida de uma forma muito mais requintada, pois um boi a olhar para um palácio é sempre uma cena lamentável... e quantas vezes fazemos nós esse papel?
A Cultura não é apenas uma palavra cara que nos extrapola para um mundo de erudição, onde Professores e Doutores trocam diplomas em cenários solenes com cerimónias encantadas e requintadas.
A Cultura está ao alcance de todos nós e é movida pela curiosidade. Como é evidente não basta ser curioso, temos de satisfazer também a curiosidade e procurar respostas a todas as questões que nos surjam, só assim poderemos compreender a própria vida.
Compreender é  perceber mais do que o óbvio, é ver mais além e conseguir conjugar os conhecimentos com a realidade para chegar a uma solução... há sempre novas soluções e só as podemos equacionar se tivermos conhecimentos... isto é Cultura!
Num momento de profunda crise financeira que todos nós atravessamos, podemos perguntar até para que nos serve a Cultura, se com ela não satisfazemos os nossos apetites primários, mas se a soubéssemos aplicar poderiam ser evitadas muitas crises e sair delas com estilo... pois o passado deu-nos valiosas lições.
Tudo aquilo que estamos neste momento a passar como nação, não é nada comparado com muitos outros episódios que já nos maltrataram e muitas mazelas deixaram, tais como várias epidemias, invasões e guerras civis, perda de soberania e de privilégios, autênticas derrotas financeiras, bélicas, sociais e morais...
Felizmente este povo de "alma lusitana" nunca sucumbiu e sempre conseguiu ultrapassar todas as dificuldades, e ainda hoje resiste a uma furiosa intempérie que o castiga diariamente... será isso uma forma de Cultura? A nossa remediada Cultura é uma Cultura do "desenrasca", é a verdadeira "Coltura" que todos os dias nos conduz a uma  eminente ruína.
É essa "Coltura" a verdadeira culpada de toda a nossa crise social, pois se valorizássemos os nossos conhecimentos e património, muitas aberrações teriam sido evitadas e teriam sido estabelecidas prioridades.
Exemplos infelizmente não nos faltam, desde supérfluas auto-estradas, catedrais de futebol, shoppings e mega stores às moscas, centros "colturais" e "impresariais" que não cumprem nem sequer com os motivos que lhes deram vida... se todos estes investimentos tivessem sido direccionados para a Cultura, algo poderia ter mudado no nosso País.
Confunde-se muitas vezes Cultura com espectáculo e entretenimento, tal como também confundimos Cultura e arte. Embora  possamos dizer que uma expressão artística é uma forma de Cultura,  a meu ver não é bem assim...

A Cultura não é um objecto sem vida numa galeria, Cultura seria conhecer esse objecto antes de o ver, ou tentar saber mais sobre ele depois de o conhecer ao vivo e a cores.
A Cultura não tem forçosamente que ser história, filosofia, música clássica ou outro assunto tido como erudito. Qualquer informação ou aprendizagem que nos faça crescer é sem dúvida Cultura, poder-se-ia dizer também que a Cultura é a anti-futilidade, pois esta faz-nos estagnar.
Cultura é tudo aquilo que fica do que se aprende, e leva-nos a ser permeáveis à arte dilatando a nossa sensibilidade. Uma pessoa mais sensível é por conseguinte uma pessoa mais civilizada, ponderada e evoluída, tornando-se mais bonita e interessante em todos os sentidos.
Há quem diga que a Cultura não é mensurável no ponto de vista financeiro, pois a Cultura não tem taxas de juro, spreads, cotação na bolsa e outros importantes factores económicos... nunca estiveram tão enganados!!!
O que seria de países como França, que absorve mais de 50% do turismo  mundial, de Itália, Inglaterra, Holanda, Índia, Japão... se não mantivessem, investissem e incentivassem a Cultura?? Certamente que não se afirmariam com a mesma força nem teriam protagonismo que têm.
Todos os países civilizados apostam na Cultura, ciência e artes, pois sabem que a própria evolução dela depende... despromover a Cultura é condenar um País a um limbo social, suprimindo a sua identidade.
A Cultura não é instrução... é tudo o que sobra da mesma !! Nem sempre ter um "canudo" é apanágio de se ser culto. As escolas e universidades são apenas veículos que temos ao nosso alcance para nos instruirmos, é a vida e o sumo que dela tiramos que nos dá Cultura, dá-nos também atitude, responsabilidade, dinâmica e empreendedorismo, inteligência e nível de vida, espelhando-se e espalhando-se em todo o ambiente.
As ruínas que tanto nos incomodam, são testemunhas de falta de Cultura, de sensibilidade, inteligência, empreendedorismo, visão e respeito por todos nós!!!
É indesculpável o estado a que chegou boa parte do nosso património histórico, e a falta de interesse por ele demonstrado ao longo de muitas gerações.
Não é só o valor artístico e histórico que estão em causa, é essencialmente a nossa Cultura que definha sem que alguém sequer note a falta que ela nos faz... e se nos cultivássemos mais?

Pesquisar

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Publicidade

Comentários recentes

  • Anónimo

    Exmo. Senhor;Gostaria de saber se possível, o loca...

  • Ribeiro

    Parabéns pelo texto, coragem e frontalidade, apoia...

  • Anónimo

    Perfeito todo este artigo!!!

  • Anónimo

    O acto da "escolha" de um Rei, em sim mesmo, é men...

  • José Aníbal Marinho Gomes

    Resposta da Senhora Deputada Dr.ª Ilda Maria Arauj...

Links

_EM DESTAQUE

_RISCOS ASSUMIDOS

Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2016
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2015
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2014
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2013
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2012
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2011
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2010
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2009
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2008
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D