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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

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14
Jun13

O directório continental do Partido Democrático do Atlântico, reunido em Lisboa no passado dia 10 de Junho, decidiu que o PDA não irá concorrer nas Autárquicas deste ano por meras questões de contabilidade no rescaldo na nova Lei de Financiamento dos Partidos e das Campanhas Eleitorais.

O Partido Democrático do Atlântico tem vindo a preparar a sua expansão ao território continental nos anos mais recentes e desde Janeiro que se encontra a preparar um programa que teria por bandeira a defesa da criação de um Crédito Social Imobiliário camarário em Portugal num primeiro momento e, num segundo momento, explorar a perspectiva de uma aproximação a partidos do centro que lhe seriam ideologicamente mais próximos (nomeadamente o Partido da Nova Democracia e o Portugal Pró Vida) tendo em vista uma coligação centrista à Câmara Municipal de Lisboa.

Pese embora a aprovação de ambas as iniciativas por parte da direcção nacional do PDA, sedeada nos Açores, o directório continental concluiu que, até que sejam amnistiadas as dívidas dos partidos extra-parlamentares ao Tribunal Constitucional, não existem condições que permitam a participação do PDA em qualquer acto eleitoral, pois tal só agravaria o gigantesco passivo do partido e afectaria inclusive, ao abrigo da Nova Lei de Financiamento dos Partidos, as finanças pessoais dos seus candidatos e dirigentes colocando em risco o bem-estar da vida privada e familiar destes.

A decisão do apoio a qualquer lista, independente ou de outro partido, nas Autárquicas deste ano por parte do Partido Democrático do Atlântico, nomeadamente em Lisboa, será uma decisão que será tomada somente após a consulta dos programas dos vários partidos, coligações e movimentos independentes de cidadãos já em período pré-eleitoral.

11
Jan13

Um Povo Resignado e Dois Partidos sem Ideias! (Guerra Junqueiro)


José Aníbal Marinho Gomes

Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta. [...]
Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira a falsificação, da violência ao roubo, donde provem que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro. Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País.
A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.
Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar.

Guerra Junqueiro, in 'Pátria (1896)'

Um texto de Guerra Junqueiro bem actual sobre a realidade portuguesa, na altura como agora, para além da instabilidade governativa, havia rotativismo partidário, o resultado foi o fim do regime vigente. Finis Patriae. Chegamos ao ponto de não retorno.

 

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