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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

03
Fev09

Também quero uma democracia.

 

Afinal Barack Obama é humano e a sua presidência é deste Mundo.

Um-dois-três nomeados foram pelo ar.

Tom Daschle, indigitado para ministro da Saúde, renunciou hoje ao cargo, depois de saber-se que cobrara mais de 150 000 euros como consultor de empresas do ramo da saúde, as mesmas que iria regular, e depois de saber-se que tinha 108 000 euros de impostos em atraso. Bill Richardson, nomeado para ministro do Comércio, renunciou duas semanas antes da investidura, antecipando-se a «distracções» provocadas por uma investigação federal sobre ligações a uma empresa enquanto era governador do Novo México. E espera-se que às três seja de vez, porque Nancy Killefer, que iria titular o novo cargo criado propositadamente por Obama a bem da transparência, o de vigiar o cumprimento do Orçamento de Estado, também renunciou hoje mesmo, também por problemas fiscais com a taxa de desemprego. (Para não falar dos assessores cujo papel é investigar os nomeados, e cujo emprego já teve um futuro mais risonho.)

Fatal como a morte e os impostos, dizem eles.

 

Pausa.

 

Obama perdeu a pena?

Não, não haverá ainda bem que não lhe venha.

E estarei eu esfregando as mãos de vil contentamento, soltando cínicas gargalhadas e fumo pelos intervalos do riso?

Não, não estou.

Estou cheio de inveja.

Cheio de inveja, cheio de inveja, cheio de inveja de um país onde opinião pública, agentes políticos e justiça funcionam - céleres, impiedosos, sem olhar a caras, cargos, crises, reverência, popularidade ou modas.

23
Jan09


 

São assustadores o grau de expectativas e o peso da responsabilidade que o mundo inteiro pôs sobre os ombros de Obama, aliados à tarefa hercúlea que ele tem pela frente nos próximos tempos. À boa moda da banda desenhada, espera-se dele que salve o mundo ou o deixe afundar-se de vez nas tenebrosas trevas para onde tem caminhado nas últimas décadas. Nada mais, nada menos: que salve o mundo com os seus super-poderes, a sua capa protectora e a sua justa espada, erradicando todo o mal da face do planeta.

 

Alegre-se quem lhe deseja a pele escura na ponta de uma lança, que o homem vai certamente falhar, aqui ou ali. É impossível que isso não aconteça, e, se não houvesse falhas nestas circunstâncias extremas, eu acreditaria mesmo que ele é sobrehumano.

 

Por mim, continuo a crer que ele falhará menos do que outros, e que é o homem certo no momento certo. É de gente com fibra, coragem, autoridade e determinação que o mundo ocidental precisa, e não vejo no horizonte melhor candidato a um lugar daqueles. Os inegáveis dotes oratórios de Obama são importantes mas não constituem, quanto a mim, o seu maior trunfo. A acompanhá-los, vejo-lhe sempre uma serenidade admirável, difícil de ostentar perante rasteiras e questões aparentemente insolúveis, ainda mais num homem tão novo. Essa serenidade transmite uma enorme segurança e é, para mim, a principal qualidade de um líder. Obama tem-na, indubitavelmente.

 

Mas o mais importante na eleição de Obama não é, penso eu, o próprio Obama. Faça ele o que fizer, um passo de gigante foi dado pela conservadora sociedade americana, sempre tão renitente a mudanças drásticas, como o prova a reeleição de um presidente como Bush. Os americanos foram capazes, pela primeira vez, de eleger um homem que não tem a cor da casa onde vai viver. É a esse homem, à sua familia "diferente" e à sua "equipa benetton" que entregam os seus destinos, numa época dramática. E esse simples facto faz toda a diferença.

 

A Obamania não é, afinal, mais do que o orgulho em si próprio que cada um vê no sorriso que o espelho lhe devolve.

 

23
Jan09

Obama e a pressa: uma assinatura à esquerda.

 

O gesto mais noticiado do primeiro dia da presidência Obama - a assinatura da ordem de encerramento da prisão de Guantanamo no período de um ano -  não sendo inesperado, é  preocupante.

Não é inesperado porque Obama sempre afirmou que faria isto mesmo durante toda a campanha, e pode dizer-se, portanto, que está a cumprir uma promessa.

Mas não está. O que Obama fez foi assinar uma ordem vistosa (e é a primeira pedrinha de preocupação), mas vazia (e é a segunda). Interrogado sobre todas as consequências que naturalmente ocorrem (para onde vão os prisioneiros, o que acontece aos processos, o que farão a Osama Bin Laden se o apanharem, etc.) o assessor de Imprensa, na sua primeira conferência do mandato, sorriu muito e não poude dar uma única resposta. Não se sabe, ninguém sabe, está para ver-se, será estudado.

Preocupante, mais, é Obama ter tido tanta pressa de fazer notícia quando, para que a decisão tivesse conteúdo útil e conhecido, não poderia ter tanta. Ora, se decide com os olhos nos media quando se trata de terrorismo e guerra, como fará quanto ao resto?

E sobre economia, a maior urgência? Sobre economia, a maior urgência, nada.

Mas decerto que a salvação seguirá dentro de momentos.

 

22
Jan09

A excitação em torno de Obama continua, agora porque ele decidiu fechar Guantanamo num prazo de um ano (e não daqui a um mês ou dois, como seria de pensar durante a campanha), coisa que provavelmente McCain também faria. Entretanto, Obama teve que repetir o juramento presidencial porque se enganou da primeira vez.. O que não se diria se tivesse sido com Bush. É assustador o modo como hoje as simpatias e as antipatias da Comunicação Social moldam a opinião pública.

21
Jan09

Eisenhower quando questionado por um jornalista quais os obstáculos ao seu mandato que mais temia, terá respondido: “as circunstancias”. (João Pereira Coutinho ontem à noite na SIC notícias, no papel de desmancha prazeres).
 

20
Jan09

Meio dia em Washington, cinco da tarde em Lisboa, e Barack Hussein Obama é desde agora, mesmo antes do seu juramnento, conforme diz a Constituição, o 44.º presidente dos Estados Unidos da América. Rick Warren, um famoso pastor, acaba de terminar o seu discurso rezando com a multidão um Pai Nosso; Aretha Frankin cantou «My Country `Tis of Thee», Yo-Yo Ma e mais 3 instrumentistas de renome cujos nomes vêm dos quatro cantos do Mundo, acabam de tocar uma peça escrita para a cerimónia por John Williams. E mais uma vez - disfrutando o sentido, a intenção, a prática sincera e competente de tudo isto - o meu coração e o meu espírito alegram-se com a existência da América.

20
Jan09

Obama "Rex Mundi", por Ricardo Gomes da Silva no Centenário da República: A globalização tem destas coisas, de um momento para o outro um Presidente eleito passa a fenómeno planetário... talvez mesmo o 1º "rex mundi" virtual.

Se viesse, neste momento, um habitante de uma qualquer galáxia distante e visse o que se passa certamente pensaria que Obama é o chefe eleito da "aldeia" Terra.

Mau grado a falta de lógica, o 44º Presidente dos EUA não passa disso mesmo, um Chefe de Estado de um país (entre as quase 2 centenas que existem no planeta) que não o nosso e que pouco mais tem de 200 anos. Obama está apenas e exclusivamente interessado nos EUA.

Por outro lado é curioso que numa República avançada, como os EUA, os seus habitantes vejam num só homem a reunião ou somatório das capacidades individuais de cada um dos seus habitantes, o que é um contra-senso para qualquer republicano de gema que acredita na capacidade do Homem, como individuo, sobre as capacidades da comunidade reunida em torno do Rei. Ler mais

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