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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

15
Jul09

Proteger e dar destaque a artistas nacionais só porque são "nacionais" pode ser a melhor maneira de impedir que eles melhorem. Sendo certo que eu nada percebo de música, não deixo de ficar pasmado como é possível que o jazz português seja tão mau, com excepção, na minha modestíssima opinião de mero "consumidor", do saxofonista Carlos Martins e do pianista Bernardo Sassetti (que merecia ter ido viver e aprender para fora do País). Mas o que mais me espanta é o destaque dado, há anos, a cantoras como Maria João e Jacinta, para já não falar de um cortejo de outras menos conhecidas que vou tentando suportar quando estou sintonizado na excelente Rádio Europa (que no momento em que escrevo passa, por exemplo, uma soberba interpretação de "Someday My Prince Will Come", por Chick Corea) e que atravessa um momento brilhante graças, segundo me parece, a uma longa greve em França que impede aqueles noticiários que ocupam totalmente as noites e os fins de semana. Eu sei que o "glamour" do jazz atrai, que as canções são soberbas, mas realmente é preciso alguém dizer a essas cantoras para escolherem outros géneros menos exigentes, porque o jazz é impiedoso com os seus maus intérpretes,

06
Jul09

Fui ontem ver o último concerto do Estoril Jazz deste ano, um grupo liderado pelo contrabaixista Christian McBride, e mais uma vez (entre tantas e tantas) fiquei admirado com a enorme qualidade destes músicos, só conhecidos por uma pequena parte da população, com o seu anti-vedetismo, as suas roupas e aspecto "normal" ,mostrando como para eles o que interessa é a música e não qualquer adereço de videoclip. Este contraste tinha ficado ainda mais evidente no primeiro dia do festival, com a apresentação do grupo de outro músico de excelência, o saxofonista James Cartes, no dia seguinte, segundo me lembro, à morte de Michael Jackson. Homenageando, nas suas palavras, o "King of Pop", tocou a fechar o concerto uma versão do "Never Can Say Goodbye", dos Jackson 5, uma das poucas coisas boas que Michael Jackson cantou ao longo da vida. Foi uma interpretação magnífica, cheia de improviso, ainda mais extraordinária por, segundo calculo, a música ter sido incluída à última hora, não fazendo parte do repertório habitual de Carter.

Nas artes plásticas, na literatura e poesia, no teatro, no cinema (aqui de maneira menos evidente), noutras formas de arte, muita gente não aceita a mediocridade, por muito bem embrulhada que apareça, e rejeita o que os artistas "comerciais" lhes tentam impingir. Porque é que aceitamos tão facilmente a má música e damos tanto espaço a uma figura como Jackson, havendo até gente séria a dizer que ele foi um "revolucionário", quando qualquer bom músico de jazz, como McBride ou Carter, é trezentas vezes melhor do que ele?

25
Jun09

 

É como uma arrepiante viagem no tempo, ouvir o som desta flauta do Paleolítico Superior descoberta em escavações no sudoeste da Alemanha e que vem comprovar que a música já era uma prática cultural à cerca de 35.000 anos.
Salvo as devidas distâncias, é uma sensação parecida quando escutamos esta gravação do Big Ben em 1890 com que nos brindou o Miguel Castelo Branco no seu blog, no final do ano passado. A este propósito, li em tempos numa crónica de Eurico de Barros no DN que vários registos sonoros de D. Carlos e D. Manuel II foram “inadvertidamente” destruídos na Emissora Nacional na voragem do PREC. Uma dor d’alma...
Sei bem como uma imagem vale mais do que mil palavras, mas neste caso não me refiro à semântica, mas aos sons em “carne e osso”. Estranho como o comum das pessoas, na ânsia de fixar vivências e memórias, afinal vulgarizaram o registo fotográfico e tão pouco valorizam a memória sonora, cujas técnicas hoje são tão acessíveis: possuo fotografias da minha infância, de férias e festas familiares, mas não tenho meio de recordar a voz do meu Avô, apesar de ela me soar sólida na minha memória. E que tamanhos afectos não carregam as vozes e timbres com que convivemos diariamente? Quantas vezes não lamentei não ter um gravador à mão para registar algumas expressões e onomatopeias dos meus filhotes quando eram pequenos? Não é o som um testemunho tão rico quanto a imagem? 

23
Jun09

Neste caso não concordo com o Henrique Raposo: Ravel compôs algumas das maiores estuchas contemporâneas, concertos para matraca e porta de elevador e coisas do género, mas eu considero o Bolero uma bela e emocionante obra, que conseguiu sobreviver ao excesso de exposição das modas. A ouvir, com o espírito propenso e com uma boa aparelhagem, onde nos possamos deleitar com os instrumentos que de forma  tão explicita e carnal exprimem as suas sonoridades e texturas, naquele ritmo quase hipnótico. De resto, Henrique, eu sou daqueles que se arrebatam com “mulheres difíceis” destas: os concerto nº 2 e 3 para Piano e Orquestra  de Rachmaninov levam-me aos píncaros. E também concordo com o seu avô: "Texaicov" é mesmo bom - macho e imperial. Decididamente como melómano sou um incurável reaccionário.
 

24
Abr09

Um amigo meu chamou-me à atenção para esta banda de boa música portuguesa: os Cruzumana.

Parece que eles hoje, pelas 21:30 vão estar na FNAC do Colombo para apresentarem o seu novo trabalho intitulado "Mais do que um esboço".

Aqueles que por curiosidade se encontrarem no Colombo hoje não deixem de passar pela FNAC para conhecer esta banda. Pode ser uma boa surpresa.

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