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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

08
Jun09

Manuela Ferreira Leite revelou-se a grande vencedora da noite eleitoral de ontem: com a sua estratégia de comunicação baseada na sobriedade, e a escolha do cabeça de lista certo no momento certo, o PSD conquistou uma significativa vitória sobre o Partido Socialista. Tudo isto acontece apesar de Pedro Passos Coelho e da sistemática oposição e má fé assumida por um certo jornalismo e uns quantos fazedores de opinião que dominam com mestria o espaço mediático nacional. De facto, durante grande parte do mandato de José Sócrates, uma inaudita “oposição à oposição” que Pacheco Pereira tanto tem denunciado, dominou a agenda política doméstica.
O exemplo paradigmático destes fazedores de opinião e “mensageiros do oculto” é o inenarrável Luís Delgado, opinador militante na SIC Notícias e na Antena 1, onde exibe uma aflitiva pobreza cultural e intelectual. Este jornalista é para mim um incompreensível caso de alguém que supostamente dá a cara pela direita, mas que, em nome de ocultíssimos interesses, consegue ser sempre mais devastador com ela do que os seus “adversários”. É ouvi-lo na Antena 1 num programa ironicamente chamado “Contraditório” em concordância sistemática com os seus “opositores” Ana Sá Lopes e Carlos Magno. Aliás, na sua última edição, na sexta-feira passada, tivemos a possibilidade de o ouvir vociferar contra Manuela Ferreira Leite e o previsível insucesso do PSD, facto para ele escandaloso, tendo em conta uma suposta hecatombe dos partidos no poder dos restantes países europeus expostos à crise financeira internacional. Argumentos falsos quando sabemos como a direita se aguentou em França, Itália e Alemanha, apesar da crise, apesar de tudo. Ontem à noite, era vê-lo na SIC pateticamente empenhado nessa mesma causa, desvalorizando a vitória do PSD. O que fará correr Luís Delgado? E que estranho fascínio exerce esta obscura personagem a alguns directores de informação da nossa praça?
Legitimamente, exigimos dos políticos um mínimo de idoneidade, erudição, cultura e ciência. Implacavelmente, troçamos das suas gaffes, e obrigamo-los a assumir as consequências dos seus erros de avaliação e fracassos eleitorais. Ora não será que, detendo os media um inusitado poder, "o quinto" como lhe chamam, não deveriam também alguns jornalistas e analistas políticos assumir consequências dos seus enganos e desconchavos?
Eu sei de uns quantos que a esta hora, no mínimo, deviam estar a comer os seus chapéus num acto de penitência pública. 

07
Mai09

"O amor aos jornais e à liberdade de imprensa na blogosfera - e logo nela - também se vêem pelas reacções ao aparecimento de um novo jornal diário, um facto incontestavelmente raro no nosso país. Positivas ou negativas, tanto faz, isso é normal e reflecte gostos ou posições políticas e ideológicas. Mas o silêncio de alguns é ainda mais significativo."
 

PPM no Abc do PPM

 

Não sei se foi impressão minha, mas acho que o João Távora também reparou - não há uma única referência a blogs no primeiro número do i. I num instante tudo mudou e o PPM anúnciou que afinal se iria ouvir falar muito de blogs no i. I agora uma perguntinha: se as opiniões "positivas ou negativas, tanto faz" reflectem "gostos ou posições políticas e ideológicas", qual é a posição política ou ideológica do i? Que é para saber se eu gosto ou não gosto...

 

i só mais uma coisinha. Hoje no twitter não se falava de mais nada, o silêncio foi de quem?

03
Mai09

 

Mal foi para as bancas a primeira edição da Playboy Portugal fartei-me de lhe fazer elogios. Algo parecia que realmente havia mudado nas revistas masculinas - quanto mais não seja porque há um Pedro Paixão que lá escreve e talvez porque a qualidade jornalística dos artigos não eróticos é bastante superior ao que se costuma ver por aí.

 

O primeiro número tinha uma Sra. na capa que dava pelo nome de Mónica Sofia (o que deve significar qualquer coisa) e que namora com um tipo chamado "Rubim" (o que pode significar ainda mais). Não me parece que tenha sido a capa ideal, pelo menos para Portugal. Mas algumas semanas depois o mistério ficou explicado, quando veio a público que a Playboy Portugal queria atacar os mercados lusófonos em África. Daí a escolha.

 

No primeiro número ainda havia duas coisas interessantes, em primeiro lugar a foto reportagem erótica com as meninas do Horseball, estas sim caucasianas - logo mais apelativas para o público português. Em segundo lugar havia outra menina anónima qualquer, bem mais gira por sinal do que a rapariga deste mês, que mesmo assim consegue ser "mais gira" do que as duas "modelos" que arranjaram para simularem uma guerra de almofadas, também neste número. Onde anda o conceito estético de quem escolhe as raparigas?

 

No entanto, nem tudo neste mês está pior do que no mês passado. A entrevista à Inês Castel-Branco está interessante e gostei especialmente da grande entrevista ao Mário Crespo. Mas vamos lá pensar um bocadinho - se eu quiser ler entrevistas ao Mário Crespo não é preferível comprar o Expresso? Tal como prefiro as crónicas automóvel da Turbo, ou as informações futebolísticas do Record.

 

Sejamos realistas e vamos colocar o puritanismo de lado: quem compra a Playboy compra a menina da capa. Quer ver a rapariga nua - sim é isso, sejamos francos. Mais, quer ver a rapariga toda nua. Nisso a Playboy podia marcar a diferença em relação à GQ, FHM, Maxmen e às outras revistas do género. Em vez disso, neste 2º número, apresenta-nos mais um topless de uma famosa, uma tal de Cláudia Jacques.

 

Acontece que não sei porquê, a Playboy portuguesa não tem nu frontal e dessa forma tornou-se igual a todas as outras revistas masculinas que já se encontravam no mercado. Não teve a coragem de inovar, não teve a coragem de quebrar o tabu. Digamos que se converteu ao puritanismo erótico. Ao segundo número descobrimos que não veio acrescentar grande coisa ao mercado das revistas masculinas.

27
Abr09

Porcos e Aves são esteticamente diferentes, e tirando o porquinho Babe, a passarada é por defeito mais elegante, simpática e definitivamente mais asseada: se o massacre mediático foi o que foi aqui há tempos sobre a gripe das aves, agora que isto deu nos porcos estamos tramados. As parangonas diárias prometem: mais um caso em Madrid, outro em Frankfurt, falso alarme em Badajoz, suspeito de gripe suína isolado em Massamá...

E se a ameaça não pára antes das eleições europeias, nem que os candidatos aprendam a fazer o pino se vai falar de outra coisa.

24
Abr09

Trinta e cinco anos após o 25 de Abril Portugal é uma partidocracia decadente, um país em profunda crise moral, económica e social. Com o debate político amestrado pela agenda politicamente correcta o regime mostra-se incapaz de se regenerar.
Claro que há alguns inconformados que apostam em projectos cívicos alternativos, numa luta desigual contra o poderoso centrão dos interesses.  É o caso de Laurinda Alves, candidata ao Parlamento Europeu (PE) pelo Movimento Esperança Portugal (MEP) que o jornal Público acaba de dispensar da sua lista de colunistas. De notar que neste mesmo jornal escrevem mais dois cronistas candidatos ao PE, o Rui Tavares pelo Bloco de Esquerda e Vital Moreira pelo partido do governo. As razões invocada pela direcção do jornal são “questões orçamentais”.  Laurinda Alves escrevia no Público há dez anos e nenhum outro colunista foi dispensado.
Coincidência ou não, também há pouco tempo Rui Marques presidente do MEP, deixou de escrever para o Correio da Manhã.
Quando falamos de Laurinda Alves e Rui Marques falamos de figuras públicas com prestigio e historial na intervenção cívica que optaram por posições políticas fora do sistema partidário vigente. E isso não tem perdão.
Trinta e cinco anos após o 25 de Abril os portugueses  têm aquilo que merecem: conformados e avessos à participação cívica, acabam por prezar o chavascal em que vivem nem que seja por inércia. Porque  afinal este é o panorama  que se adequa e melhor disfarça a mediocridade padrão.
 

24
Abr09

Esta é uma reportagem especial feita pelo Jornal Portal Lisboa, da responsabilidade da jornalista Joana Domingues. Pedro Marques Lopes, Rodrigo Moita de Deus, Sara Medina, Adolfo Mesquita Nunes, Paulo Rosário e Ana Raquel Paradela - nenhum deles tem uma memória política do 25 de Abril, nenhum deles é de esquerda e todos eles têm uma visão diferente sobre a revolução dos cravos.

 

Ficam algumas frases para abrir o apetite:

 

 

Para Rodrigo Moita de Deus -“A ideia de ter defraudado as expectativas de Otelo Saraiva de Carvalho ou de Mário Tomé é algo que esta geração se pode orgulhar sem qualquer pudor”, embora acrescente com humor quando questionado sobre o interesse dos jovens por esta data – “Penso que os jovens estão especialmente desiludidos com o 25 de Abril. Este ano o feriado calha num Sábado.”

 

Pedro Marques Lopes

 

“Eu tinha 8 anos nessa data, era muito novo, mas a sensação que eu tive foi que estava a acontecer uma coisa fantástica. Que se tinha aberto uma janela qualquer, existia a sensação de que tudo poderia ser possível. Eu tenho um acontecimento que é muito marcante nesse dia. Eu vivia num terceiro andar e a minha família tinha uns amigos que eram nossos vizinhos. -relembra Pedro Marques Lopes- Infelizmente, a pessoa de quem vou falar já morreu. Esse homem estava exilado na Argélia. Era um homem ligado ao partido comunista português, nada mais distante do que a minha família era e do que hoje sou. Quando se deu o 25 de Abril eu lembro-me que a Isabel que era a mulher do Zé António que já morreu chegou a minha casa a chorar e a dizer: “O Zé António já pode regressar!”. E aquilo marcou-me, era o sinal que algo novo estava a acontecer.”
 

Adolfo Mesquita Nunes

 

“A desilusão com a democracia não constitui qualquer problema enquanto não corresponder à vontade de substituição da democracia por qualquer outro sistema que mitigue ainda mais as liberdades individuais. O que me parece mais preocupante é que os actores políticos tendam a reduzir o conceito de democracia ao socialismo mais ou menos evidente, afastando para as margens qualquer tentativa de superação desta crise que não passe pelo reforço dos poderes estaduais – os mesmos que falharam clamorosamente nos últimos anos.” – afirma Adolfo Mesquita Nunes acrescentando ainda a sua opinião sobre a necessidade de um novo Abril e de uma nova arma que não os cravos – “Existe sempre necessidade de intensificar a protecção das liberdades individuais sobretudo num tempo em que a sua mitigação ironicamente se faz em nome da democracia. E os cravos, ou qualquer outra flor, só não serão suficientes para essa intensificação se a classe política se esquecer do residual papel que lhe deve estar confiado.”

16
Abr09

A revista Ler está diferente. O mesmo é anunciado no editorial assinado por Francisco José Viegas, e a justificação é a do costume - a crise. Temos agora uma Ler mais pequena em tamanho, mas igual em número de páginas.

 

Na minha opinião, a mudança de tamanho, embora signifique uma razoável poupança em custos de gráfica, não foi uma boa opção. Isto porque muito boa gente pode não estar disposta a dar 5 euros por uma revista que já foi maior, mas que mantém o mesmo preço.

 

Mas nem tudo mudou para pior na Ler, aliás a grande maioria das mudanças foram positivas, com destaque para a escolha do Nuno Costa Santos para provedor dos leitores.

 

Na edição deste mês de Abril temos direito a uma excelente entrevista de Carlos Vaz Marques a Antonio Tabucchi, para além de uma crónica deliciosa de Pedro Mexia, um perfil bem traçado em jeito de entrevista ao Baptista-Bastos, que conta o que lia no 25 de Abril, e os conselhos literários de Pedro Marques Lopes e Patrícia Reis.

15
Abr09

Ao que consta, segundo a Bareme imprensa, o Diário de Notícias aumentou a sua audiência para uma quota de mercado de 4,7% - conseguiu pois ultrapassar o jornal Público em uma casa decimal, que tem, ora vejamos, 4,6% de audiência - pouco mais de 8300 leitores do que o DN, que tem actualmente 390 670 leitores. Concluímos pois que num ano, o DN conseguiu ganhar cerca de 108 403 leitores, facto de relevo.

 

A Controlinveste conseguiu ganhar mercado não só com o DN, mas também com o JN, tendo o diário nortenho conseguido ultrapassar o Correio da Manhã, seu concorrente directo, atingindo uma quota de mercado de 12,2% - conseguindo uma vantagem de 0,2% em relação ao CM.

 

No meio de tudo isto aguardo com ansiedade o nascimento do diário da Sojormedia, o "i". Sendo que o próprio procura um segmento de mercado AB, acho que será interessante vermos de que forma irá roubar quota de mercado ao DN, mas principalmente ao Público.

 

Mas mais importante do que sabermos quem vai roubar quota de mercado a quem, acho que seria interessante reflectirmos um pouco sobre o futuro dos jornais. Com a euforia dos jornais gratuitos a diminuir e com a crise instalada no sector da publicidade, penso que esta pode ser uma oportunidade interessante para o jornalismo de qualidade - com conteúdo e direccionado para aqueles leitores que verdadeiramente gostam de jornais e os compram.

15
Abr09

Hoje, José Manuel Fernandes, no editorial em que lamenta a fraca escolha do PSD para as eleições europeias, escreve por duas vezes duas que Nuno Melo é o líder parlamentar do PSD: “O CDS escolheu [para cabeça-de-lista] o seu actual líder no Parlamento português.” E quem é ele, quem é? Fernandes esclarece, logo a seguir, os seus leitores: “Rangel é, como Nuno Melo, líder parlamentar (…)”.

Miguel Abrantes, no Câmara Corporativa

14
Abr09

"Cavaco Silva dá sinais crescentes de que pode não se recandidatar à Presidência da República. O prefácio do livro Roteiros III poderá ter sido a prova derradeira. Nos últimos vinte anos, a experiência história mostrou que o caminho para a reeleição presidencial se faz com a procura de paz institucional e busca de consensos. Foi assim com Mário Soares e até Jorge Sampaio, apesar da sua acção sempre mais pacificadora, teve esta estratégia, o que, aliás, lhe permitiu ganhar as presidenciais de 2001 contra o candidato do PSD, Joaquim Ferreira do Amaral. Cavaco parece trilhar um caminho que pode não lhe dar garantias de reeleição, o que pode significar que Cavaco poderá não estar interessado num segundo mandato. Recorde-se que em 2006 Cavaco foi eleito à primeira volta por uma pequena margem, meio por cento, cerca de 60 mil votos. Refira-se, também, que nunca um Presidente da República foi derrotado na sua recandidatura. Quanto ao prefácio do Roteiros, o texto mais parece uma proclamação política."

 

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