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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

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22
Ago13

os mortos e os vivos


Sofia de Landerset

 

Esta manhã, as capas dos jornais portugueses estão repletas de imagens de um massacre com armas químicas na Síria. A ser verdade, é um acontecimento pavoroso, condenável a todos os níveis, ao matar indiscriminadamente e da forma mais cobarde - se é que matar não é sempre um acto de cobardia.

Entre os mortos, contam-se numerosas crianças.

A mim, basta-me esta frase para o horror atingir a sua forma mais extrema.

Mas aos meios de comunicação social, não lhes basta comunicar isto. 

Há que acompanhar com imagens, não fossemos nós não acreditar. Não fossemos nós não perceber bem a dimensão da coisa.

E há que acompanhar com imagens explícitas, não fossemos nós não ser capazes de visualizar as crianças mortas sem ajuda.

Não deixa de ser curioso que ontem, quando surgiram as primeiras notícias online sobre o ataque, nos sites de notícias internacionais, fomos avisados que as imagens eram chocantes. Quem quisesse, que avançasse para as ver, mas ia avisado.

Esta manhã, não há como escapar.

Somos confrontados com imagens pavorosas, pespegadas em capas de jornais expostos em todas as esquinas.

Eu não preciso de ver imagens de crianças mortas para me doer, e muito, a morte de cada uma daquelas crianças.

Mas acima de tudo, o meu filho de sete anos não precisa de ver imagens de crianças mortas.

O meu filho de sete anos não merece esbarrar com a capa do Público, do Diário de Notícias e do Jornal de Notícias quando ia comprar pastilhas.

Chamem-me o que quiserem, mas não vejo nenhuma utilidade nesta exibição despudorada de cadáveres de crianças. Nenhuma utilidade para os vivos, nenhuma utilidade para os mortos.

E uma enorme falta de respeito para com aquelas crianças, que mereciam ser protegidas na morte, já que não o puderam ser em vida.

24
Abr09

Esta é uma reportagem especial feita pelo Jornal Portal Lisboa, da responsabilidade da jornalista Joana Domingues. Pedro Marques Lopes, Rodrigo Moita de Deus, Sara Medina, Adolfo Mesquita Nunes, Paulo Rosário e Ana Raquel Paradela - nenhum deles tem uma memória política do 25 de Abril, nenhum deles é de esquerda e todos eles têm uma visão diferente sobre a revolução dos cravos.

 

Ficam algumas frases para abrir o apetite:

 

 

Para Rodrigo Moita de Deus -“A ideia de ter defraudado as expectativas de Otelo Saraiva de Carvalho ou de Mário Tomé é algo que esta geração se pode orgulhar sem qualquer pudor”, embora acrescente com humor quando questionado sobre o interesse dos jovens por esta data – “Penso que os jovens estão especialmente desiludidos com o 25 de Abril. Este ano o feriado calha num Sábado.”

 

Pedro Marques Lopes

 

“Eu tinha 8 anos nessa data, era muito novo, mas a sensação que eu tive foi que estava a acontecer uma coisa fantástica. Que se tinha aberto uma janela qualquer, existia a sensação de que tudo poderia ser possível. Eu tenho um acontecimento que é muito marcante nesse dia. Eu vivia num terceiro andar e a minha família tinha uns amigos que eram nossos vizinhos. -relembra Pedro Marques Lopes- Infelizmente, a pessoa de quem vou falar já morreu. Esse homem estava exilado na Argélia. Era um homem ligado ao partido comunista português, nada mais distante do que a minha família era e do que hoje sou. Quando se deu o 25 de Abril eu lembro-me que a Isabel que era a mulher do Zé António que já morreu chegou a minha casa a chorar e a dizer: “O Zé António já pode regressar!”. E aquilo marcou-me, era o sinal que algo novo estava a acontecer.”
 

Adolfo Mesquita Nunes

 

“A desilusão com a democracia não constitui qualquer problema enquanto não corresponder à vontade de substituição da democracia por qualquer outro sistema que mitigue ainda mais as liberdades individuais. O que me parece mais preocupante é que os actores políticos tendam a reduzir o conceito de democracia ao socialismo mais ou menos evidente, afastando para as margens qualquer tentativa de superação desta crise que não passe pelo reforço dos poderes estaduais – os mesmos que falharam clamorosamente nos últimos anos.” – afirma Adolfo Mesquita Nunes acrescentando ainda a sua opinião sobre a necessidade de um novo Abril e de uma nova arma que não os cravos – “Existe sempre necessidade de intensificar a protecção das liberdades individuais sobretudo num tempo em que a sua mitigação ironicamente se faz em nome da democracia. E os cravos, ou qualquer outra flor, só não serão suficientes para essa intensificação se a classe política se esquecer do residual papel que lhe deve estar confiado.”

16
Abr09

A revista Ler está diferente. O mesmo é anunciado no editorial assinado por Francisco José Viegas, e a justificação é a do costume - a crise. Temos agora uma Ler mais pequena em tamanho, mas igual em número de páginas.

 

Na minha opinião, a mudança de tamanho, embora signifique uma razoável poupança em custos de gráfica, não foi uma boa opção. Isto porque muito boa gente pode não estar disposta a dar 5 euros por uma revista que já foi maior, mas que mantém o mesmo preço.

 

Mas nem tudo mudou para pior na Ler, aliás a grande maioria das mudanças foram positivas, com destaque para a escolha do Nuno Costa Santos para provedor dos leitores.

 

Na edição deste mês de Abril temos direito a uma excelente entrevista de Carlos Vaz Marques a Antonio Tabucchi, para além de uma crónica deliciosa de Pedro Mexia, um perfil bem traçado em jeito de entrevista ao Baptista-Bastos, que conta o que lia no 25 de Abril, e os conselhos literários de Pedro Marques Lopes e Patrícia Reis.

15
Abr09

Ao que consta, segundo a Bareme imprensa, o Diário de Notícias aumentou a sua audiência para uma quota de mercado de 4,7% - conseguiu pois ultrapassar o jornal Público em uma casa decimal, que tem, ora vejamos, 4,6% de audiência - pouco mais de 8300 leitores do que o DN, que tem actualmente 390 670 leitores. Concluímos pois que num ano, o DN conseguiu ganhar cerca de 108 403 leitores, facto de relevo.

 

A Controlinveste conseguiu ganhar mercado não só com o DN, mas também com o JN, tendo o diário nortenho conseguido ultrapassar o Correio da Manhã, seu concorrente directo, atingindo uma quota de mercado de 12,2% - conseguindo uma vantagem de 0,2% em relação ao CM.

 

No meio de tudo isto aguardo com ansiedade o nascimento do diário da Sojormedia, o "i". Sendo que o próprio procura um segmento de mercado AB, acho que será interessante vermos de que forma irá roubar quota de mercado ao DN, mas principalmente ao Público.

 

Mas mais importante do que sabermos quem vai roubar quota de mercado a quem, acho que seria interessante reflectirmos um pouco sobre o futuro dos jornais. Com a euforia dos jornais gratuitos a diminuir e com a crise instalada no sector da publicidade, penso que esta pode ser uma oportunidade interessante para o jornalismo de qualidade - com conteúdo e direccionado para aqueles leitores que verdadeiramente gostam de jornais e os compram.

14
Abr09

 

A frase é do Paulo Pinto Mascarenhas, no programa "Descubras as Diferenças", na Rádio Europa, sobre o novo jornal "i", onde é editor e onde o Pedro Rolo Duarte será o director da revista. Podem ouvir aqui o podcast do programa, onde ambos se juntaram à conversa com a Antonieta Lopes da Costa e o André Abrantes Amaral.

 

O director do "i" é Martim Avillez Figueiredo, ex-director do DIário Económico, que promete ter o jornal nas bancas até ao final deste mês de Abril. Espero com sinceridade que este projecto corra pelo melhor e venha elevar efectivamente os padrões de qualidade dos jornais diários de âmbito nacional.

 

Muito mais modesto que o "i" vai correndo o meu jornal, o Portal Lisboa. Trata-se de um jornal mensal de âmbito regional, dedicado exclusivamente à cidade de Lisboa. Também ele ataca o público de classe A, mas ainda muito a classe B - espero que um dia o consiga evoluir para a "classe AA" de que o PPM nos fala na Rádio Europa.

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