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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

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04
Jun13

turismo: como dar cabo dele, lição nº 1


Sofia de Landerset

 

 

História verídica, passada há uns dias com um amigo meu, que entrou no posto de turismo de Portimão para solicitar uma informação: queria saber os horários das camionetas da Praia da Rocha para Albufeira.

 

A senhora do posto de turismo responde que não sabe, e que isso não é com ela, e manda o meu amigo para a loja da EVA, que é a camionagem cá do sítio.

 

O meu amigo vai à loja da EVA, onde lhe dão as informações pretendidas, e um horário, em papel.

 

Pega no horário e dirige-se novamente ao posto de turismo, onde oferece o horário à funcionária, para que possa ajudar alguém que eventualmente venha a precisar da mesma informação.

 

Resposta da senhora do posto de turismo: "Não preciso disso, temos cá muitos."  

 

 

14
Mai13

os cortes nas cartas


Sofia de Landerset

 

Fiquei hoje a saber algo que já se adivinhava: vão fechar o posto de correios aqui na Praia da Rocha.

 

Chamam-lhe "deslocalização". 

 

Por mim, podem usar os eufemismos que quiserem. A raiva que me dá, tanta imbecilidade!, é exactamente a mesma.

 

O posto de correios da Praia da Rocha serve dezenas de milhares de turistas que por aqui passam, todos os anos. Serve os residentes, serve o comércio e os hotéis que aqui operam. 

Não é um posto de correios obsoleto, que serve meia dúzia de gatos pingados nos dias de maior movimento. 

Tem sempre bastante movimento, e não é raro formarem-se filas para sermos atendidos. Não porque o atendimento seja lento, mas porque há, efectivamente, muito serviço. 

E tem dois funcionários excelentes, o Nuno e o Pedro, que nos atendem sempre com eficiência e simpatia. Só isso já era argumento.

 

Dir-me-ão que é preciso fazer cortes, que não há dinheiro, que temos de ser realistas e por aí fora. Dir-me-ão frases pseudo-engraçadinhas como aquela do socialismo e do dinheiro dos outros. Estou farta de frases pseudo-engraçadinhas. Estou farta do socialismo e do dinheiro que parece sempre ser dos outros, e por ser dos outros, nunca é para o que faz falta.

 

Estou para lá de farta de ver o Estado comparado a uma empresa qualquer - comparação muito utilizada pelos Medina Carreiras muito em voga nesta altura, que têm sempre umas tiradas que parecem fazer imenso sentido, excepto que não fazem sentido algum e tendem a misturar alhos com bogalhos como se não houvesse amanhã.

 

Mas há amanhã. E amanhã vamos ver os residentes da Praia da Rocha, e os turistas que nos visitam, fazer os 3 quilómetros que nos separam da cidade de Portimão, para poder usufruir do luxo faraónico de uma estação de correios.

Três quilómetros que se podem fazer de várias formas: de carro, para quem pode; de autocarro, uma opção que me fartei de elogiar quando para aqui vim viver há dez anos atrás, e que entretanto se tornou numa aventura dispendiosa e morosa para a qual não resta paciência; ou a pé, por uma estrada que mais parece um troço do Paris-Dakar, mais perto de Dakar do que de Paris, e que me dava já vontade de escrever mais outro post, não corresse eu o perigo de vos fazer perder a vontade de vir passar uns dias de férias à Praia da Rocha.

 

Venham, pois. Cá estaremos para vos receber, com ou sem posto de correios. Mas que não há direito, não há.

 

 

 

 

 

18
Abr13

coisas de nada


Sofia de Landerset

 

Duas coisinhas a propósito disto:

 

1. Não sou um "hoteleiro algarvio", e se fosse, tinha vergonha. Os "hoteleiros algarvios" são os principais culpados do estado da hotelaria no Algarve.

Vivo no Algarve há 10 anos. Em Julho do ano passado, abri uma pequena guest house na Praia da Rocha. O que aprendi, nestes 9 meses e meio, dava para escrever um livro.

Aprendi, sobretudo, que ficar à espera que "os funcionários públicos e os pensionistas tivessem este ano dinheiro para fazer férias", é prática corrente por estas bandas.

Abre-se uma unidade hoteleira, e fica-se à espera que as pessoas venham. Fica-se, sobretudo, pendurado num mês de Agosto feito à conta das férias dos portugueses.

E quando os portugueses não têm dinheiro, está tudo estragado.

(vimos o mesmo filme com os turistas ingleses e irlandeses, há uns anos atrás)

Há honrosas excepções entre os "hoteleiros algarvios". Heróis que não fecham no inverno, que não ficam à espera que os clientes venham só porque sim, que adicionam valor à estadia dos seus hóspedes. 

Estes são os hoteleiros que, ano após ano, vêem os seus clientes regressar; clientes que conhecem os funcionários do hotel pelo nome; clientes que recomendam o Algarve aos amigos.

O Algarve que aprendi a amar.

 

2. Sou contra o acordo ortográfico.

Sou ainda mais contra a falta de coerência e o trabalho mal feito.

Um texto em que se escreve as palavras ora em conformidade com o AO, ora da forma normal, não sei se me dá vontade de rir, se de chorar.

É realmente decepcionante.

 

14
Fev13

facturas e farturas


Sofia de Landerset


Estou aqui a pensar. Hoje de manhã tomei um café. Fui ali ao café do Nelson e tomei um café.

(o café do Nelson continua a ter o café mais barato aqui do bairro)

Dois dedos de conversa, paguei e saí.

Saí a matutar naquilo.

Imagina que estava um fulano das finanças à porta, a exigir-me a factura do café.

Qual café? Se eu disser que não tomei café, se o Nelson disser que não me serviu café algum, o que é que fazem?

Uma biópsia ao estômago?

Alguém pensou sequer na dimensão deste disparate, antes de o tentar por em prática?

 

Isto da idade é uma coisa estranha. Volta e meia leio "farturas" quando escrevem "faturas". 
Se não é da idade, é o subconsciente a tentar preencher a letra que falta.

Assim como assim, mais vale ler "contribuinte obrigado a exigir fartura".

Sempre vai adoçando a coisa. 

17
Jan13

Os senhores doutores que me perdoem


Sofia de Landerset

 

Talvez seja conveniente lembrar que não frequentei nenhuma universidade. A realidade das nossas faculdades é, para mim, tão desconhecida como a cultura da couve-de-Bruxelas.

(o que se nota no facto de ter escrito 'disciplinas' e ter vindo corrigir para 'cadeiras')

No entanto, nunca achei que isso fosse um entrave ao exercício do senso comum. Aliás, começo mesmo a suspeitar que é exactamente o contrário.

Vejamos. Temos uma turma do terceiro ano. Já lá andam há uns tempos, já se consegue aferir quem é bom em que cadeiras, quem tem dificuldades em quê.

Acontece que subitamente, numa qualquer cadeira do primeiro semestre, a turma chumba quase colectivamente o primeiro teste. Safam-se uns poucos, a nota máxima é um 13, conseguido pelo “crânio” da turma.

E não acontece rigorosamente nada.

Isto passa-se, não tão raramente como isso, em pelo menos uma prestigiada faculdade pública deste país. Muito me admiraria se fosse só ali.

Sejamos claros: há professores que prejudicam os alunos nas suas médias finais, só porque podem. Porque decidiram “dar uma lição” aos alunos, que pensavam que aquela cadeira “era canja”. Porque decidiram unilateralmente que a escala de notas termina no 15, e o 15 está reservado a Deus. Porque se acham superiores e intocáveis.

Nem sequer me interessa o motivo. Não há um motivo que justifique isto.

(por acaso até há, mas é uma justificação que aponta para a falta de competência do professor para transmitir os ensinamentos de forma eficiente)

Partindo do pressuposto que a) uma turma não estupidifica assim de repente e de forma selectiva e b) a matéria não é inacessível, o que se demonstra facilmente pelos resultados satisfatórios da turma do lado, que tem outro professor, não seria do interesse da própria faculdade que situações deste tipo fossem analisadas?

Não seria do interesse da faculdade, dos alunos e da comunidade em geral, que paga, através dos seus impostos, uma parte deste ensino, que o dito fosse da mais elevada qualidade, transmitido pelos professores mais qualificados – e “qualificado”, aqui, tem de incluir necessariamente a qualificação enquanto ser humano justo, equilibrado e mentalmente são, para além da qualificação académica.

As nossas faculdades não deviam ser recreios de escolinha primária onde os meninos que levam uns sopapos em casa se divertem a bater, por sua vez, nos mais fracos.

Parecendo que não, há pequenas coisas que se tornam enormes no futuro dos nossos filhos.

E muitas delas resolviam-se sem gastar um tostão.

Ah pois, mas dava trabalho e irritava uns senhores professores.

Que chatice.

05
Jan13

'Serviço público' vs público


Sofia de Landerset

"O Estado garante a existência e o funcionamento de um serviço público de rádio e de televisão".

Isto é o que diz a Constituição da República Portuguesa, no artigo 38º, nº 5. 

E eu sou daquelas pessoas que acham que as regras devem ser respeitadas, por uma questão de princípio. 

Mas há alturas em que os princípios colidem com a realidade.

É que já não estamos em 1974. Em 1974 não havia internet. Não havia televisão por cabo. E não havia pseudo-vedetas a ganhar balúrdios para fazer figuras de gosto duvidoso, em programas de gosto ainda mais dúbio.

Convém explicar que não sou jurista, que não percebo nada de gestão de empresas e muito menos de conteúdos de televisão.

Mas trata-se aqui de 'serviço público', e eu tenho uma casa cheia de 'público'.

(tanto que deve dar créditos suficientes para um doutoramento)

O público cá de casa está-se borrifando para a RTP. Não vê a RTP há anos. Nem sequer sabe dizer o nome de um só programa da RTP.

Os amigos e conhecidos do público não vêm a RTP. Também não sabem dizer o nome de um só programa da RTP. A sério, eu perguntei.

"Ah mas e os emigrantes, e os velhotes nas aldeias, e quem não tem televisão por cabo, esses vêm a RTP."

E em que é que a RTP que vêm agora seria diferente da RTP que veriam se a coisa fosse privatizada? Mudava alguma coisa? Se calhar as pseudo-vedetas tinham de mudar de esquina. Olha que chatice.

"Ah mas o Estado tem de assegurar uma informação isenta, tem de promover a cultura, difundir a língua portuguesa." 
Claro. Basta consultar a programação da RTP1 para perceber isto.

"Ah mas os teus filhos não são exemplo do espectador típico da RTP."

Pois não. São uns meninos elitistas e altamente intelectuais. Uma delas é tão intelectual que numas férias de verão viu as 11 temporadas do Friends de enfiada. Na net.

Por mim, estão à vontade para cumprir a Constituição. Mas fazem o favor de a cumprir toda. E escusam de gastar tanto dinheiro a cumpri-la.

Abram um canal no youtube.


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