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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

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Estrada dos bravos, blog dos livres

01
Jan13

Caros amigos,

 

Foi com honra e orgulho que aceitei o convite do nosso amigo Pedro Quartin Graça, para partilhar alguns textos e experiências que tenho escrito e vivido nestes últimos tempos, num País à beira mar arruinado. Tenho dedicado quase em exclusividade todas as minhas energias a um assunto que a todos concerne e preocupa... o mau estado do Património Edificado, tendo visitado e fotografado perto de um milhar de ruínas em solo nacional...

O "Projecto Ruin'Arte", que iniciei em 2008, fez-me enriquecer em todos os sentidos (excepto o financeiro), muitas pessoas conheci, locais e suas histórias, e acima de tudo, fez-me pensar e sentir de uma forma diferente e muito mais profunda.

 

Por sentido civico e patriotismo, irei continuar esta demanda, com o ritmo que a vida me permitir, sem desisitir.

 

Este meu primeiro "post", é uma dissertação sobre uma das maiores lacunas que nos tem atrasado como povo civilizado, e pertendo alertar todos os portugueses (inclusive os governantes), para esta questão que tem sido tratada com desdém há já muitas gerações: A CULTURA!
A Cultura é em si, um termo demasiado vasto para entendido como um simples conceito, e pode ser sucintamente definido como a acumulação de conhecimento e experiências... mas não é apenas isso, é muito mais.
Podemos falar sobre cultura pessoal, cultura geral, cultura popular, cultura de um País... mas afinal o que é cultura e que falta nos faz?? Podemos viver sem ela?? Sem dúvida, mas leva-nos todos os dias à ruína...
A sua etimologia transporta-nos à Roma antiga, onde esta ilustre palavra "colere" significava literalmente cultivar, no sentido fazer de crescer, levando-me a concluir que a Cultura é uma coisa que nos torna maiores como seres humanos, pois faz-nos crescer.
É precisamente este conceito que pretendo aqui abordar, o tornamos-nos melhores sempre que crescemos espiritualmente e intelectualmente, pois "os Homens não se medem aos palmos", e não é só em altura que se pode crescer.
É como que se nos valorizássemos cada vez que adquirimos conhecimentos, ficamos muito mais ricos do que se nos saísse um "totomilhões", porque esse tipo de riqueza é efémera e não a levamos quando partimos para outro plano...
A Cultura dá-nos sensibilidade para apreciar a vida de uma forma muito mais requintada, pois um boi a olhar para um palácio é sempre uma cena lamentável... e quantas vezes fazemos nós esse papel?
A Cultura não é apenas uma palavra cara que nos extrapola para um mundo de erudição, onde Professores e Doutores trocam diplomas em cenários solenes com cerimónias encantadas e requintadas.
A Cultura está ao alcance de todos nós e é movida pela curiosidade. Como é evidente não basta ser curioso, temos de satisfazer também a curiosidade e procurar respostas a todas as questões que nos surjam, só assim poderemos compreender a própria vida.
Compreender é  perceber mais do que o óbvio, é ver mais além e conseguir conjugar os conhecimentos com a realidade para chegar a uma solução... há sempre novas soluções e só as podemos equacionar se tivermos conhecimentos... isto é Cultura!
Num momento de profunda crise financeira que todos nós atravessamos, podemos perguntar até para que nos serve a Cultura, se com ela não satisfazemos os nossos apetites primários, mas se a soubéssemos aplicar poderiam ser evitadas muitas crises e sair delas com estilo... pois o passado deu-nos valiosas lições.
Tudo aquilo que estamos neste momento a passar como nação, não é nada comparado com muitos outros episódios que já nos maltrataram e muitas mazelas deixaram, tais como várias epidemias, invasões e guerras civis, perda de soberania e de privilégios, autênticas derrotas financeiras, bélicas, sociais e morais...
Felizmente este povo de "alma lusitana" nunca sucumbiu e sempre conseguiu ultrapassar todas as dificuldades, e ainda hoje resiste a uma furiosa intempérie que o castiga diariamente... será isso uma forma de Cultura? A nossa remediada Cultura é uma Cultura do "desenrasca", é a verdadeira "Coltura" que todos os dias nos conduz a uma  eminente ruína.
É essa "Coltura" a verdadeira culpada de toda a nossa crise social, pois se valorizássemos os nossos conhecimentos e património, muitas aberrações teriam sido evitadas e teriam sido estabelecidas prioridades.
Exemplos infelizmente não nos faltam, desde supérfluas auto-estradas, catedrais de futebol, shoppings e mega stores às moscas, centros "colturais" e "impresariais" que não cumprem nem sequer com os motivos que lhes deram vida... se todos estes investimentos tivessem sido direccionados para a Cultura, algo poderia ter mudado no nosso País.
Confunde-se muitas vezes Cultura com espectáculo e entretenimento, tal como também confundimos Cultura e arte. Embora  possamos dizer que uma expressão artística é uma forma de Cultura,  a meu ver não é bem assim...

A Cultura não é um objecto sem vida numa galeria, Cultura seria conhecer esse objecto antes de o ver, ou tentar saber mais sobre ele depois de o conhecer ao vivo e a cores.
A Cultura não tem forçosamente que ser história, filosofia, música clássica ou outro assunto tido como erudito. Qualquer informação ou aprendizagem que nos faça crescer é sem dúvida Cultura, poder-se-ia dizer também que a Cultura é a anti-futilidade, pois esta faz-nos estagnar.
Cultura é tudo aquilo que fica do que se aprende, e leva-nos a ser permeáveis à arte dilatando a nossa sensibilidade. Uma pessoa mais sensível é por conseguinte uma pessoa mais civilizada, ponderada e evoluída, tornando-se mais bonita e interessante em todos os sentidos.
Há quem diga que a Cultura não é mensurável no ponto de vista financeiro, pois a Cultura não tem taxas de juro, spreads, cotação na bolsa e outros importantes factores económicos... nunca estiveram tão enganados!!!
O que seria de países como França, que absorve mais de 50% do turismo  mundial, de Itália, Inglaterra, Holanda, Índia, Japão... se não mantivessem, investissem e incentivassem a Cultura?? Certamente que não se afirmariam com a mesma força nem teriam protagonismo que têm.
Todos os países civilizados apostam na Cultura, ciência e artes, pois sabem que a própria evolução dela depende... despromover a Cultura é condenar um País a um limbo social, suprimindo a sua identidade.
A Cultura não é instrução... é tudo o que sobra da mesma !! Nem sempre ter um "canudo" é apanágio de se ser culto. As escolas e universidades são apenas veículos que temos ao nosso alcance para nos instruirmos, é a vida e o sumo que dela tiramos que nos dá Cultura, dá-nos também atitude, responsabilidade, dinâmica e empreendedorismo, inteligência e nível de vida, espelhando-se e espalhando-se em todo o ambiente.
As ruínas que tanto nos incomodam, são testemunhas de falta de Cultura, de sensibilidade, inteligência, empreendedorismo, visão e respeito por todos nós!!!
É indesculpável o estado a que chegou boa parte do nosso património histórico, e a falta de interesse por ele demonstrado ao longo de muitas gerações.
Não é só o valor artístico e histórico que estão em causa, é essencialmente a nossa Cultura que definha sem que alguém sequer note a falta que ela nos faz... e se nos cultivássemos mais?

25
Jun09

 

É como uma arrepiante viagem no tempo, ouvir o som desta flauta do Paleolítico Superior descoberta em escavações no sudoeste da Alemanha e que vem comprovar que a música já era uma prática cultural à cerca de 35.000 anos.
Salvo as devidas distâncias, é uma sensação parecida quando escutamos esta gravação do Big Ben em 1890 com que nos brindou o Miguel Castelo Branco no seu blog, no final do ano passado. A este propósito, li em tempos numa crónica de Eurico de Barros no DN que vários registos sonoros de D. Carlos e D. Manuel II foram “inadvertidamente” destruídos na Emissora Nacional na voragem do PREC. Uma dor d’alma...
Sei bem como uma imagem vale mais do que mil palavras, mas neste caso não me refiro à semântica, mas aos sons em “carne e osso”. Estranho como o comum das pessoas, na ânsia de fixar vivências e memórias, afinal vulgarizaram o registo fotográfico e tão pouco valorizam a memória sonora, cujas técnicas hoje são tão acessíveis: possuo fotografias da minha infância, de férias e festas familiares, mas não tenho meio de recordar a voz do meu Avô, apesar de ela me soar sólida na minha memória. E que tamanhos afectos não carregam as vozes e timbres com que convivemos diariamente? Quantas vezes não lamentei não ter um gravador à mão para registar algumas expressões e onomatopeias dos meus filhotes quando eram pequenos? Não é o som um testemunho tão rico quanto a imagem? 

28
Abr09

Sobre o perigo das modas pretensamente cientificas importa ler este texto:


Entre as imagens de violência que ilustram a instauração do regime republicano em Portugal, sobressaem as que mostram as humilhações infligidas aos padres da Companhia de Jesus. Assaltados nas suas casas religiosas por fortes contingentes armados, presos, agredidos, insultados, expulsos do país, passaram ainda pela enxovalhante operação de medição dos seus crânios no posto antropométrico da Penitenciária de Lisboa, onde se faziam os estudos sobre a constituição física dos criminosos, para confirmação das teses em voga sobre as relações entre a criminalidade e as anomalias anatómicas. Ler mais»»»
 

26
Abr09

26 de Abril dia do Santo Condestável de Portugal

 
A santidade vive-se na história, e nenhum santo está isento das limitações e dos condicionalismos próprios da nossa humanidade. Ao canonizar um seu filho, a Igreja não celebra opções históricas particulares realizadas por ele, antes o propõe como modelo à imitação e veneração pelas suas virtudes, para louvor da graça divina que nelas resplandece.
 
Papa João Paulo II
25
Abr09

Paulo Pinto de Mascarenhas discorda “da ladainha” de uma certa direita que não rejubila   com as comemorações do 25 de Abril, e afirma que essa direita nunca deveria ter permitido que a esquerda se apropriasse do.
Eu, que enfiei esse barrete, também discordo do Paulo, pois sou dos que vivem neste dia um sentimento ambíguo, algo melancólico até. Se por um lado lhe reconheço o significado pela conquista do mais sagrado valor civilizacional, o da liberdade de expressão, o 25 de Abril traz-me inevitavelmente à memória os sequentes meses de inglório combate por essa liberdade que nos ia sendo usurpada pela esquerda totalitária que tomara conta do poder então. E o Paulo que se desengane: não foi sem um duro combate que “essa direita” foi literalmente atirada para fora do processo politico de “democratização”. Eu estive na rua e fui humilhado. O meu pai, cedo proscrito pelos governos revolucionários, para além da intervenção escrita e partidária, nunca falhou a rua. Eu por mim, militei na Juventude Democrata Cristã de Sanches Osório (extinta no 11 de Março), colei muitos cartazes e estive sempre onde era necessário em defesa dos valores democráticos ocidentais. Eu e os meus camaradas fomos crescentemente achincalhados até chegar o 11 de Março, quando, confesso,  um certo terror se apoderou de nós: qualquer coisa que mexesse à direita do PS era acusada de fascista, e chegámos a temer pelas nossas vidas.
Caro Paulo Pinto de Mascarenhas: como vê não é por uma questão estética ou de vontade que uma “certa direita” não desce alegremente a Avenida da Liberdade todos os anos. É porque logo a partir do dia 26 de Abril ela foi, metódica e antidemocraticamente, atirada borda fora do sistema, até chegar o dia 25 de Novembro, quando a liberdade e a democracia foram restauradas. Trata-se, caro Paulo, de uma questão tão emocional quanto racional, aquela que me afasta de quantos rejubilam com o 25 de Abril e para quem o PREC se tratou de inesquecíveis tempos de pândega, uma extravagância desculpável pelos ideais que reclamavam para si.  É que eu e muitos dos meus companheiros e amigos, fomos nesses dias os bombos da festa. 
Foi necessário muito fair play para essa indulgente direita se ter conformado com os excessos dessa amnistiada esquerda que hoje pontifica e é promovida no panorama politico e social português. Personagens às quais, graças a Deus, eu não necessito prestar vassalagem ou fazer cara alegre neste dia do ano ou noutro qualquer.
Fique o Paulo a saber que eu também trauteei as Cantigas e Maio até se me amargarem, sufocadas na garganta. O 25 de Abril que muitos festejam, ironicamente, acabou por pôr em causa a nossa liberdade e às tantas nossa sobrevivência. Só isso.

01
Dez08

Claro que prefiro acreditar que a autoria de Adeste Fidelis pertence a D. João IV. De qualquer forma é um dos mais belos hinos de Natal que conheço, e qualquer data justifica a sua audição, muito mais hoje que celebramos a restauração da independência e a dinastia da casa de Bragança.

 

...e por favor não se esqueçam de explicar bem às vossas criancinhas (e porque não aos vossos crescidinhos) o significado do feriado de hoje.

01
Dez08

Em Portugal comemora-se hoje um feriado nacional. Não parece. O 1º de Dezembro, o seu simbolismo histórico de Restauração Nacional, o feito histórico dos antepassados, a Independência Nacional, não passam de meras balelas para os "senhores" que muito orgulhosa e ardilosamente dirigem os órgãos de comunicação social. É revoltante e chocante para um ouvinte da rádio estatal - Antena 1 - que a sua programação e noticiários desta manhã não incluam uma referência divulgadora, informativa e esclarecedora do que se passou no 1º de Dezembro de 1640 para que hoje se comemorasse um feriado. Nada de nada. Não deve ter havido tempo para organizar um programa que convidasse historiadores republicanos ou monárquicos, mas que recordassem um feito memorável. Os noticiaristas, pela sua juventude, não fazem a mínima ideia do que se comemora nem foram chamados à atenção pelo chefe de que esta manhã deveriam relembrar os mais idosos e ensinar aos mais jovens a razão de ser feriado. Do mesmo modo se lamenta que os principais diários não tenham feito uma qualquer referência na primeira página sobre a efeméride. É na verdade, um país demitido...

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