Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

06
Jan13

“Fidalguia sem comodoria é gaita que não assobia”... como diz o velho ditado.

 

Grassam por este pais à beira mar abandonado, um sem número de residências nobres que chegaram a um estado de preservação muito menos digno do que os áureos dias que outrora conheceram...

 

São um reflexo de uma aristocracia depauperada que foi perdendo o carisma e a fortuna pelo passar de várias gerações, na maior parte das vezes sem trabalhar...

 

No meu entender, distingo a nobreza em três ramos bem diferentes...

 

A nobreza de nascimento é a que menos valor tem, e é de uma grande responsabilidade.

 

Bastou o nosso karma ter escolhido um berço para sermos galardoados com “sangue azul”, o que nos pode abrir portas e dar acesso a um nível sócio cultural privilegiado, no entanto é sempre um dever honrar o nome que se transporta, para poder ter o merecido orgulho.

 

A nobreza empresarial e militar é apanágio de homens com H, é com actos de bravura, diplomacia, ética e inteligência, que se distinguem os valorosos.

 

Independentemente do seu nascimento, qualquer um poderia conquistar um titulo... se o merecesse.

 

A nossa história passada e presente, está pejada e bem marcada com bons exemplos que fizeram e fazem de Portugal uma digna nação

 

Há ainda a nobreza de espírito, que independentemente do estado social em que se nasceu é a que nos vai guiar por um caminho mais puro e garantir a honra de cada um...é importantíssima!

 

A nobreza de espírito nem sempre anda de mãos dadas com a nobreza social, como se pode testemunhar pela maneira como o património imobiliário onde os egrégios avós alcançaram as suas glórias, é votado ao esquecimento, conspurcando todo o sentido de nobreza.

 

Estas casas são autênticos guardiões de histórias e memórias familiares que deveriam ser preservadas com o mesmo carinho que um brasão ou titulo de nobreza.

 

Sei que os custos de manutenção de uma propriedade desta envergadura são elevados, mas a sua sustentabilidade pode ser auto gerada com um pouco de trabalho, empreendedorismo e inteligência... como sempre foi ao longo das várias gerações.

 

Noutros casos a ganância também faz estragos, pois muitas vezes as questões de partilhas levam uma boa parte do nosso património a um estado que em nada faz justiça ao bom nome de ninguém.

 

Também a exuberância dos estilos de vida, em que muitos "nobres" teimam em manter sem os devidos rendimentos, deitam a perder não só a nobreza com que supostamente nasceram, como também os melhores valores que deveriam manter...

 

O estado português, que foi outrora representado por uma família real, deveria igualmente dar exemplos de nobreza, já que usourpou um estatuto que desperdiça todos os dias, dando exemplos que envergonham o País e todo o seu povo...

 

O nosso melhor e mais nobre património, definha todos os dias aos descuidados da república, que parece pretender apagar o nosso glorioso e nobre passado substituido-o com "magestosos mamarrachos", simbolos do novo-riquismo instalado, afirmando-se pela demagogia barata do "progresso"...

 http://ruinarte.blogspot.pt

04
Jan13

Este post é um dos mais visitados e comentados deste projecto. Hà muito tempo que pretendia visitar este local e homenagear o que considero ter sido um dos maiores vultos da nossa história. 

A Aristides de Sousa Mendes do Amaral e Abranches e sua família, dedico inteiramente esta reportagem, tal como todos os direitos sobre estas imagens que serão doadas à  fundação de seu nome.

Não pretendo descrever aqui a sua biografia, pois seria apenas mais uma e teria de plagiar o que outros autores já disseram. Quero-me cingir apenas àquilo que ainda não foi dito ou escrito sobre este GRANDE HOMEM, a ele devem a vida mais de trinta mil refugiados do holocausto nazi.

 

A humanidade ficou mais pobre com o seu desaparecimento, pois homens desse calibre são raros, geralmente incompreendidos e ingratificados.

É precisamente pela a ingratidão e injustiça que gostaria começar esta breve homenagem...

Nunca ninguém na nossa história foi tão esquecido pelos nobres actos que o distinguiram. Por vezes o karma maltrata as boas pessoas sem alguma justificação e lógica terrena, chegando a pôr a divina justiça em causa...

Aristides antes de ser diplomata, pai ou chefe de família, era um homem de Deus. Fiel aos seus princípios religiosos e humanísticos, colocou a sua vida pessoal, profissional e familiar em risco, desobedecendo a ordens superiores quando concedeu vistos portugueses a todos os refugiados de guerra que procuraram ajuda no consulado de Bordéus, permitindo desse  modo a fuga para fora do palco de guerra a milhares pessoas.

 

Estima-se que terão passado por Portugal cerca de trinta mil refugiados com vistos por ele assinados, o que o torna talvez como o maior salvador de vidas na história da humanidade. 

Chegou a andar na rua a distribuir vistos a quem deles necessitasse, além de ter conduzido pessoalmente a pé e de carro grupos de refugiados pela fronteira dos Pirenéus e recebeu em sua casa de Cabanas de Viritato todos os refugiados que por ali passaram.

A “justiça” não tardou e acabou por ser exonerado do seu cargo, com um pesado prejuízo a si e à sua extensa família. Aristides além de ter sido despedido, foi votado a um ostracismo social e laboral e nunca mais arranjou emprego... o que para um responsável pai de catorze filhos deve ser a maior angústia e partida que a vida pode pregar!!! 

Todos os amigos, familiares e sociedade lhes voltaram as costas, abandonando-o e “fazendo um cerco” a todos os seus filhos.

A Casa do Passal é um testemunho vivo do Holocausto!!! Por Portugal não ter cicatrizes da Segunda Guerra, (embora todos tenhamos lido livros ou visto filmes sobre esse nefasto tema), NUNCA nenhum de nós poderá sentir ou imaginar esse tão tenebroso cenário sem estar num local impregnado de memórias bem vivas... 

A primeira vez na vida que senti na alma esse arrepio, foi quando visitei em Amsterdão a Casa de Anne Frank. Ali estava o terror Nazi entranhado numa modesta casa que foi palco de uma triste história... 

Pois a Casa do Passal tem muito mais memórias... além das pessoas e acontecimentos que ali passaram, o seu estado de conservação lembra constantemente a presença desses tempos. 

Toda a rotina de uma vida familiar com um núcleo de dezasseis elementos deveria ser mais dinâmica que a dos “von Trapp”. Era um devoto casal com catorze filhos nascidos entre 1909 e 1933 e deveria ser a casa mais feliz de toda a região, é fácil de imaginar toda a alegria que ali reinava, pois uma família de tão boas tradições, cultura e costumes, além de próspera, seria essencialmente alegre de tanto amor e fraternidade.


É também fácil de sentir as angústias que naquela casa aconteceram e ainda vivem dentro daquelas degradadas paredes. Ao juntar a sua numerosa família com o convívio de estranhos em desespero de vida e liberdade, Aristides conseguiu atingir o verdadeiro sentido de comunhão, partilhando o seu lar e pondo em risco tudo aquilo que possuía.

 

Tento imaginar a sua atormentada alma, com a grande alegria de ter catorze filhos e com a grande angústia de os sustentar... tento imaginar a sua grande alegria por ter salvo tantas vidas e a sua profunda tristeza pela solidão e ruína a que foi condenado.


Como é paradigmático uma pessoa ser condenada por “excesso de valores” e de nobreza...como é estúpida e vil a ingratidão que a humanidade lhe devotou...

A injustiça é sem dúvida e acima de tudo a mais vil atitude que se pode imaginar...e a injustiça perseguiu-o durante a vida e depois da morte...

Foi injustiçado pelo poder de um estado com mão de ferro, foi injustiçado pela igreja católica que nunca legitimou os seus actos de humanidade, foi injustiçado por todos os que ajudou e o esqueceram ao nunca lhe prestarem auxilio (ainda que lhe devessem a vida) e por toda uma sociedade que fingiu não ver as dificuldades que este homem de Deus passou até seus aos últimos dias...e continua a ser injustiçado pelo abandono da sua casa!!!

Nos dias de hoje e após a estreia da “Lista de Schindler”,  houve quem se tenha lembrado deste herói que tantas vidas salvou...era bem ter um Schindler português, agora já podíamos ter orgulho...tanta hipocrisia...nunca isso se poderá afirmar com justiça!!!Portugal não é digno disso!!! Portugal nada aprendeu com a nobre lição de Aristides de Sousa Mendes!!! Apenas se vangloria com louros alheios ao referir a sua nacionalidade, como que lhe usurpasse toda a nobreza dos seu actos e heróicos feitos!!!

Um homem deste calibre merecia ser recordado como herói nacional, ter praças e avenidas com o seu nome...e nunca a ruína da sua casa!!! Como é isso possível??? Por falta de verbas, dizem alguns...por ignorância, ganância e arrogância, digo eu...

Também a igreja católica lhe dedicou uma grande falta de atenção... como é que um tão devoto crente, que cumpriu uma missão tão divina nunca foi sequer proposto a beato??? Não sei ao certo quantas vidas salvou. Embora fossem a maioria de etnia judaica e talvez por isso não fossem merecedores de “atenção”....mas porra, foram vidas que se salvaram, até poderiam ter sido periquitos que seriam sempre vidas, mas eram seres humanos!!! É uma grande injustiça ficarem à espera que faça um milagre para lhe darem a mais que merecida atenção!!!

Embora o governo de Israel, tal como certas fortunas de muitos judeus que salvou não possam ser administrativamente responsabilizados pela falta de verbas da Fundação Aristides de Sousa Mendes, poderiam mostrar alguma gratidão pelos milhares de vidas que salvou e desbloquear alguns meios que permitissem dar alguma dignidade a este mausoléu de malditas memórias.

Após o seu “ressuscitamento”, foram feitas breves homenagens reabilitando tardiamente a sua honra. Foi reunido o seu espólio e feita uma fundação com o seu nome...que grande momento solene... demagogicamente  aproveitado pelos insignes diplomatas e governantes, como autores de um gesto de boa vontade e justiça para com a sua memória e família. Encheram-se de louros por tão nobre acto aproveitando-se de uma figura como a de Aristides de Sousa Mendes, tornando a abandoná-lo...

 

O ministro dos negócios estrangeiros de então, ilustre Dr. Jaime Gama, fez pagar à família todos os ordenados que Aristides deixou de receber entre 1940-54, além de a ajudar na aquisição da Casa do Passal... foram feitas as devidas homenagens, tiraram-se as fotografias, apareceu na comunicação social, foi lá a televisão e falou-se muito em Aristides de Sousa Mendes... e parafraseando os “Gatos Fedorentos”... “fala-se muito mas não se faz nada”...

Desde então e após muita tinta ter sido gasta em vão, a casa ameaça derrocar a qualquer instante apagando para sempre o que além de ser uma jóia de arquitectura deveria ser também um local de peregrinação...

É a CASA DO PASSAL, onde tudo se passou...onde muita história se escreveu e onde estava prometida a sua reabilitação integral e ampliação para albergar o Museu dos Direitos Humanos. Seria certamente o grande sonho de Aristides, além todo o impacto que teria na sua obra, iria colocar Cabanas de Viriato no mapa do mundo, como exemplo de educação, civismo, gratidão e cultura.

Enquanto este palacete não for recuperado em todo o seu esplendor, haverá uma nódoa  na nossa dignidade como povo civilizado. Não é compreensível que os ministérios da cultura e dos negócios estrangeiros, além de todos os organismos municipais que tutelam o património não mostrem alguma vergonha e ajam de uma vez. 

 

A tutela do património, é uma obrigação delegada por lei ao próprio estado e tem sido descurada ao longo de várias décadas. Neste caso é ainda mais grave por se tratar de um pedaço de história vivo e de constituir simbolicamente os Direitos Humanos.
A metáfora poderia ser colocada neste mesmo instante, ao cruzar o holocausto, os direitos da humanidade e esta nobre casa...e o estado que o estado deixou isto chegar...e não me venham com falta de verbas!!! Porque gastar 30 milhões de euros num novo museu dos coches quando já existia um e era o melhor do mundo... seria uma prioridade para a nação...???

 

É com grande urgência que necessita de uma profunda intervenção de restauro e apelo a todos que possam contribuir para a salvar que o façam por aqui: http://fundacaoasm.planetaclix.pt/ , onde poderão também saber melhor quem foi este grande português...

A Casa do Passal é um palacete romântico construído na segunda metade do Séc. XIX, a sua figura entristecida impõe-se com a nobreza com que foi traçada mas muito longe dos gloriosos tempos.

É hoje mais uma vergonhosa ruína que entristece quem lá passa, o seu vislumbre é tão aterrador como encantador e foi um dos momentos mais altos deste projecto. O seu estilo é romântico com inspiração francesa e ostenta ainda com orgulho a delicada pedra de armas que exibe na fachada.

É ladeada por um generoso terreno nas traseiras onde vive um fato de cabras e tem um pequeno jardim ao longo da fachada, onde a um canto está um crucifixo que ainda torna o local mais triste pela expressão de sofrimento do Cristo, como que acentuando o cenário de dor.

A entrada é feita por baixo de um imponente alpendre suportado por seis colunas e forma uma varanda no primeiro andar. Entrando num grande hall temos acesso à cozinha e a várias salas, onde certamente se passava a maior parte do dia a dia daquela família.

 

Por uma grande escadaria somos conduzidos ao andar superior, onde estão ainda visíveis alguns traços de decoração nas paredes e bandeiras de portas dos amplos e sucessivos cómodos, da mansarda pouco ou nada resta...


E foi culminar de uma aventura hà muito esperada, espero em breve voltar a este local e vê-lo de boa saúde, com a nobreza que sempre teve e teima em preservar...

02
Jan13

Como se Levantaria um Estado

Sem querer plagiar o título da obra do Dr. Oliveira Salazar, esbocei uma série de ideias, que pela reabilitação do património arquitectónico, poder-se-ia igualmente reabilitar boa parte da nossa estrutura socio-económica, além de finalmente podermos ingressar com orgulho no mapa da Europa… aqui ficam algumas sugestões…

Quando era miúdo e fiz a instrução primária, além de ter aprendido a ler, escrever e fazer contas, aprendi essencialmente a acreditar em Portugal…
Todas as matérias ensinadas eram novas e interessantes, recebia com gratidão os conhecimentos que diariamente acumulava, e acreditava com convicção em tudo o que a professora ensinava…
Havia uma disciplina que particularmente me cativava, era o Meio Físico e Social, dava-nos a conhecer Portugal e todas as suas regiões e culturas…
Era uma disciplina que além da geografia, história e etnologia, também nos deu noções de patriotismo, mostrando que pela cultura, a identidade de um povo estaria para sempre preservada.
Como espelho de uma cultura e civilização, tal como barómetro sócio cultural, poderíamos utilizar a arquitectura e todo o ambiente que nos rodeia, pois está nela transposta toda a nossa epopeia como nação económica e cultural.
Pelos estilos de arquitectura podemos definir com alguma exactidão, não só a sua cronologia, como também a região onde está localizada, havendo características bem específicas que identificam cada edifício e atribuem uma identidade a cada povo e região.
Hoje, em pleno Século XXI, toda a identidade do País mais antigo da Europa está posta em causa pela conspurcação ética e estética dos valores culturais.
A proliferação de “maisons” que floresceram nos mais recônditos cantos da nossa pátria, conspurcaram tudo o que se ensinava nas escolas como característico do “puro lusitano”, condenando ad eternum todo o charme de um País.
Sabemos que a criatividade é uma mais-valia para qualquer sociedade, no entanto o excesso da mesma pode ser muito prejudicial para todos nós. Todas as liberdades criativas espelhadas na arquitectura deveriam ser controladas pelas Cameras Municipais, que com todo o rigor, deveriam acompanhar cada obra e impor as leis vigentes.
Desde a arquitectura barata, as cores berrantes, o gradeamento exuberante e estatuária aberrante, águias, dragões, leões e anões, azulejaria de casa de banho com as mais bizarras conjugações, … todos os golpes foram e são permitidos…  ou será esta a cultura portuguesa?
Portugal tornou-se num País de aberrações que nos assolam de Norte a Sul… Basta de “pimbalhices” e novo-riquismo, DEVOLVAM-NOS A IDENTIDADE E A DIGNIDADE!
Também a construção desmedida de autênticos mamarrachos, (que muitas vezes ditaram a sentença de morte de verdadeira obras de arte), inundou o mercado com um excesso de oferta, criando especulações e crises financeiras… a nossa moral nunca esteve tão baixo como agora… nem que a selecção de futebol fosse campeã do mundo, o patriotismo nos seria revitalizado…
Nenhum País pode funcionar sem sentido de patriotismo, é como se fosse o “óleo do motor”de uma nação.
O patriotismo lubrifica-nos o ego, aumenta-nos a produtividade, além de nos dar força para enfrentar a vida com a convicção. É uma espécie de dopping que alguns governantes se esforçam a incutir nos seus povos, pois sabem que é o orgulho colectivo que os conduzirá à vitória e levará o País avante.
Muitas vezes e através de demagógicas campanhas de propaganda barata, em que nos são prometidas doses massivas de adrenalina patriótica, gastam-se inocuamente verbas que poderiam por este País a funcionar…
Sabemos que os submarinos, o TGV, o aeroporto internacional e as auto-estradas são investimentos que nos ajudarão a elevar a nossa auto-estima, pois é uma maneira ilusória de nos poder comparar ao resto da família europeia, dando-nos a pensar que isto é um País evoluído.
No entanto e enquanto houver cerca de um milhão de ruínas neste canto da Europa, dificilmente Portugal poderá ser produtivo, não só pelo que estas ruínas representam para a nossa economia, mas também por aquilo que representam como sociedade.
O plano de recuperação económica e social, deveria começar precisamente por devolver a Portugal a sua identidade, pela preservação e rentabilização do seu vastíssimo património.  
Eu sei que são investimentos colossais que o estado não pode suportar neste momento, mas  se criasse condições para que os particulares o façam?
Embora isso por vezes até possa acontecer, é muitas vezes impossível prever com exactidão o orçamente destas empreitadas, pois à medida que os trabalhos progridem, também os buracos aparecem ao mesmo ritmo, tornando muitos projectos economicamente inviáveis.
Outro entrave, é o orçamento acrescido para mão-de-obra especializada que regiamente se faz pagar pelos seus préstimos, uma vez que quase não há concorrência pela escassez de cada profissional.
Noutra altura atrevi-me a apresentar soluções legislativas a quem pudesse interessar, todas elas no interesse de todos nós como nação civilizada, tendo tido o cuidado de as sustentar através da legitimação histórica, pois esta é cíclica e ensina-nos valiosas lições.
Uma vez que este projecto tem contribuído para a difusão e sensibilização desta causa nacional, através do levantamento histórico e fotográfico de alguns edifícios, gostaria de o ver também a contribuir com algumas ideias que ajudariam a levantar a economia e sociedade portuguesa.
O plano começaria depois de todas as leis serem afinadas, o que dinamizaria todos os processos de reabilitação urbana, cultural e económica.
Já que hoje em dia só é valorizado um profissional com “canudo”, e sem esse “atestado de doutor”, qualquer um é visto como uma espécie inferior de ser social. Seria uma forma de dignificar as profissões através de um estatuto, apelando assim a um grande número de futuros alunos para a Universidade de Reabilitação.
Ao mesmo tempo esse mesmo canudo serviria como selo de garantia para um trabalho rigoroso e profissional… seria ouro sobre azul…
A Escola Superior de Reabilitação, traria além de milionários lucros em forma de propinas, um novo fôlego a toda a sociedade…
Ocupando um espaço devoluto e a necessitar de intervenção, poder-se-ia sem grandes investimentos iniciais dar avanço a este ambicioso projecto.
Começando-o pela recuperação das suas instalações, contribuiria não só para o ambiente urbano, como também para a formação dos seus alunos.
Desta forma seriam preenchidas várias lacunas de uma só vez, e todos os benefícios sócio económicos desta empreitada seriam imediatamente rentabilizados.
Imediatamente também, se constituiriam inúmeras formas de emprego permanente, e se construiriam muitas carreiras.
Carreiras essas que facilmente encontrariam mercado de trabalho, num milhão de ruinosas oportunidades só em solo nacional. Muito mais do que advogados, engenheiros e outros doutores, todos estes profissionais teriam uma projecção mais que garantida.
Para levar a cabo uma digna reabilitação, são necessários vários profissionais especializados. Além do conhecimento dos materiais que podem ser autênticas fórmulas de alquimia, as técnicas utilizadas pelos nossos avós são a única maneira de reabilitar sem desvirtuar um edifício histórico.
Todos os trabalhos de formação poderiam ser feitos em monumentos nacionais ou em edifícios do estado, o que representaria a poupança de muitos milhões de euros, além de poder aceitar empreitadas com valores muito mais acessíveis, o que seria outra forma de rentabilizar esta instituição.
Também as instituições prisionais poderiam ministrar cursos de reabilitação. Utilizando os reclusos como mão-de-obra, não só se rentabilizaria esta força de trabalho, como a mesma seria utilizada num verdadeiro serviço público, além de que garantiriam uma profissão honesta e segura assim que saíssem em liberdade.
Com os lucros gerados por esta escola, poder-se-iam fundar outras em diversos pontos do País. Uma vez que os centros urbanos das principais cidades, rumam a passos largos para de desertificação pela sua eminente ruína, estas escolas de reabilitação tornam-se numa necessidade suprema para cada autarquia.
Num Portugal onde o desemprego todos os dias atinge recordes, especialmente na camada mais jovem, é urgente arranjar e tomar medidas que revertam esta situação.
Com estas escolas, vários problemas seriam combatidos e resolvidos. Desde a reabilitação urbana, valorização de património, revitalização económica e cultural, baixa do custo da habitação, qualidade vida, emprego e muito trabalho, … e acima de tudo… PATRIOTISMO!!!
Está na hora de levantar de novo o esplendor de Portugal... eu já comecei…!!!
http://ruinarte.blogspot.pt
02
Jan11

Portugal em ruínas (3)


Pedro Quartin Graça

Em qualquer outros país, nomeadamente nos vários do Oriente que conheço e onde existem estruturas similares, estas antigas fortificações militares estão recuperadas e servem interesses turísticos e históricos de relevo. Em Portugal é o que se sabe. Gastão Brito e Silva retrata-nos com a sua conhecida genialidade, o caso do extinto RAC. Nele é possível ver ainda as peças de artilharia que equipavam esta unidade: 3 Krupp de 15,0 mm, capazes de disparar projecteis de 12,5Kg a 40 Kg com precisão a cerca de 20 Kms de distância.

Esta era a 8ª Bateria de artilharia de Costa e defendia o porto de Setúbal. Era ajudada pela Bateria do Outão na sua cobertura de fogo e complementada pela mais antiga e desactivada Bateria do Casalinho e pelo Moinho da Desgraça, que a apoiavam como paiol e posto de comando, respectivamente. Foi idealizada em 1932, levando mais sete anos de burocracias e expropriações até se iniciar a sua construção em 1939 e esteve activa até 1997, ano quando, por despacho do Estado Maior, se extinguiu o RAC, ficando apenas activas as batarias do Outão e da Fonte da Telha, sendo depois estas definitivamente encerradas em 2001. Agora o estado é este...

Acompanhe tudo aqui

13
Dez10

Portugal em ruínas (2)


Pedro Quartin Graça

A Fábrica dos Moínhos de Santa Iria

A Fábrica dos Moinhos de Santa Iria, foi o primeiro pólo industrial desta zona e terá contribuído para o seu desenvolvimento económico e social. Foi construída em 1877 e, quer pela sua dimensão, quer pela tecnologia de ponta com que estava equipada, era uma das indústrias mais desenvolvidas do país. Rivalizava com as suas congéneres de maior porte, tais como a Fábrica do Caramujo, da Pampulha e do Beato. Foi edificada com base no modelo dos moinhos de Corbeil, que era na altura o expoente máximo da moagem industrial. Nos seus quatro pisos, os vários estágios de fabrico da farinha eram processados em cadeia, dando origem a uma “linha de montagem” que os percorria do primeiro ao último piso. Também a maquinaria era da melhor tecnologia de então, a fábrica estava equipada com treze moinhos de pedra francesa, um sistema de limpeza e peneiração, animados por dois motores a vapor de 14 Cv e 80 Cv. Mais tarde, já nos anos 50 do séc.XX, foi então modernizada com motores eléctricos, com um posto de transformação e um grupo de ensilagem. O projecto dos silos de betão data de 1953 e foi da autoria de um engenheiro civil, não consegui apurar os nomes quer do arquitecto, quer do engenheiro, mas a sua traça é característica do período romântico e a sua estrutura volumétrica é funcional, destacando-se pela fenestração que prenuncia a arquitectura sustentável pelo aproveitamento da luz solar. Manteve-se em laboração até meados dos anos 80 da última centúria, foi mais tarde vitima de um violento incêndio o que a condenou a um completo abandono e ao seu agonizante estado de conservação.

 

É mais um conjunto de excelentes fotos trazidas pela mão amiga do grande mestre Gastão Brito e Silva - Blog Ruin`arte, consultável aqui.

12
Dez10

Portugal em ruínas (1)


Pedro Quartin Graça

EDIFÍCIO CLIP, FOZ DO DOURO, PORTO

Este edifício fica situado na esplanada do Rio de Janeiro na Foz do Porto, foi construído no início do séc. XX, e era propriedade da STCP, empresa de transportes públicos. Funcionou como uma subestação de fornecimento de energia eléctrica que esteve activa até 1974. Esteve devoluto até 1986, ano em que foi cedido ao CLIP, Colégio Luso Internacional do Porto, onde funcionaram as suas instalações provisórias. O CLIP iniciou o seu primeiro ano lectivo em Setembro de 1990 e ali se manteve até ao final dessa década. Foi depois abandonado quando este colégio se mudou para as novas instalações e, desde então, aguarda um melhor destino. Embora haja desde 2001 um projecto de conversão deste edifício para uma discoteca do grupo K, a “Kasa da Praia”...nada ainda foi feito nem tampouco há vestígios de vontade de o fazer...

 

As ruínas de Portugal aqui trazidas pela mão do grande mestre e amigo desta casa Gastão Brito e Silva - Blog Ruin`arte, consultável aqui.

Pesquisar

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Publicidade

Comentários recentes

Links

_EM DESTAQUE

_RISCOS ASSUMIDOS

Arquivo

    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2016
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2015
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2014
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2013
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2012
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2011
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2010
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2009
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2008
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D