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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

19
Jul13

O Estado Social é imperfeito porque é regido por pessoas. No seu âmago o conceito é absolutamente necessário e o melhor garante ao salto intergeracional e à não reprodução das condicionantes sociais. Ou seja, sem o Estado Social a mobilidade social é posta em causa. Milhares de crianças e jovens estarão depositados ao insucesso escolar fruto não da sua competência mas presos às condicionantes socioeconómicas do seu background familiar. É por isso que o Programa Escolar de Reforço Alimentar (PERA) é tão importante. O seu sucesso é notório quando lemos que 50% dos abrangidos tiveram melhoria no aproveitamento escolar. Somente um governo sem consciência social poderá pensar que o Estado Social é um conceito decrépito. O capitalismo não tem rosto, coração ou dignidade. E tudo isto traz-me à memória Jorge Amado, em Jubiabá:

Já sabiam do seu destino desde cedo: cresceriam e iriam para o cais onde ficavam curvados sob o peso dos sacos cheios de cacau, ou ganhariam a vida nas fábricas enormes. E não se revoltavam porque há muitos anos vinha sendo assim: os meninos das ruas bonitas e arborizadas iam ser médicos, advogados, engenheiros, comerciantes, homens ricos. E eles iam ser criados destes homens (…) no morro onde morava tanto negro, tanto mulato, havia a tradição da escravidão ao senhor branco e rico. 

[também ali]

21
Jan13

nem oito nem oitenta


Sofia de Landerset

 

8. Perguntei, há uns tempos, ao professor do meu filho mais novo porque nunca elogiava o seu desempenho. O miúdo tinha feito um esforço enorme para conseguir um 'excelente' a matemática, na avaliação final do primeiro ano, e tinha ficado triste por o professor não lhe ter dirigido uma palavra de apreço pelo feito.

A resposta do professor deixou-me estarrecida: Não devia fazer sobressair o desempenho individual dos alunos, pois poderia magoar aqueles que não recebiam elogios.

 

80. Uma professora vai a julgamento porque castigava os alunos com reguadas e bofetadas, quando se portavam mal ou não se aplicavam nos estudos. Alega que os castigos físicos eram "para bem" dos alunos.

O que mais me assusta nem é uma professora, que seguramente é uma excepção à regra, e será julgada conforme merece. O que mais me choca é a quantidade de comentários do género "levei muitas reguadas e só me fez bem" que se podem ler na sequência da notícia. 

 

Faz-me tanta aflição a falta de reconhecimento do mérito individual dos alunos, aparentemente tornada directiva pedagógica, como ainda haver tanta gente que acha que é recomendável aviar umas reguadas e umas bofetadas nos miúdos, a bem da disciplina e do respeito.

Um bocadinho de bom senso, não se arranja?

 

 

17
Jan13

Os senhores doutores que me perdoem


Sofia de Landerset

 

Talvez seja conveniente lembrar que não frequentei nenhuma universidade. A realidade das nossas faculdades é, para mim, tão desconhecida como a cultura da couve-de-Bruxelas.

(o que se nota no facto de ter escrito 'disciplinas' e ter vindo corrigir para 'cadeiras')

No entanto, nunca achei que isso fosse um entrave ao exercício do senso comum. Aliás, começo mesmo a suspeitar que é exactamente o contrário.

Vejamos. Temos uma turma do terceiro ano. Já lá andam há uns tempos, já se consegue aferir quem é bom em que cadeiras, quem tem dificuldades em quê.

Acontece que subitamente, numa qualquer cadeira do primeiro semestre, a turma chumba quase colectivamente o primeiro teste. Safam-se uns poucos, a nota máxima é um 13, conseguido pelo “crânio” da turma.

E não acontece rigorosamente nada.

Isto passa-se, não tão raramente como isso, em pelo menos uma prestigiada faculdade pública deste país. Muito me admiraria se fosse só ali.

Sejamos claros: há professores que prejudicam os alunos nas suas médias finais, só porque podem. Porque decidiram “dar uma lição” aos alunos, que pensavam que aquela cadeira “era canja”. Porque decidiram unilateralmente que a escala de notas termina no 15, e o 15 está reservado a Deus. Porque se acham superiores e intocáveis.

Nem sequer me interessa o motivo. Não há um motivo que justifique isto.

(por acaso até há, mas é uma justificação que aponta para a falta de competência do professor para transmitir os ensinamentos de forma eficiente)

Partindo do pressuposto que a) uma turma não estupidifica assim de repente e de forma selectiva e b) a matéria não é inacessível, o que se demonstra facilmente pelos resultados satisfatórios da turma do lado, que tem outro professor, não seria do interesse da própria faculdade que situações deste tipo fossem analisadas?

Não seria do interesse da faculdade, dos alunos e da comunidade em geral, que paga, através dos seus impostos, uma parte deste ensino, que o dito fosse da mais elevada qualidade, transmitido pelos professores mais qualificados – e “qualificado”, aqui, tem de incluir necessariamente a qualificação enquanto ser humano justo, equilibrado e mentalmente são, para além da qualificação académica.

As nossas faculdades não deviam ser recreios de escolinha primária onde os meninos que levam uns sopapos em casa se divertem a bater, por sua vez, nos mais fracos.

Parecendo que não, há pequenas coisas que se tornam enormes no futuro dos nossos filhos.

E muitas delas resolviam-se sem gastar um tostão.

Ah pois, mas dava trabalho e irritava uns senhores professores.

Que chatice.

16
Jan13

tanto dinheiro mal gasto


Sofia de Landerset

"Não deis aos cães as coisas santas, nem deiteis aos porcos as vossas pérolas, para que não suceda de que eles as pisem com os pés e que, voltando-se contra vós, vos dilacerem."
— Mateus, Capítulo 7, versículo 6.

 

Dizia o doutor Gaspar, há uns tempos, que tínhamos de gramar com ele porque ele tinha uma dívida a pagar ao país: o "enorme investimento" na sua (dele) educação.

 

Por outro lado, parece que Portugal tem um dos piores rácios entre a despesa com a educação e os resultados dos alunos, ligeiramente acima do Burundi ou assim.

 

Não preciso de fazer um desenho, pois não?

21
Jul09

É grave o estado da educação em Portugal. Este exemplo, é meramente ilustrativo de uma realidade que todos, melhor ou pior, conhecemos através de numerosos casos reais.

A educação não pode ser uma estatística, sobretudo porque estamos a formar verdadeiros analfabetos e jovens incapazes de pensar pelas suas próprias cabeças.

Não há sucessos (como o caso recente das olimpíadas da matemática) que nos possam fazer pôr a cabeça debaixo da areia e fingir que está tudo bem. Urge tomar medidas que façam aumentar o nível de exigência do nosso ensino. É o nosso futuro que está em risco.

08
Jul09

Ontem o dia foi de emoções fortes lá em casa pois saíram as notas dos exames da Margarida e do Francisco, respectivamente do 12ª e 11º ano: perante os desfechos verificados admito que somos uma família privilegiada, na qual, com mais ou menos atritos e resistências, sempre se vai incutindo a importância do esforço e da vontade como única garantia de sucesso... para as disciplinas exactas

Uma coisa é certa: durante os últimos anos em que eles frequentaram o Ciclo e o Secundário do Estado, foi quase em desespero, contra tudo e contra todos, que nós clamámos esses valores. Inesperadamente contra a própria Escola, que a certo ponto mais nos parecia um asilo de marginais, um foco de vícios e de tantas outras impertinências.

Entretanto, a nossa pequena Carolina ainda no 1º ciclo (e que espero manter tantos anos quanto possíveis no ensino privado), que tinha como uma das brincadeiras predilectas passar horas de caneta e caderno em punho a “escrever histórias” e ilustra-las com desenhos e recortes, deixou-se disso para render-se ao Magalhães impingido pelo Ministério da Educação. Agora passa horas esgazeada a teclar jogos electrónicos. Salva-a “cruel marcação” de que é vítima dos pais. 

19
Mai09

Ontem houve teste de aferição de Português para os alunos do 4º e 6º ano. O teste, de cruzinhas, não serve para «avaliar». Serve apenas para «aferir». Estamos, como é costume na chamada Educação, no domínio do newspeak, e, por isso, eu explico. «Avaliar» é mau: «avaliar» significa realmente escrutinar graus de conhecimentos, reconhecer e premiar o mérito, punir a preguiça e o descaso. «Aferir» é duplamente bom: «aferir» é bom, primeiro, porque tem contornos benfazejos e voluntariamente inconsequentes para não desmotivar ou deprimir os eventuais ignorantes, nem as políticas educativas. «Aferir» é bom, em segundo lugar, porque a onda de aferições positivas que necessariamente resulta de testes tão fáceis que surpreendem até os alunos moraliza os educandos e incensa o governo (que aliás se incensará a si próprio - se bem os conhecemos, já não tarda nada).

Amanhã, a brincadeira continua com aferições a Matemática.

O futuro, na ficção, é o geral sucesso educativo. O futuro, na realidade, é uma horda iliterata e desqualificada, e um país sem as armas da competência e da competitividade. E o cavar - ainda mais, mais ainda - das desigualdades, porque quem tem dinheiro não precisa de sujeitar os seus filhos a esta trapalhada irresponsável.

16
Mar09

 

Para vergonha de todos nós soube-se que alguém teve a desfaçatez e o total espírito racista de discriminar um grupo de 17 alunos de etnia cigana colocando-o de forma segregadora num contentor para assistir às aulas. A marginalidade oficial decorre numa escola básica de Barcelos e o caso é da responsabilidade daquela senhora "simpática" que chefia a já célebre DREN...

18
Fev09

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