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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

22
Jul09

Habitualmente associamos os “custos da democracia” ao financiamento dos partidos, à logística do processo eleitoral e às despesas dos órgãos de soberania: perfeitamente aceitáveis se devidamente transparentes e regulados. No entanto, o mais pernicioso dano colateral do regime é o do poder quando não resiste à vertigem eleitoralista e hipoteca a “rés publica” em beneficio da propaganda. A poucos meses de eleições, quando a esmola é grande, o pobre do eleitor deveria desconfiar... do custo de cada reforma inacabada, de cada obra prometida, emprego mantido ou angariado.

06
Jul09

A propósito deste post do André Abrantes do Amaral, convém ressalvar que, apesar de actualmente me parecer exagerado o peso do Estado na promoção de uma nova ordem ética (refiro-me às questões fracturantes), quando eu defendo o liberalismo em Portugal como uma questão de patriotismo, refiro-me essencialmente à questão económica onde o seu peso é deveras asfixiante. Em vez de desperdiçar recursos dos contribuintes a doutrinar o povo e alimentar clientelas, tirando alguns sectores estratégicos como o da Segurança, da Defesa ou da Justiça, o Estado deveria concentrar-se tanto quanto possível na regulação. Ninguém nega a importância para o país dos supermercados, mas porque raio haveria o dito cujo geri-los? Imaginem o só bom-bom que seria o ministério da sua tutela! As secretarias de Estado, os assessores, a multidão de administrativos, já para não falar dos institutos e fundações. E punha mais sindicalistas na rua do que o da Educação!

23
Jun09

A maior prova da ingovernabilidade deste país não provém das ferozes reacções corporativas, ou das mais extremistas manifestações sindicais. O terrível sintoma verifica-se quando os nossos governantes se sentam sorridentes nas conferências de imprensa, lado a lado com os empresários, usurpando-lhes dividendos pela criação de postos de trabalho. Como se a criação de emprego tivesse origem em altruísmos políticos ou nalgum sofisticado planeamento governamental, e não dependesse duma incontornável lógica de mercado. De resto, o povo bem industriado, saberá onde encontrar esses paternais governantes e exigir-lhes-há contas sempre que uma empresa fechar, falida ou deslocalizada.

21
Jun09

 

 

 

Parece-me, no entanto, inteiramente compreensível este encanto socialista com os rudimentos de Keynes. Desde a falência teórica do socialismo (a falência prática data de muito antes de 1989) o marxismo perdeu encanto dialéctico. Ora a vulgata keynesiana tem as mesmas vantagens milagreiras que tinha a vulgata marxista: ela dá aos semiletrados uma chave explicativa do Mundo.

 

21
Abr09

Em Outubro de 2008, a minha mulher foi consultada por um instituto público, tendo em vista a tradução de diversos documentos. O serviço foi adjudicado, tendo como contrapartida o pagamento de cerca de mil e quinhentos euros.
Tratando-se de uma micro-empresa de traduções técnicas, criada em 2007 para ultrapassar uma situação de desemprego - a qual, diga-se, tem obtido um relativo sucesso -, o valor em causa não é despiciendo.
A tradução ficou concluída no início de Novembro, mas apenas em Fevereiro chegou a nota de encomenda que permitiu a emissão de uma factura que até hoje aguarda boa cobrança.
Consequentemente, dentro de alguns dias vence o pagamento do IVA relativo a essa factura em dívida pelo Estado, que inevitávelmente terá de ser liquidado. Dada a dimensão da empresa, tal desembolo será efectuado mediante o recurso ao orçamento familiar.
Esta aberração acontece, apesar das notícias repetidamente anunciadas pelo governo, que dão conta de uma alegada aceleração de pagamentos de há um ano para cá.
Mas acima de tudo, isto trata-se de uma enorme imoralidade. Numa altura em que está na moda acusar a iniciativa privada de todos os males do mundo, convém que não nos esqueçamos do estado caloteiro que temos, que recusa sistematicamente cumprir as regras que ele próprio impõe às empresas e particulares.
 

11
Mar09

Porque exerço funções de comunicação empresarial em projectos dirigidos ao mercado global, sei por experiência própria que no mundo dos negócios, escancarado pelas novas tecnologias, a mais penosa fronteira ainda é o idioma. Sei como é difícil efectuar uma acção de marketing na Noruega, na Suécia ou na Holanda; desde a criação dos prospectos, o site de Internet, à redacção duma newsletter para os clientes. O problema agrava-se principalmente quando se lida com produtos de alguma sofisticação em que o “inglês técnico” se torna pouco eficaz. Também há muito que constatei que o meu trabalho é muito ingrato na língua para a qual estou mais habilitado, o português, por falta de escala e profundidade do nosso mercado. Assim, do ponto de vista profissional, eu seria bem mais feliz e realizado a trabalhar para trezentos ou quatrocentos milhões de pessoas evoluídas, com sentido crítico e poder de compra! Sonhos meus... 
Como sempre a questão humanitária converge na questão económica. Daí a importância da maturação dos mercados de língua de portuguesa, só possível através dum sólido progresso socio-económico nesses países.  O Brasil na ultima década tem dado sólidos passos nesse sentido, e Angola, noutro patamar está a fazer o seu caminho, embalada pelo fim da guerra civil e pelos milhões do petróleo.
Vem esta reflexão a propósito da visita de José Eduardo dos Santos a Portugal: a mim parece-me injustificada a hostilização política (veja-se a atitude dos bloquistas) a um país ou a uma visita de estado claramente amistosa e com uma agenda de vital importância para os negócios entre os dois países. Como tão bem refere aqui o nosso amigo João Carvalho, Angola é hoje uma porta de esperança de muitos portugueses empreendedores e refugio de muitos emigrantes nacionais acossados pela crise e pelo desemprego na Europa. Não deixemos pois algum reminiscente complexo de superioridade toldar a nossa vista. 

 

Imagem TSF

06
Mar09

Nos últimos quinze anos vivemos doze sob governação socialista. A sinistra crise que nos caiu em cima em ano de eleições, apenas tem servido para escamotear as responsabilidades do governo na gestão da coisa pública.
Afinal quem são os responsáveis pelos adiamentos das grandes reformas, a asfixiante carga fiscal, o “monstro” da despesa pública, o gigantesco deficit externo, a debilidade do nosso tecido industrial e económico, a inexistente regulação financeira (patenteado na falência do BPN), a descredibilização da instituições? Serão estes por acaso factores importados com a crise global?
Como referia há dias o insuspeito António Barreto, o facto de se chamar “global” à crise confere-lhe um cariz abstracto, etéreo, disfarçando a responsabilidade e incompetência dos nossos governantes. Mas o “global” constitui-se inevitavelmente pela soma diversas causas concretas, e os socialistas não podem sacudir a água do seu capote. É por isso indigna e desonesta a vitimização de José Sócrates, e isso tem que ser denunciado todos os dias.

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