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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

10
Mar09

Pouco passavam das 22:30, na Quinta dos Barros, junto à Universidade Católica, tinha acabado de jantar e saboreava um Bushmills e uns marlboros com o Eduardo, meu amigo e dono da esplanada do restaurante onde nós estavamos. Chegou um grupo de jovens, daqueles de má pinta e camisolas com carapuço - disse que estava prestes a haver "merda", desculpem a expressão. Para mim próprio pensei: "João não sejas preconceituoso, que raio de mania".

 

Dez minutos depois chegou um Sr. de uma empresa de pizzas ao domicílio, vi os rapazes aproximarem-se e levarem trêz pizzas e umas quantas garrafas de referigerante. Foram embora, o estafeta viu-nos ao longe e disse: "acabei de ser assaltado".

 

Esta é a nossa Lisboa do século XXI. O crime acontece ao nosso lado, passivamente e nós nem conseguimos reagir. Se alguém faz mal aos jovens deliquentes é porque é fascista, se nós criticamos os jovens também somos fascistas. Que fazer? Nada, é a resposta óbvia e cómoda, pois se fizermos alguma coisa somos fascistas.

 

Também eu sou jovem e aos vinte e dois anos já estou no meu segundo emprego, que conjugo com um terceiro, ainda sem ter terminado a licenciatura, que espero acabar este ano. E o que me diz o Estado? Aquele para o qual eu pago impostos desde os vinte anos? Diz-me para não criticar, para não ser fascista. "Mas eu sou de esquerda porra", penso eu. E daí? Daí não posso criticar, se não sou fascista.

 

Enquanto isto a polícia anda por aí a brincar às multas de trânsito, multando as pessoas que estacionam em cima do passeio na Av. do Brasil, onde moro, pois não têm lugares de parqueamento. E depois disto? Depois disto escrevi este post, e de certeza que vou ser chamado de fascista.

09
Mar09

  

Uma moradora do bairro, nas Olaias, local do mais recente tiroteio em Lisboa, queixou-se a uma televisão de que a insegurança ali é permanente, e que ali nada têm, nem jardins, nem espaços para crianças, nem asseio, nem ordem.

   Eis como o politicamente correcto - em nome de não eleger grupos, situações ou áreas como especialmente perigosas - acaba por constituir reféns a maioria dos cidadãos que sofrem essas mesmas situações ou vivem nessas mesmas áreas. Eis como o politicamente correcto se revela supinamente racista e estúpido; porque para o politicamente correcto está vedado intervir contra um bandido cigano, ou africano, não por ser bandido, mas por ser cigano,  ou africano.

   A única coisa que não faz do bairro nas Olaias onde se registou o tiroteio uma zona absolutamente marginal, é o facto de todo o resto de Lisboa (centro, beira Tejo e tudo) estar entregue ao mesmo grau de descaso, falta de policiamento e insegurança.

 

20
Fev09

Quem nunca deixou por declarar qualquer coisita na compra da casa, que atire a primeira pedra ao Sócrates - oh senhor das Finanças não olhe assim para mim, eu vivo numa casa arrendada!

Mas vamos lá ver, lá por o Sócrates ter comprado a casa a metade do preço de mercado, não quer dizer que tenha deixado qualquer coisita por declarar, simplesmente é um bom português, que gosta de saldos. Espertinho ele! Onde é que anda o Pinto Monteiro?

21
Jan09

Li num jornal que Oliveira e Costa, ex-presidente do BPN, tem desmaiado e que "nem a própria família tinha ideia do agravamento do estado de saúde". Não sei porquê, mas lembrei-me logo de uma estória verídica que teve lugar em Macau. Um certo cidadão chinês bem situado na sociedade local e quadro superior de um banco tinha feito um desfalque de muitos milhões de patacas. No meu jornal, lembro-me de ter noticiado o seguinte: um dia, que o fulano foi preso e que o seu depoimento em tribunal seria de uma importância vital para que se confirmasse o envolvimento na fraude de vários indivíduos "importantes". Num outro dia, que o fulano detido tinha adoecido na prisão e que tinha sido levado ao hospital, regressando depois ao estabelecimento. Passadas duas semanas, caíu a notícia de que o seu estado de saúde no presídio se tinha agravado devido a uma intoxicação alimentar...

Ao fim de um mês após a última notícia sobre o débil estado de saúde do referido recluso, ficou-se a saber que o mesmo se tinha "suicidado" na cela. Telefonei para uma fonte junto da Polícia Judiciária e limitei-me a indagar se o "suicídio" era a bitola do costume. Confirmaram-me que a seita secreta em causa "deve ter dado ordens para lhe limparem o sarampo para não denunciar os outros... mas, atenção, não lhe disse nada!"...

16
Jan09

Cinco empresários bem situados na vida e na sociedade da Grande Lisboa. Com idades entre 32 e 36 anos. Bem calçados de BMW e Audi. Frequentadores de bons restaurantes, boas lojas e melhores discotecas. Pais respeitados ao levarem os filhos às escolas. Nos cafés dos seus bairros só "bom dia, senhor doutor" ou "boa tarde, senhor engenheiro". Os cinco "bons rapazes" nas horas livres reúnem-se secretamente, estudam ao pormenor os mapas das localidades onde se situam delegações de bancos e as informações recolhidas sobre os dias de muito dinheiro em caixa. Bem armados e perfeitamente disfarçados de cabeleiras e barbas, os cinco amigos, membros da elite social, realizam 15 assaltos nos locais mais díspares, todos com a recolha de quantias avultadas. Não, não é um novo filme policial, porque ao fim de quatro anos de grande sucesso criminal, os cinco empresários foram visitados à mesma hora pelos inspectores da Polícia Judiciária. A investigação confirmou que se tratava do bando mais organizado e mais rentável que assaltava bancos à mão armada em Portugal. Já estão presos.

15
Jan09

Andei toda a vida profissional a redigir e a comentar as notícias mais díspares e inimagináveis sobre crimes. E quando pensamos que já vimos acontecer tudo aos outros bate-nos à porta o inesperado. Ontem, por volta da hora de almoço estava numa das artérias concorridas da nossa Lisboa e ouvi um BMW a apitar, tipo chamamento. Olhei, não reconheci nenhum dos quatro indivíduos com cerca de 25 anos que se encontravam no interior do carro e não liguei. O carro avançou para junto de mim e um dos fulanos cumprimentou-me e perguntou-me como ia a vida.

- Vamos andando, mas não estou a ver quem é!

- Então, não sabe quem eu sou? Não me está a reconhecer?

- Não!

- Sou o filho daquele grande seu amigo onde você trabalhava!

- Em Macau?

- Isso, em Macau! Veja lá quem era o seu maior amigo... aquele amigo de peito que nunca o traíu... diga lá, quem?

Naquele momento eu já tinha caído na esparrela, convencido que se tratava mesmo de algum jovem filho de um grande amigo que mantenho em Macau. Disse o seu nome e acto contínuo o interlocutor do BMW, disparou:

- Esse mesmo! Está a ver como acertou! Sou eu, o filho!

- É pá, estás um pouco diferente... os anos passam e vocês crescem!

- Oiça, o pai chega na segunda-feira... vamos abrir uma loja no El Corte Inglês e gostava que o meu amigo fosse lá à inauguração... entre aí, vamos ali tomar um café que é para eu lhe entregar o convite e os meus contactos...

Respondi que estava com pressa, entreguei o meu cartão e disse para me contactar mais tarde. Como não recebi qualquer resposta enviei um e-mail ao tal amigo em Macau, dizendo-lhe que tinha tido a agradável surpresa de ver o seu filho e congratulei-me pela sua vinda a Lisboa para a abertura da loja.

Como resposta, há momentos, fiquei a saber que o meu amigo não tem a mínima ideia de vir a Portugal, não vai abrir loja nenhuma, o filho está lá com ele e que eu estive à beira de um sequestro...

18
Dez08

 

Espere, espere! Não se vá embora já deste post porque o caso pode ter a ver com os seus filhos. Eu sei que um título que fale em morte leva normalmente a maioria a virar a página. Acontece que Portugal está a descambar por muitas rampas abaixo, mas é injusto e abusivo falar-se apenas do BPN, do BCP, do BPP, da avaliação dos professores e do TGV. Temos aí nas ruas de todas as cidades algo que perturba as comunidades locais e que as autoridades não estão a dar a devida importância: a 'porrada'.

No Porto, Braga, Guarda, Viseu, Coimbra, Leiria, Lisboa, Setúbal, Barreiro, Beja e Faro passaram a existir os chamados 'gangues' ou 'grupos rivais' conforme a conveniência do gabinete de informação que emite a notícia sobre qualquer acontecimento nefasto. Os jovens por causa da 'porrada' estão a ser mortos. Há cinco anos que a ´porrada´se agrava e na última semana já foram mortos dois jovens. Um no interior das instalações da Casa Pia de Lisboa e outro, ontem, na estrada entre a Marinha Grande e Leiria. Este último, Tiago Seiceira, com 19 anos, pertencente a um grupo que assiduamente vagueia pela noite, apercebeu-se que um jovem de outro grupo lhe tinha roubado a carteira. Acto contínuo puxou de uma faca e tentou barrar a fuga da carrinha onde seguiam os possíveis rivais. A carrinha arrastou o Tiago e atropelou-o mortalmente. Assim, sem mais nem menos, matam-se jovens por dá cá aquela palha que ainda nem sequer tiveram tempo de pensar no seu futuro. Os 'gangues' estão a organizar-se cada vez mais e a armar-se ainda melhor para o confronto que pode sempre acontecer ao virar da esquina.

Esta manhã, em conversa com um agente da autoridade sobre esta matéria, por incrível que pareça, respondeu-me: "Isto está o caos, de tal forma que tenho de andar sempre a pau que o meu filho não me roube a pistola"...

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