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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

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08
Jul09

Ontem o dia foi de emoções fortes lá em casa pois saíram as notas dos exames da Margarida e do Francisco, respectivamente do 12ª e 11º ano: perante os desfechos verificados admito que somos uma família privilegiada, na qual, com mais ou menos atritos e resistências, sempre se vai incutindo a importância do esforço e da vontade como única garantia de sucesso... para as disciplinas exactas

Uma coisa é certa: durante os últimos anos em que eles frequentaram o Ciclo e o Secundário do Estado, foi quase em desespero, contra tudo e contra todos, que nós clamámos esses valores. Inesperadamente contra a própria Escola, que a certo ponto mais nos parecia um asilo de marginais, um foco de vícios e de tantas outras impertinências.

Entretanto, a nossa pequena Carolina ainda no 1º ciclo (e que espero manter tantos anos quanto possíveis no ensino privado), que tinha como uma das brincadeiras predilectas passar horas de caneta e caderno em punho a “escrever histórias” e ilustra-las com desenhos e recortes, deixou-se disso para render-se ao Magalhães impingido pelo Ministério da Educação. Agora passa horas esgazeada a teclar jogos electrónicos. Salva-a “cruel marcação” de que é vítima dos pais. 

22
Jun09

Os portugueses dizem à boca cheia que a culpa do seu atávico conformismo e da sua proverbial mediocridade é da inveja (dos outros), sentimento que pelos vistos (os outros) são especialmente atreitos.
Ora, quanto mais ambicioso é um desempenho, maior será a “reacção” alheia (inveja) e essa coisa até poderá causar algum incómodo ou inquietação.
É assim que, como profilaxia ao conflito, o português prefere então não fazer nada: é usual escutarmos lamentos dos derrotados, vítimas da inveja. O fenómeno, que  actua nos portugueses como se de uma praga se tratasse, amputa-lhes pela raiz a quaisquer resquícios criatividade ou ambição. O sentido de responsabilidade é a cedência final da vítima, vencida pelos envenenados olhares dos seus colegas,  adversários ou concorrentes.
Sendo "a inveja", como "o ódio" ou "o amor", um inevitável sentimento humano, transversal a todas as raças ou credos, pergunto-me afinal como agem os indivíduos de outros povos mais bem sucedidos, onde a iniciativa, o empreendedorismo ou a excelência são propósitos vulgares e por tantas vezes compensadores? Presumo que o que os distingue de nós é o pragmatismo e a coragem com que se empenham nos seus projectos, em contraste com a nossa proverbial pieguice e... o nosso medo, o mais perverso dos sentimentos. O medo é que nos tolhe: afinal somos é uma cambada de medricas.

19
Jun09

De saída para o exame de físico-química, o meu miúdo adolescente acaba de aqui vir para se despedir (estou em casa doente), trajando uma exótica t shirt e um fato-de-banho comprido à surfista.  Espantado (convém na vida não perdermos esta extraordinária capacidade humana), interpelei-o sobre se aquela indumentária  não seria um pouco despropositada para o “acontecimento”, tendo o rapaz replicado que era normal e que dessa forma contrariava melhor o stress. Não que eu pense que ele devesse ir de gravata para o exame, mas sempre me parece que a nossa forma de vestir reflecte, não só o nosso estado d’alma, mas também a importância que damos às ocasiões. 
Perante a tácita anuência da mãe,  e não querendo eu perturbar o rapaz na sua “superstição” a poucos minutos da exigente prova, não insisti mais. Depois, a minha mulher explicou-me que já o tinha confrontado com o facto, e que ficara mais descansada ao tomar conhecimento que os colegas dele faziam o mesmo, alguns calçando chinelas de dedo. Enfim, o rapaz até se esforçou, e... quem sou eu para contrariar "o sistema”!
 

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