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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

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Estrada dos bravos, blog dos livres

15
Jan13

coisas daqui e dali


Sofia de Landerset

 "I'm not confused. I'm just well mixed." - Robert Frost 

 

1. Anda para aí tudo muito excitado porque o Mário Soares não foi para o Santa Maria. Eu acho muito bem. Não sei que mal fez o pessoal do Santa Maria.

 

2. Anda para aí tudo muito enervado porque as propinas das universidades públicas vão aumentar. Eu acho muito bem. Daqui a poucos anos, quando nos ligarem do call center da Optimus, podemos passar pilhas de tempo a conversar com meninos e meninas chiquérrimos.

 

3. Ainda andam para aí pessoas a desejar-nos "bom ano". Este ano, a coisa parece durar mais tempo. Por motivos óbvios.

 

4. O problema é o alho chinês. Quais agências de rating, quais mercados, quais troikas. O alho chinês é que nos anda a tramar. Milhões de euros!

 

5. A minha avó dizia que os homens deviam ser afogados no primeiro banho. Há notícias que dão razão à minha avó.

 

6. Não há cão nem gato que não se tenha transformado, subitamente, em perito na Constituição. Exige-se a inconstitucionalidade de tudo e mais alguma coisa, todos os dias pela fresquinha, à mesa dos cafés de Norte a Sul deste país. Eu acho muito bem. O futebol dava muita discussão.

19
Jun09

De saída para o exame de físico-química, o meu miúdo adolescente acaba de aqui vir para se despedir (estou em casa doente), trajando uma exótica t shirt e um fato-de-banho comprido à surfista.  Espantado (convém na vida não perdermos esta extraordinária capacidade humana), interpelei-o sobre se aquela indumentária  não seria um pouco despropositada para o “acontecimento”, tendo o rapaz replicado que era normal e que dessa forma contrariava melhor o stress. Não que eu pense que ele devesse ir de gravata para o exame, mas sempre me parece que a nossa forma de vestir reflecte, não só o nosso estado d’alma, mas também a importância que damos às ocasiões. 
Perante a tácita anuência da mãe,  e não querendo eu perturbar o rapaz na sua “superstição” a poucos minutos da exigente prova, não insisti mais. Depois, a minha mulher explicou-me que já o tinha confrontado com o facto, e que ficara mais descansada ao tomar conhecimento que os colegas dele faziam o mesmo, alguns calçando chinelas de dedo. Enfim, o rapaz até se esforçou, e... quem sou eu para contrariar "o sistema”!
 

09
Mar09

Nunca pensei escrever um tributo à boneca Barbie, mas aqui vai: esta esbelta personagem infantil que faz hoje 50 aninhos, numa primeira leitura representa para mim superficialidade e o consumismo, "valores" que me são particularmente antipáticos. Mas por causa da minha filhota que influenciada na escola se apaixonou precocemente pelo brinquedo, acabei por descobrir-lhe alguns méritos que nos dias que passam fazem a diferença. Enumero aqui dois: 1) Em todas as aventuras desta boneca, o valor preponderante é o da superação das dificuldades pelo esforço e empenho pessoal. 2) Os seus filmes animados ajudaram-me a introduzir a música clássica nos horizontes da minha filha: Tchaikovsky nos contos adaptados de "O Quebra Nozes" e do "O Lago dos Cisnes"; Beethoven  (Sexta Sinfonia) no filme "Pégaso Mágico", a Nona Sinfonia de Dvorak no filme "Rapunzel", trechos da Sinfonia Italiana e Sonho de uma Noite de Verão de Mendelssohn no filme "As Doze Princesas", e finalmente uma área da Flauta Mágica de Mozart que aparece em "Mermaidia". Estas são razões suficientes para eu conviver pacificamente lá em casa com um molho de Barbies quase sempre nuas, e muitas horas de desenhos animados de qualidade duvidosa.

03
Mar09

 

Certamente (bomdia, Paulo Querido) que estão fartos de ouvir falar no Simplex (não, não me refiro ao novo Estaline), o sistema que deveria servir para facilitar a vida às pessoas. Simplex na Função Pública ainda é uma miragem na maioria dos departamentos. Experimentem entrar nos Serviços de Estrangeiros e Fronteiras.

Ao receber uma senha das Finanças para que de uma forma 'simplex' pudesse enviar pela Internet todos os dados referentes ao IRS, logo pensei que desta vez é que deixaria de pagar a uma empresa de contabilidade para me tratar do assunto. Entusiasmo redobrado quando o Governo anunciou há dias que todos aqueles que tratassem do IRS pela Internet teriam o reembolso na sua conta bancária passado um mês. Sendo assim, entrei no site das Finanças, fui até ao IRS e... bem, aquilo é de tal forma complicado e confuso que desisti. Já vou de patins a caminho do escritório do contabilista...

09
Fev09

 

 

- Ó amigo, desculpe lá!

- Diga!

- Mas o que é que está a fazer?

- Tou aqui a ver se me entendo com esta geringonça...

- Mas você está a guiar e eu eu estou aqui no carro, percebe?

- Isto é uma ganda merda... os gajos não me ensinaram bem a mexer nesta merda...

- Oiça! Eu quero que pare o carro e fico aqui!

- Esta porcaria até fala, eu é que não sei ainda qual é o botão para isto funcionar...

- Está a ouvir-me?! Pare já!

- Deixe lá isso, vamos embora que já devemos estar perto. Sabe que este GPS é o último grito... eu falo para ele e o gajo leva-nos onde é preciso... nem preciso de saber os nomes das ruas...

- Mas você está a guiar e a distrair-se e isso é muito perigoso... não é por acaso que é proibido falar ao telefone, percebe?

- Percebo! Mas ainda não proibiram a gente de mexer no GPS...

02
Fev09

Hoje pela manhã à hora marcada acordei assustado pelo despertador que troava  notícias sobre a crise e o desemprego, a propósito do processo de falência fábrica Qimonda, cujo nome até lembra o de um animal selvagem, uma cobra gigante, sei lá!
Numa altura em que a crise económica desce das congeminações politicas e dos artigos de jornais para a vida das pessoas e das suas famílias, o medo, esse possante sentimento animal, ganha terreno no nosso quotidiano. Isso preocupa-me muito. O medo é uma afecção psicológica muito estranha, quase perversa: tanto nos salva da morte à beira do precipício como nos inibe de alguma redentora conquista. O medo é o principal inimigo da realização humana, e o maior adversário da liberdade individual.
O medo medra bem num contexto de crise como o presente, e é potenciado pelo deficit cultural e pela fraca auto estima duma pessoa ou dum povo. O medo liquida a democracia. E se o medo potencia a inércia e a omissão, também acciona a violência irracional. Concluindo, parece-me que esse terrível sentimento existe para ser racionalizado e superado: só desta forma é que as pessoas ou os povos alcançaram extraordinários objectivos.

Passado o tempo de reclamarmos pela liberdade formal e exterior, não será esta a altura de descobrirmos que ela se conquista essencialmente de dentro para fora de nós?

30
Jan09

 

 Em matéria de informação, continuo fiel consumidor de notícias em papel, apesar de lhes dedicar cada vez menos tempo, disperso que estou com a Internet e os blogues. Não falando de livros, coisa que daria outra crónica, lá em casa, entre a sala e os quartos, passando pelo WC até ao “ecoponto” instalado na cozinha, alastra constantemente uma assustadora praga de papéis. Ele é revistas de decoração e catálogos de moda, jornais desportivos, diários, semanários, encartes, suplementos e revistas, especializadas ou generalistas. Para bem da paz doméstica o fenómeno é aceite pelas partes, apenas requerendo alguma gestão, por forma a salvaguardarmos a estética e a liberdade de movimentos, também ameaçada pelos brinquedos dos mais pequenitos, que têm vida própria e se espalham pelos sítios mais incríveis - os brinquedos, entenda-se!
De resto o esquema está montado, foram-lhes instituídos prazos de validade: os gratuitos valem por uma viagem (nem lá chegam a entrar), os semanários morrem ao domingo à noite, os diários duram até à manhã seguinte, os desportivos caducam ao almoço e as revistas aguentam uma semana. Para mal dos meus pecados estão por definir os prazos de validade dos magazines de decoração e alguns sofisticados catálogos de que a minha extremosa patroa é fã. Estas publicações acabam invariavelmente por perdurar meses na sala a ofuscar os meus belos e majestosos livros de mesa de que tanto me orgulho. Enfim, unidos pelo gosto de ler, lá assumimos essas irresolúveis questiúnculas, sem as quais já não saberíamos viver.

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