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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

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A entrevista de António José Seguro: isenção proclamada e a ausência do Rei

José Aníbal Marinho Gomes, 25.10.25

Esta segunda-feira, António José Seguro concedeu uma longa entrevista à jornalista a Clara de Sousa. Foi uma conversa pausada, mais sóbria e menos emotiva do que as de outros candidatos, marcada pela tentativa constante de afirmar uma imagem de equilíbrio e de suprapartidarismo. Seguro quis apresentar-se como um homem acima dos partidos, um candidato de todos os portugueses, e não apenas do Partido Socialista de onde provém.

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Como monárquico, observo estas entrevistas com um distanciamento peculiar. Não voto nas presidenciais, pois considero que a figura de Chefe de Estado, em Portugal, não pode ser plenamente representada por um Presidente eleito, sujeito a campanhas, alianças e cálculos políticos. O verdadeiro Chefe de Estado é o Rei — símbolo da continuidade nacional e garante da unidade. Ainda assim, é sempre útil ver de que modo cada candidato entende o exercício do cargo, o peso da História e a sua relação com os símbolos do País.

A entrevista de António José Seguro revelou um candidato mais articulado do que Henrique Gouveia e Melo e mais ponderado do que Luís Marques Mendes. Mostrou domínio dos temas e serenidade institucional. Porém, do ponto de vista monárquico, há um vazio de fundo que não pode passar despercebido: nem uma única vez foi mencionada a monarquia, e Seguro não se antecipou ao silêncio da entrevistadora para o fazer. Logo no início, insistiu na sua isenção, afirmando que a sua candidatura é suprapartidária e que pretende ser o Presidente de todos os portugueses. A frase soa bem, mas é uma daquelas declarações que, ditas com convicção, escondem uma impossibilidade prática. A isenção plena não se proclama — encarna-se. E só o Rei a encarna verdadeiramente.

Um Presidente, por mais íntegro e bem-intencionado que seja, é produto do sistema eleitoral e dos partidos que o sustentam. Um Rei, pelo contrário, não deve a sua posição a ninguém, e é justamente por isso que pode representar todos. A neutralidade real não depende de votos nem de mandatos. É anterior à política, e por isso mesmo está acima dela. Ao contrário do que sucedeu nas entrevistas de Gouveia e Melo e de Marques Mendes — em que, ainda que apenas no final, foi tocada a questão monárquica —, Seguro deixou o tema completamente de fora. Clara de Sousa não o introduziu, e o candidato não aproveitou a oportunidade para o fazer. Poderia ter dito algo de tão simples quanto:

«Serei Presidente de todos os portugueses, dos monárquicos e dos republicanos.»

Mas não o fez.

Essa ausência é reveladora. Denota uma visão restrita da Chefia de Estado — limitada à função política e administrativa, sem sensibilidade para a dimensão simbólica da Nação. Um candidato verdadeiramente consciente da história portuguesa reconheceria que a monarquia continua a representar, para muitos, o arquétipo da imparcialidade e da continuidade do Estado. Ao omitir completamente esse universo, Seguro confirma-se como produto integral da república: um homem de instituições, mas sem ligação à raiz simbólica do poder.

No plano temático, a entrevista decorreu de modo previsível. Seguro falou sobre imigração, afirmando ser fundamental disciplinar a imigração para que o país cresça economicamente; abordou a aplicação da Constituição, sublinhando que não há portugueses de primeira nem de segunda e que não tenciona ser apenas um notário, prometendo fazer perguntas e exigências. Falou ainda da necessidade de reformas e de criação de riqueza — «não podemos andar a brincar aos governos» — e rematou com uma nota pessoal: «Podia ficar sentado no sofá a gozar a praia da Foz do Arelho ou as minhas vinhas em Penamacor, mas julgo poder dar um contributo ao país. Sinto-me uma pessoa abençoada.»

São declarações de alguém que procura equilíbrio e autoridade. Contudo, falta-lhes elevação. Tudo é dito no registo da gestão e da funcionalidade, sem transcendência. Fala-se da Constituição, mas não da História; da governação, mas não da Pátria. Nenhuma palavra sobre a ideia de Nação, sobre os símbolos que unem o povo para além da política. Um Rei, se falasse, não precisaria de prometer isenção — representá-la-ia naturalmente.

Comparado com outros candidatos, Seguro surge mais sereno e institucional. Gouveia e Melo revelou-se mais emocional e menos preparado; Marques Mendes, embora experiente, preferiu a prudência calculada, o discurso neutro, quase burocrático. Seguro, entre ambos, destaca-se pela coerência e pelo domínio da linguagem institucional. Mas, como todos, permanece prisioneiro da limitação republicana: pode desejar representar todos os portugueses, mas não consegue encarnar a neutralidade que só o Rei possui.

Convém recordar, a este propósito, que a monarquia não é uma recordação pitoresca, nem um capricho sentimental. É uma forma histórica de continuidade. Durante séculos, os Reis de Portugal foram a encarnação da unidade nacional e da estabilidade política. D. João IV restaurou a independência; D. Pedro V simbolizou a modernidade e o dever cívico; D. Carlos manteve o sentido de Estado num tempo de crise. Mesmo no exílio, a Casa Real continuou a representar uma ligação viva entre o passado e o futuro do País.

A república, pelo contrário, substituiu a legitimidade histórica por uma legitimidade eleitoral, sempre efémera e sujeita à erosão dos partidos. O Rei não é eleito, não governa, não precisa de agradar — representa. A sua autoridade não vem de uma maioria momentânea, mas da própria continuidade da Nação. Seguro, que gosta de falar em isenção, poderia ter reconhecido esta diferença simbólica, sem pôr em causa o regime. Bastar-lhe-ia ter admitido que a Chefia de Estado deve ser de todos — inclusive dos monárquicos. Não o fez. E o seu silêncio não é inocente: revela a incapacidade da república em reconhecer a dimensão espiritual e histórica da Nação que pretende representar.

As entrevistas desta campanha têm mostrado, uma vez mais, a fragilidade da concepção republicana do poder. O Presidente é, inevitavelmente, um homem do seu tempo, das suas alianças, dos seus compromissos. A figura do Rei, ao contrário, é a permanência da Pátria no tempo. Representa a continuidade que nenhum sufrágio pode garantir. Seguro fala de neutralidade, mas a sua neutralidade é prometida, não vivida. A do Rei é natural e silenciosa, porque não precisa de se justificar. É a neutralidade que vem da linhagem, da tradição e do dever. É, em suma, o contrário da política.

A entrevista de António José Seguro foi sólida, ponderada e tecnicamente competente. Mas, vista de uma perspectiva monárquica, ficou aquém da verdadeira ideia de Chefia de Estado. Faltou-lhe verticalidade, consciência histórica e sentido simbólico. Falou-se de Portugal, mas não da Nação; falou-se de governo, mas não de realeza. Seguro esteve bem enquanto candidato — mas o trono da imparcialidade continua vazio.

O 5 de Outubro que a República Silenciou!

José Aníbal Marinho Gomes, 07.10.25

Nas suas declarações de 5 de Outubro, António José Seguro exaltou a República como “um compromisso com uma vida digna para todos”. Mas esqueceu que o verdadeiro 5 de Outubro marca a fundação do Reino de Portugal.

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“5 de Outubro de 1143 — o verdadeiro nascimento de Portugal.”

António José Seguro afirmou neste 5 de Outubro que “a República é um compromisso com uma vida digna para todos os portugueses”. Uma frase que soa nobre, mas que rapidamente se desfaz quando confrontada com a realidade que o próprio descreve: urgências hospitalares encerradas, habitação inacessível, salários insuficientes, pobreza crescente e jovens forçados a emigrar. Seguro utiliza a efeméride republicana para reforçar um discurso moralista e retórico, sem nunca apresentar soluções concretas para estes problemas, transformando as suas palavras em mera propaganda de ocasião.

Mais grave ainda é o esquecimento histórico que acompanha estas declarações. O 5 de Outubro não é apenas a data de 1910; é também, e muito mais profundamente, o 5 de Outubro de 1143, dia em que Portugal nasceu como Reino independente, com D. Afonso Henriques reconhecido como Rei no Tratado de Zamora. Essa é a verdadeira fundação da Pátria, o acto que nos deu nome, fronteiras e destino. Ignorar esta data é esquecer as nossas raízes, e celebrar apenas a implantação da República equivale a glorificar a ruptura e a instabilidade.

As palavras de Seguro, embora bem-intencionadas, confirmam involuntariamente o fracasso do próprio regime que defende. Passados mais de cem anos, os problemas que ele denuncia continuam sem solução estrutural. A República prometeu dignidade, justiça e igualdade, mas a realidade demonstra um país marcado por desigualdades, decisões de curto prazo, ciclos eleitorais efémeros e uma gestão frequentemente ineficaz. O discurso de Seguro evidencia a distância entre as promessas do regime e os resultados práticos que dele decorrem.

Enquanto isso, o verdadeiro 5 de Outubro — o de 1143 — permanece silencioso. Foi nesse dia que se consolidou a soberania portuguesa e se iniciou uma longa tradição de estabilidade, serviço à Pátria e continuidade institucional. A Monarquia, que a República derrubou, ofereceu durante séculos segurança e moderação, mantendo a unidade do país mesmo perante desafios internos e externos. A República, ao contrário, substituiu essa continuidade por rupturas, crises e instabilidade. Celebrar apenas 1910 é esquecer a história, e um povo que apaga as suas raízes perde o rumo.

Fala-se de “compromisso com a vida digna”, mas como pode haver dignidade num país que renega o seu próprio nascimento? Que celebra a queda de um Rei legítimo e ignora o acto fundador do Reino? António José Seguro apela à esperança na República, mas essa esperança não se sustenta apenas com palavras; exige responsabilidade, visão e resultados — qualidades que o regime republicano historicamente tem falhado em assegurar.

O 5 de Outubro de 1143 foi o princípio de tudo: a independência, a identidade e a continuidade portuguesa. O 5 de Outubro de 1910 foi apenas o início de uma era de incertezas, de crises e de desorientação moral. Se queremos realmente dignidade, justiça e estabilidade, Portugal precisa de reencontrar-se com o seu Reino — com aquilo que o fez nascer, durar e resistir durante séculos. Celebrar apenas a República é celebrar a divisão; recordar a fundação do Reino é celebrar a Pátria. E é essa memória que, há séculos, a República tem silenciado.

 

 

Teoria da Conspiração: A demissão de Paulo Portas!

José Aníbal Marinho Gomes, 03.07.13

Será que a reunião do Clube de Bilderberg, realizada entre os dias 6 e 8 de Junho de 2013 no The Grove Hotel, em Hertfordshire, Inglaterra, está relacionada com a demissão de Paulo Portas? 

Antes de mais vejamos a Lista dos Participantes de Portugal na reunião do Clube de Bilderberg e os motivos pelos quais as duas novas caras portuguesas deste ano devem ter sido convidadas:

Francisco José Pereira Pinto Balsemão, Licenciado em Direito, Ex-Primeiro Ministro, Membro Fundador do PSD, condecorado com várias ordens militares, CEO do grupo Impresa, dono da SIC, Jornal Expresso, revista Visão, etc., membro permanente nas conferências Bilderberg. É ele quem escolhe os outros convidados Portugueses, à excepção do actual Presidente da Comissão Europeia.

José Manuel Durão Barroso (Presidente da Comissão Europeia, Ex-Primeiro Ministro de Portugal, condecorado com várias ordens militares.

Paulo de Sacadura Cabral Portas, Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Líder do CDP/PP, jurista, jornalista, etc.

António José Martins Seguro, Líder do Partido Socialista, Ex-Ministro Adjunto do Primeiro-Ministro no XIV Governo Constitucional, licenciado em Relações Internacionais, etc.

Em anteriores conferências Bilderberg, participaram alguns políticos que depois vieram a ser confirmados como líderes de governo. Santana Lopes e Sócrates tornaram-se primeiros-ministros depois de irem a este encontro. Assim entendemos a presença de António José Seguro, já que esta conferência serve de baptismo para os novos líderes.

No que toca à presença de Paulo Portas, a escolha parece-me óbvia, se por um lado ele é líder de um partido e representa a continuidade do actual governo em funções, uma vez que o CDS é (era) o pilar do mesmo, no caso de uma queda do governo e de uma vitória do Partido Socialista sem maioria absoluta e sem entendimento à esquerda, o CDS, e Paulo Portas em particular, como líder deste partido representará também um pilar de sustentabilidade do novo governo socialista.

Será que este grupo de “elite” mundial, mas que elite..., que se encontra anualmente em segredo, qual “sociedade secreta”, é que decide quem são os novos líderes nos vários países?

«O que ocorre no Mundo não acontece por acidente: existem os que se encarregam para que ocorra. A maio­ria das questões nacionais ou relativas ao comércio estão estreita­mente dirigidas pelos que detêm o dinheiro», quem o afirmou foi Denis Winston Healy, Baron Healey de Riddlesden, político Trabalhista britânico e ex-ministro da Defesa.

Também não podemos esquecer que desde o início da coligação, o Primeiro–Ministro Pedro Passos Coelho, tratava o CDS tendo em conta apenas o seu resultado eleitoral, esquecendo-se que numa coligação, um partido ainda que minoritário, vale sempre mais do que o resultado eleitoral obtido e nunca é dispensável.

Vejamos agora se o Presidente da República acorda definitivamente e faz aquilo que lhe compete...

Inseguro quanto a Seguro

JFD, 29.04.13

Quem por aqui passa e quem me conhece sabe que tenho feito aguerridas críticas ao governo de Vitor Gaspar. Felizmente, o capitalismo e a bancocracia ainda nos permitem o uso livre da palavra. Mas as manhas de cólera quanto ao governo e quanto aos rumos da Europa não se ficam por tais margens. Há em mim um desconforto quanto à Esquerda onde voto. Enquanto o PCP vai alterando o seu rumo, felizmente, tornando-se num partido democrático em processo, o BE está ainda a definir que modelo de sociedade deseja. Resta-nos, inevitavalmente, o PS, uma espécie de "do mal o menos". 

Tive alguma atenção ao Congresso Socialista e, claro, tenho ouvido e lido António José Seguro pela imprensa a fora. Não gosto do seu jeito de fazer política. Há nele um discurso populista e de pré-campanha permanente, apresentando-se como alguém que deseja assaltar o poder a qualquer custo mas que não perdeu ainda tempo a pensar o que fará quando lá chegar. AJS faz-me lembrar um treinador de futebol cujo sonho é treinar o Real Madrid ou Manchester United, por exemplo, e que passou tanto tempo a anunciar-se como candidato ao lugar que se esqueceu de preparar o dossier de gestão do plantel: não sabe quem contratar, que modelo de jogo imprimir, que estratégia de mercado terá, etc.

É por isso que AJS é um dos grandes responsáveis pela continuação de Gaspar-Coelho no poder. Ninguém o leva a sério, ninguém sabe o que ele pretender fazer, só se sabe que quer ser primeiro-ministro. 

 

[também ali]