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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

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26
Mai14

não vale a pena


Sofia de Landerset

 

Tudo está já dito e escrito sobre as eleições de ontem, por analistas e comentadores cuja ciência, sabedoria e pertinência em muito ultrapassam o meu insignificante contributo.

Quem ganhou, quem perdeu, quem sai, quem entra, o futuro, o próximo e o menos próximo, o voto bom, mau, e o vilão - sempre a abstenção, este.

Zangam-se, certamente com razão, mas com uma raiva espumante, com quem ontem não foi votar.

Que agora calem e comam, que não se queixem, que é uma vergonha, uma desonra, uma falta de respeito por quem lutou para que pudéssemos votar.

Os mortos! os mortos pela causa da liberdade de voto.

Que o voto devia ser obrigatório, e estou mesmo a ver os suspeitos do costume, esfregando as mãos na antecipação de mais uma catrefada de multas, e é se não forem uns quantos abstencionistas empedernidos parar à prisão, reincidentes no crime da indiferença.

Devo dizer com clareza que não apoio a abstenção, mas talvez fosse mais útil para todos retirar lições daquilo que está a acontecer. 

Claro que é mais fácil criar uma obrigação do que prevenir. Prevenir dá trabalho, mudar dá trabalho, melhorar então dá uma trabalheira que só de pensar nisso já estamos exaustos.

Mas basta andar na rua de olhos e ouvidos bem abertos (bem sei que andar na rua é coisa de pobre, não é exercício praticado pelos iluminados que nos governam, que nos comentam e que nos chamam nomes por não irmos votar) para perceber porque é que tanta gente já não vota.

O povo sente-se impotente e deixou de ter esperança. 

É tão simples e tão triste como isto.

Impotente porque vote em quem votar, o resultado é infalivelmente o mesmo. Sem esperança porque o resultado da revolução que fez, há 40 anos, pleno da dita esperança, deu no que deu: voltou a pobreza, a imigração, o desalento.

Não valeu a pena então, não vale a pena agora.

O povo resigna-se, e por mais que espumem os iluminados lá no topo, o povo já não quer votar, já não quer lutar, já não quer saber.

O povo virou-vos as costas.

Mas podem sempre proibir isso, também.

 

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