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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

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em desacordo

Sofia de Landerset, 14.05.15

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Já se escreveu tudo sobre o acordo ortográfico. 

Doutores e professores e toda a sorte de peritos disse tudo o que havia a dizer.

De modo que a mim, já só me resta ser prática, dado que a teoria está esgotada.

Sempre me orgulhei de escrever bem. Tento escrever sem erros em qualquer uma das línguas que falo. E vivo atormentada com os erros dos outros. Os erros parecem-me saltar dos textos, em destaque. Olho de relance para uma frase e a única coisa que leio é aquela palavra que está mal escrita.

Isto parece interessante mas não é. 

Num mundo onde o erro ortográfico se tornou banal - nos meios de comunicação social, na publicidade, nas comunicações profissionais e pessoais -, viver assim é uma chatice. Há erros por todo o lado. As pessoas escrevem pessimamente.

O acordo ortográfico, na prática, é irrelevante.

As pessoas já escrevem conforme lhes apetece ("percebe-se perfeitamente o que eu queria dizer!"), portanto mais acordo, menos acordo, os erros vieram para ficar e ninguém quer saber se está bem ou mal escrito. Assim como assim, vai acabar tudo em siglas, abreviaturas com muitos 'k' e o resto das palavras truncadas até ficarem irreconhecíveis, excepto para quem tem menos de 18 anos e vive nesse novo código que deve dar origem ao próximo acordo ortográfico.

Quem defende que a língua portuguesa é uma língua viva e em evolução, está coberto de razão. É mesmo muito viva.

(vivaça ao ponto de os enunciados dos testes do meu filho, na 4ª classe, conterem erros ortográficos, mas "oh mãe, não digas nada, senão é pior")

A língua portuguesa é de uma vivacidade perfeitamente incontrolável. Não há acordo que a prenda.