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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

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17
Nov15

bleu blanc rouge

Sofia de Landerset

flag.jpg

 

Ainda mal compreendíamos o que se passara em Paris, e já o facebook se enchia de imagens que reflectiam a solidariedade com as vítimas do massacre.

Bandeiras francesas, símbolos da paz com a Torre Eiffel, uma Marianne em lágrimas. Muitos escolheram tingir as suas fotos de perfil em bleu-blanc-rouge.

E tão célere quanto a reacção de solidariedade foi o apontar dos dedos da brigada do politicamente correcto.

“Porque valem menos os mortos de Beirute?” ou “morrem todos os dias inocentes na Síria mas o Ocidente não se comove” são os exemplos mais suaves das acusações de hipocrisia, humanismo selectivo e ignorância mais ou menos deliberada de todos os males do mundo.

A discussão sobre esta alegada solidariedade de sofá tem ocupado, nos últimos dias, tanto espaço nas redes sociais que quase ofusca o facto de mais de 130 seres humanos terem sido barbaramente assassinados, num ataque à nossa liberdade.

Já o havíamos visto aquando dos crimes perpetrados contra os jornalistas do Charlie Hebdo, e este verão, quando tantas fotos de perfil se coloriram com as cores do arco-íris, numa expressão de alegria pela legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo nos EUA.

Quer expressemos dor, quer alegria, há-de haver sempre alguém que, em vez de discutir o tema em causa, vem discutir a forma como nos expressamos, tentando fazer-nos sentir culpados por apoiarmos isto e não aquilo, por lamentarmos este incidente e não aquele. Não é sequer raro sermos ridicularizados por supostamente estarmos a ser alvo de uma manipulação qualquer vinda de uma organização tão sinistra quanto misteriosa.

E no entanto, parece-me perfeitamente humano que um empregado de mesa em Coimbra ou uma cabeleireira em Évora se sintam mais próximos dos mortos de Paris do que dos mortos em Beirute. Isso não retira valor nem diminui o horror dos mortos em Beirute: significa apenas que nos identificamos mais com quem nos está mais próximo. Pode ser injusto e imperfeito, mas é mesmo assim. 

Deixem-nos colorir as nossas fotos de perfil com as cores que desejarmos. Deixem-nos expressar os nossos sentimentos da forma que quisermos, quando quisermos. E deixem de tentar fazer-nos sentir culpados por isso.

Prefiro mil vezes ver um mar de bandeiras francesas no meu mural do que os vossos dedos em riste disparando balas de superioridade moral e intelectual.

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