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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

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24
Abr15

“Afinal quem fala hoje do extermínio dos arménios?” (1)

José Aníbal Marinho Gomes

Infelizmente o séc. XX assistiu a vários crimes contra a Humanidade, sendo considerado por alguns historiadores como o primeiro genocídio do século, entre 1904 e 1907, o dos povos hererós e namaquas, que se revoltaram contra a colonização alemã, durante a partilha de África, no Sudoeste Africano Alemão, onde actualmente se localiza a Namíbia, e que se caracterizou pela morte por inanição e o envenenamento de poços, dos hererós e namaquas no deserto da Namíbia, pelos alemães. 

namibia.jpgOs hererós foram enviados para campos de concentração e mortos, estimando-se o seu número em cerca de 65 mil, à volta de 80% da população. Quanto aos Namaquas estima-se que tenham sido mortos cerca de 10 mil.

Outros consideram o Genocídio Arménio como o primeiro genocídio do séc. XX.

O dia 24 de Abril de 1915, sábado de aleluia − Dia da Memória do Genocídio − é o dia usualmente aceite que marca o início do massacre de cerca de um milhão e meio de Arménios que viviam no Império Otomano. Este bárbaro acto coincidiu com desembarques das tropas aliadas em Gallipoli.

execuções.jpg

Em plena comemoração da Páscoa cristã, na noite de 24 de Abril de 1915 para o dia 25 − o Domingo vermelho − foram aprisionados em Constantinopla na prisão de Mehder-Hané, onde acabaram por ser sumariamente executados (fuzilados, enforcados em praça pública, etc.) mais de seiscentos arménios (intelectuais, políticos, escritores, religiosos etc.), sob a acusação de conspiração e traição. Noutras localidades seguiu-se o mesmo, tendo os arménios sido levados à força para o interior do país onde foram barbaramente assassinados. 

images.jpg

Após a aniquilação de centenas de dirigentes arménios, inicia-se a deportação massiva e o massacre do povo arménio. Este genocídio é considerado o mais grave crime contra a humanidade durante a Primeira Guerra Mundial.

A morte e deportação forçada de milhares de arménios fazia parte de um plano de exterminação cultural, económica e familiar, durante o governo dos chamados “Jovens Turcos”, de 1915 a 1917.

transferir.jpgMilhares de mulheres e crianças que se concentravam em vários campos de concentração foram queimados, outros embarcados à força e deitados ao mar; várias crianças foram mortas com injecções de morfina, outras por gás tóxico, etc.. os padres eram queimados amarrados em cruzes, como Jesus Cristo.

O governo turco alegava que os arménios precisavam de deixar as suas casas devido ao avanço das tropas aliadas, organizando verdadeiras caravanas de morte, considerando posteriormente que estes abandonaram as suas propriedades, pelo que todos os seus bens, gado e casas foram confiscados.

Existiram cerca de 25 grandes campos de extermínio, situados sobretudo perto das actuais fronteiras entre a Turquia, a Síria e o Iraque.

arm.jpg

Numa cerimónia celebrada na presença de restos mortais de vítimas deste hediondo crime, reunidas num único ossário, que a partir de agora passará a ser um local de culto e peregrinação, a Igreja Apostólica Arménia, proclamou ontem mártires um milhão e meio de arménios, vítimas deste genocídio cometido há um século pelo Império Otomano.

Para memória futura convém não esquecer outros genocídios que ocorreram no séc. XX.

 - O dos assírios pelo Império Otomano (1915), com uma estimativa 500 a 750 mil de mortos.

 - De ucranianos (Holodomor) pela União Soviética (1932-1933), com 2,6 a 10 milhões de mortos devido à fome.

- Dos judeus na Alemanha durante a II Guerra Mundial (1939-1945), onde foram mortos cerca de 6 milhões de judeus.

- Das minorias no Camboja (1975-1979), onde cerca de 25% da população, cerca de dois milhões de pessoas, foi morta pelo regime do Khmer Vermelho, liderado por Pol Pot.

- De minorias em Kosovo (1997-1999), com cerca de 300 mil mortos.

- De tutsis no Ruanda (1994) onde foram mortas aproximadamente 800 mil pessoas.

- De minorias no Sudão (2003) que se mantém ainda nos nossos dias, com um balanço de 400 mil mortos.

Nos nossos dias, em pleno século XXI, está à vista um novo genocídio: milhares de cristãos, são martirizados em vários países entre os quais se destacam o Iraque, Síria, Sudão e Paquistão.

Antes da queda do regime de Sadam Hussein, existiam no Iraque cerca de 3 milhões de cristãos, mas actualmente o número não deve chegar a 400 mil, em virtude da feroz perseguição dos grupos radicais islâmicos, principalmente o denominado estado islâmico − Igrejas Cristãs são demolidas.

crstãos perseguidos.jpgOs Cristãos são obrigados a converterem-se ao islamismo ou a abandonarem as suas terras, sob pena de serem barbaramente assassinados. Só no Líbano e no Iraque há cerca de 4 milhões de refugiados.

A International Society for Human Rights, uma ONG sediada em Frankfurt, Alemanha, considera que 80% da discriminação religiosa que actualmente acontece no mundo é contra os cristãos.

É um facto, a comunidade internacional silencia o genocídio no Médio Oriente, pelo que é nosso dever e obrigação não esquecer estes mártires do séc XXI.

A comunidade internacional não pode fechar os olhos!

 

(1) Frase atribuída a Hitler, nas vésperas da invasão da Polónia, em 1939.

 

 

 

 

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