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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

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Estrada dos bravos, blog dos livres

Será a economia, estúpido?

José Mendonça da Cruz, 26.01.09

Em frente, sem tibiezas e

com muita determinação.

 

Visto que o ministro das Finanças tem os olhos postos nas estrelas, como no Sábado disse a um convénio socialista, e visto que o primeiro-ministro acredita que uma inclinação mais risonha produz postos de trabalho, a razão do optimismo económico a que ontem nos admoestou há-de estar na obra meritória que este governo vinha fazendo, ao menos até a crise internacional o tolher.

Recapitulemos brevemente:

- Portugal é e era desde antes da crise o país dos 27 da UE que, tirando a Letónia, tem o maior fosso de rendimentos  entre os 20% de nacionais mais ricos e os 20% mais pobres, e a situação vem-se agravando desde 2005;

- a taxa de desemprego ultrapassou a média da UE em 2006, estando perto dos 8% e prevendo-se que aumente este ano para próximo dos 9%, não melhorando em 2010;

- o rendimento per capita português (corrigido em termos de paridade de poder de compra) era de 84,2% da média da UE a 27 em 1999, era de 72,8% em 2008 e continua a cair. Fomos ultrapassados por Malta e Eslovénia em 2003, pela República Checa em 2004, pela Estónia em 2008. Somos 20º de 27 países e continuamos a cair. Segundo a Comissão Europeia a nossa recessão será a pior e mais longa. A nossa economia contrairá 2%  este ano e 0,1% em 2010. 

- a carga fiscal sobre os portugueses está acima da média da UE e muito acima dos 12 países que aderiram em 2004 e 2007 - e são os nossos principais concorrentes na atracção de investimento externo. Entre 2004 e 2008, o nosso Produto cresceu 30 mil milhões de euros, enquanto a despesa cresceu 17 mil milhões, ou seja, por cada 100 de riqueza mais que criámos, o Estado foi buscar 54 mais.

- o défice público foi reduzido para 2,2% em 2008, à custa da subida de todos os 9 impostos, enquanto o investimento caía e a despesa corrente do Estado continuou a subir (era de 39,3% do PIB em 2004, é de 40,2% este mês, e agrava-se). O défice será de 4,9% este ano e pouco menos em 2010. Será ainda pior se Sócrates/Lino persistirem nos grandes investimentos públicos.

- o endividamento externo líquido (a diferença entre o que nos devem e aquilo que Estado, empresas, bancos, e privados devem ao estrangeiro) agrava-se ao ritmo de 2 milhões de euros por hora, 48  milhões/dia, ultrapassando já os 400 mil milhões de euros. Dois anos de toda a produção de riqueza em Portugal não chegam para pagar dívidas e juros.

- e de juros vamos pagar mais, se arranjarmos quem nos empreste. É o que resulta de não sermos de confiança, e de as reformas não avançarem, como a agência de rating Standard&Poor advertiu primeiro, e depois anunciou.

Este é o cadastro deste governo. Antes da crise e depois.

Bem ... Eu sei que o optimismo já gerou grandes tragédias - que seria do nazismo e do comunismo sem utopias e optimistas para as realizar? E sei que alguns confundem optimismo com inconsciência gravosa. Mas no caso do primeiro-ministro há-de haver razões inteligentes, e virtuosas, e sólidas, e fundas. Quais serão?

É só a ruína, animem-se!

José Mendonça da Cruz, 26.01.09

A carga da brigada ligeira - com optimismo, galopar, galopar.

 

Ontem, com a costumada determinação, sem tibiezas, o primeiro-ministro José Sócrates arrasou o pessimismo, «que nunca criou um emprego».

À saída - porque os seus discursos albergam e esgotam a verdade - não respondeu a perguntas. Mas foi pena. Poderia talvez ter satisfeito a curiosidade em que ardo de confirmar se considera os Portugueses estúpidos ou, em alternativa, relembrar-me as razões de optimismo que têm.

Jamé sabe tudo

João Eduardo Severino, 25.01.09

Afinal, o caso Freeport está mais que resolvido. O ministro Mário (Jamé) Lino sabe tudo sobre o assunto. Hoje, foi o enviado-especial para esclarecer a plebe. Jamé afirmou que se trata de "motivos políticos" e de "perseguição pessoal" a José Socrates. O senhor Jamé sabe tudo, inclusivamente que as "fugas de informação" é que foram as culpadas de toda a investida contra o primeiro-ministro. E anda por aí o Paulo Teixeira Pinto preocupado com a Causa Real e a divulgação dos valores monárquicos, quando já temos a Monarquia implantada. Pelo menos, temos bobo da corte...

O que ela quer sei eu!

João Távora, 23.01.09

A cronista do regimento está preocupada com o silêncio generalizado à volta da moção ao congresso de Sócrates sobre o casamento dos homossexuais. E manda o recado, provocador e veemente aqui. Pois a mim parece-me que, dos partidos aos movimentos cívicos, passando pela blogosfera “excitada” (na qual eu me incluo), já toda a gente proclamou copiosamente as suas opiniões. Foi há bem pouco tempo, há três meses, se bem se lembra a D. Fernanda, aquando da votação dos projectos de lei do Partido Comunista e do Bloco de Esquerda, aquelas que o partido do seu Sócrates rejeitou. De resto, a Senhora jornalista terá que admitir que para as pessoas normais, (sim, normais!) é uma canseira andar-se constantemente a discutir as mesmas coisas, nomeadamente as suas causas e manias, sejam elas fracturantes, sejam elas de consciência ou de falta dela. Não seria um acto de puro patriotismo, um serviço à comunidade, se se promovesse um voto de silêncio sobre o assunto até à próxima legislatura? É que até lá, centenas de milhares de portugueses responsáveis estarão mais preocupados em saber como conservar os seus empregos ou as suas empresas. Até chegar o diploma da senhora Câncio à Assembleia, os portugueses viverão oprimidos e estrangulados pelos impostos dum Estado monstruoso e insaciável. Suspeito que por causa disso, a notícia, a agenda, a breve trecho irá falar de sobrevivência...  das pessoas e do regime, continuamente incapaz de se reformar, de se regenerar.

Crisis what Crises?

João Távora, 19.01.09

Num país em que quase 50% do PIB depende directa ou indirectamente do  Estado benemérito, Sócrates rejubila com o dealbar da crise internacional a um ano do final da legislatura. Governar para "curto prazo" com as reformas na gaveta é o sonho de qualquer demagogo. A viabilização do país, essa, ficará adiada uma vez mais.

 

Titulo e imagem roubados de um disco da banda pop Supertramp

Só acredita quem quer...

João Távora, 13.01.09

Segundo o Jornal de Negócios, o Ministério das Obras Públicas solicitou às empresas e organismos por si tutelados actualização permanente sobre todos os eventos públicos previstos para este ano tais como “inaugurações, lançamentos de obras, adjudicações de contratos, apresentação de projectos à comunicação social, etc”. O ministério no entanto refuta o uso politico (leia-se “para propaganda”) dessa informação.

Já estou na bicha

João Eduardo Severino, 06.01.09

 

 

 

O cidadão José Sócrates impressiona-me. Deixa-me extasiado a analisar como é possível existir um ser humano tão semelhante ao camaleão. Da maravilha ao abismo, da estabilidade à recessão, da crise internacional à crise nacional, da irresponsabilidade à realidade, tudo muda neste homem num ápice. Ontem, encomendou mais uma entrevista, e na sequência dos dislates proferidos, já fui esta manhã para a bicha na porta do palácio de S. Bento. Ele anuncia apoios à banca, ao sector automóvel, ao sector mineiro, à agricultura, aos transportes, à indústria, ao comércio, às médias e pequenas empresas, às famílias da classe média e da média-baixa, subsídios aos idosos, remunerações às pessoas em carência, o melhor dos mundos. Já cá estou na bicha, mas o problema é que ninguém abre o portão...