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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

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Estrada dos bravos, blog dos livres

19
Jun09

Escrevi  aqui há uns tempos um post sobre o CDS que foi visto por várias pessoas, entre as quais o nosso João Távora, como um pedido para a extinção do partido. Como estávamos em campanha para as europeias, com os ânimos quentes, não quis voltar ao assunto para não ser mal interpretado. Mas agora, tanto mais que o CDS já festejou a sua sobrevivência perante as sondagens e confirmou a sua posição como quinto partido português e último entre os que têm presença no Parlamento, esclareço que acho que ninguém, a não ser os seus militantes, tem direito de pedir a extinção de um partido, seja ele qual for, e eu próprio reajo mal quando vejo alguém que não é do PSD andar a dar sentenças sobre a sua vida interna.

Porém, reafirmo que considero um desperdício ver os bons quadros que o CDS tem andarem a gastar tempo e energia a tentarem distinguir-se do PSD, em nome de uma pureza ideológica que não possuem. É verdade que o CDS está mais próximo das posições da ortodoxia católica e que o PSD é mais "a César o que é de César e a Deus o que é de Deus", mas não me parece que os sociais-democratas sejam propriamente anti-clericais...

Ou seja, acho que o CDS e o PSD deveriam formar um só partido. Aliás, pertencem já à mesma família ideológica europeia, o PPE. Acho até que, mesmo que o PSD ganhasse as próximas legislativas por maioria absoluta (numa hipótese que não se vislumbra), deveria chamar o CDS, ou pelo menos alguns dos seus quadros, para o Governo. Eu sei que há muita gente no PSD que considera vantajoso ter um partido mais à direita, deixando os eleitores do "centro" ou mesmo do "centro esquerda" mais propensos a votar laranja, ou que o CDS capta certos votos "marginais" ao sistema de gente que considera os sociais-democratas perigosos esquerdistas, etc. Mas eu troco todas essas teorias por ter mais gente de qualidade num partido com acesso ao poder.

Para mim, os partidos são instrumentais, não são "espaços de afecto". O que interessa é que haja gente competente e séria para exercer o poder. Ver que o grande objectivo do CDS para as próximas legislativas é atingir os dois dígitos e derrotar as sondagens mais uma vez, parece-me pouco. Mas se já resolveram a questão da equidistância em relação ao PS e querem voltar ao Governo numa coligação com o PSD, porque não assumir de uma vez por todas que há muito mais a unir do que a dividir?

19
Mai09

Gostei muito de ter ido ao Café Nicola ontem à noite. Não só pelo grande nível com que Paulo Rangel respondeu a perguntas e esclareceu as suas posições sobre a Europa e o País, mas também porque melhorou muito a minha opinião sobre os bloggers. De facto, ia com algum receio de encontrar aquela sobranceria e auto-suficiência analítica que muitas vezes encontramos na blogosfera, mas, fora um caso ou outro, ninguém se pôs com grandes declarações a mostrar como é arguto e honesto (como muitas vezes fazem para se distinguir dos “políticos”), colocando antes perguntas sucintas e objectivas, que permitiram respostas igualmente concisas e proveitosas.
Se a a minha opinião sobre Paulo Rangel já era extremamente positiva, ao vê-lo falar assim informalmente, sem recorrer a chavões nem procurar agradar à plateia, fiquei ainda mais convencido de que ele é um dos melhores políticos que surgiram nos últimos anos. Também aqui tenho que confessar que ia com algum receio de que Rangel repetisse os argumentos que tem utilizado nos debates televisivos, não porque não esteja de acordo com eles, mas sim por temer a monotonia. Mas, felizmente, e também porque a plateia ajudou, abordaram-se outros temas.
A prioridade a dar aos países balcânicos em caso de alargamento (mesmo aqueles como  a Albânia e a Bósnia, com grandes comunidades muçulmanas), os cuidados em relação à Turquia, a regulamentação como condição para um livre comércio eficaz, a defesa da construção europeia perante os eurocépticos (quem é que quer voltar a ter fronteiras ou mesmo moedas nacionais? perguntava Rangel), a validade do modelo social europeu na protecção aos desempregados, aos velhos, aos doentes e aos inválidos, a mudança da política agrícola, com a necessidade (sobretudo depois da crise alimentar do ano passado) da constituição de reservas alimentares de segurança, mesmo que não sejam competitivas a nível global, a aplicação dos fundos comunitários em Portugal, com as diferenças “pragmáticas” em relação ao PS, foram alguns dos assuntos que mais me interessaram e que cito de memória.
Como não podia deixar de ser, até porque o tema é caro à blogosfera e permite ataques aos dois partidos do “centrão” (um destes dias vou escrever um post a explicar que, na minha opinião, isso é algo que não existe em Portugal), falou-se bastante da Constituição Europeia e do Tratado de Lisboa e de o referendo prometido não se ter realizado. Foi aqui que admirei mais Paulo Rangel, por defender a legitimidade da democracia representativa (se essa questão é tão importante para vocês, não votem nos partidos que “traíram” a promessa do referendo, afirmou), pelas desconfianças em relação às vantagens dos referendos a questões mais complexas (e lembrou o que são as taxas de abstenção nesses casos…), pela coragem em não querer ser “popular” dizendo o que a plateia, creio que maioritariamente, gostaria de ouvir. Defendeu até que o jargão em Portugal é eurocéptico (e, a meu ver, bastante banal) e não pró-europeu, esquecendo as vantagens que a integração europeia nos trouxe e sem coragem de assumir a ruptura com Bruxelas…
Enfim, isto já vai longo, e há blogues (O Insurgente, Papa Myzena, ABC do PPM pelo menos) que transmitiram o debate, para quem quiser ver na totalidade. Foram duas horas muito bem passadas e saí de lá mais federalista do que entrei, porque fiquei a saber que Paulo Rangel também o é (tenho que ler o seu livro O estado do Estado) e tem de certeza melhores argumentos do que eu para o defender. Para mim, é mais o gostar da ideia supra-nacional, de uma certa rejeição do nacionalismo-tribalismo que me ficou dos tempos de trotskista e, sobretudo, de verificar que, desde 1910, com um ou outro período excepcional, os portugueses têm mostrado uma vocação suicida ao escolherem os melhores governantes para conduzir o País para abismo. Um dia também vou escrever um post a explicar porque é que um monárquico como eu também é federalista. Mas Paulo Rangel já me ajudou ontem ao dizer que o federalismo reforça a identidade dos países europeus.

Quem fez lá falta, para ajudar a debater tudo isto ainda com mais elevação, foi o Pedro Quartin Graça. Mas espero que haja outras ocasiões, quanto mais não seja aqui no Risco Contínuo.
 

18
Mai09

 

O nome, Blogtúlia, não é bonito, mas ao saber que se trata de uma "tertúlia de blogues e bloggers sobre a Europa e o interesse nacional" (com entrada livre) e que quem convida é o excelente Paulo Rangel, não poderia deixar de comparecer, hoje, às 21.15h, ao Café Nicola, no Rossio. Há possibilidade de blogar em directo, mas como não pesco nada de assuntos europeus prefiro ficar atento às conversas, para ver se aprendo alguma coisa, e depois darei conta aqui no Risco Contínuo das minhas impressões. Aviso já que me inclino para o federalismo, mas não sei que posição terei quando sair do Nicola.

28
Abr09

Não poderia discordar mais do editorial de hoje do Diário de Notícias quando se afirma que «ao assumir-se disponível para um governo de bloco central, estava a dar uma golpada no voto útil, a aumentar a imagem de credibilidade e seriedade - o momento é difícil - a dizer ao país que ele é mais importante do que as politiquices.»

Assumir-se à priori a possibilidade dos dois maiores partidos portugueses se unirem numa coligação pós-eleitoral é dizer ao país, não que é mais importante que as politiquices, mas que praticamente não existem diferenças entre duas realidades que se deveriam opor, que o voto dos descontentes teria que recair nas forças políticas situadas nos espectros políticos mais radicais e que o PSD deixou de ambicionar a ser um partido de governo.

Manuela Ferreira Leite tem que começar, definitivamente, a ponderar melhor as suas palavras. O PSD não aguentará muito mais tempo antes de se transformar num vulcão e do seu magma queimar tudo à sua passagem, o que pode significar inclusivamente, destruir o próprio partido!

20
Abr09

 

A história é muito simples e mais não é do que um relato triste do actual PSD. A Sra. presidente do PSD anunciou ao país que tem uma "política de verdade", tentando esboçar um sorriso e utilizando o luto (no fundo do cartaz) como mote para o actual esta do partido que dirige.

 

Até há pouco tempo havia uma sensação um pouco estranha, visto o português médio pensar: a avózinha é uma nódoa política, mas ao menos é séria. Hoje ficamos a saber que a avózinha, ou se preferirmos MFL, orquestrou uma pequena trafulhice nas listas às europeias com o objectivo de contornar a lei da paridade e o PSD não ter que eleger tantas mulheres quantas a lei exige - mas em vez delas o nome indicado por Alberto João Jardim.

 

Mas Manuela Ferreira Leite não era séria?

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