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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

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Estrada dos bravos, blog dos livres

11
Jan13

Um Povo Resignado e Dois Partidos sem Ideias! (Guerra Junqueiro)


José Aníbal Marinho Gomes

Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta. [...]
Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira a falsificação, da violência ao roubo, donde provem que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro. Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País.
A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.
Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar.

Guerra Junqueiro, in 'Pátria (1896)'

Um texto de Guerra Junqueiro bem actual sobre a realidade portuguesa, na altura como agora, para além da instabilidade governativa, havia rotativismo partidário, o resultado foi o fim do regime vigente. Finis Patriae. Chegamos ao ponto de não retorno.

 

18
Fev12

Palácio de Belém falha protocolo?


Pedro Quartin Graça

No próximo dia 21 de Fevereiro, será inaugurado o monumento Sala Thai, excepcional honra concedida a Portugal pelo Reino da Tailândia. No âmbito da celebração dos 500 anos do estabelecimento das relações diplomáticas entre os dois países, a Casa Real tailandesa será representada ao mais alto nível pela Princesa Maha Chakri Sirindhorn que no protocolo daquele Estado, substitui Sua Majestade o Rei Bhumibol Adulyadej.
As relações de Portugal com aquela potência asiática, situadas no quadro da viragem da política mundial que se vai centrando no âmbito das margens do Pacífico, revestem-se hoje de uma extrema importância, facto que o Palácio de Belém não poderá ignorar. Seria desejável a máxima representação do Estado naquela cerimónia que dentro de poucos dias decorrerá em Belém, mas existem informações absolutamente fidedignas acerca de mais uma não-presença presidencial naquele acto. A Chefia do Estado é antes do mais representativa e protocolar, assim se entendendo o seu alegado caracter supra-partidário e simbólico. Embora reconhecendo-se a quimera deste distanciamento numa forma de representação republicana cujos limites são bem conhecidos, a Presidência da República deveria esforçar-se por entender o peso de uma história que conta perto de um milénio. Marcando sempre posição em qualquer reunião empresarial ou do restrito mundo da plutocracia de elite, a Presidência da República tem ignominiosamente descurado os seus deveres protocolares, precisamente aqueles que não se compadecem com crises económicas ou apetites de sector, seja este político ou financeiro.
Sabemos que o Ministério dos Negócios Estrangeiros procedeu a diligências no sentido de proporcionar a máxima dignidade ao acto.  Quando do planeamento da visita da Princesa Sirindhorn, causa estranheza não ter sido prevista uma visita real à iniciativa mais relevante no âmbito das comemorações do V Centenário. Encontrando-se patente na Biblioteca Nacional de Lisboa a importante exposição documental alusiva às relações entre Portugal e a Tailândia, o Estado deveria ter incluído uma visita à mesma.
O Portugal de sempre estará representado nesta excepcional honra que o Reino da Tailândia presta ao seu mais antigo aliado europeu. Na pessoa de S.A.R. o Duque de Bragança, o sucessor do Rei D. Manuel I que há cinco séculos com o Rei Ramathiboti II iniciou as relações luso-siamesas, o nosso país em Belém terá o seu representante legítimo e livre de peias, temores ou más disposições de circunstância.
08
Fev11

O vergonhoso acordo secreto


Pedro Quartin Graça

Portugal cede dados aos EUA sem excluir pena de morteO mandato começou mal. Os tempos de estertor acabam ainda pior. Para este Governo nada é sagrado. Vendem-se os anéis e, agora, vende-se a alma também. Só assim se pode compreender o escandaloso acordo que o Governo de Portugal, em nome do Estado português, celebrou com os Estados Unidos da América e através do qual cede dados aos EUA sem excluir a hipótese de, da utilização dos mesmos, poder resultar a aplicação da pena de morte, isto TOTALMENTE ao arrepio da Constituição da República Portuguesa.

De acordo com o DN, pela mão da jornalista Valentina Marcelino, "O acordo que os ministros da Administração Interna e da Justiça assinaram com os Estados Unidos da América (EUA) para a cedência de dados pessoais de portugueses não exclui a possibilidade de essa informação contribuir para uma condenação à morte, violando a nossa Constituição. Este acordo visa o "reforço da cooperação no domínio da prevenção e do combate ao crime" e foi assinado em Julho de 2009 entre o ministro Rui Pereira, o então ministro da Justiça, Alberto Costa, e a secretária de Estado norte-americana, Janet Napolitano. Rui Pereira tinha garantido que o acordo salvaguardava a lei nacional.

O Governo tem mantido o texto secreto, sem que os deputados que o vão ratificar o conheçam ainda. Mas as coisas descobrem-se.

De acordo com o documento, "a partilha de informação, que inclui desde dados pessoais a impressões digitais e perfis de ADN, abrange os crimes "que constituem uma infracção punível com pena privativa de liberdade de duração máxima superior a um ano ou com uma pena mais grave".

O especialista em Direito Penal e Processo Penal, Pedro Salreu, explica que "pena mais grave do que penas privativas de liberdade só existe uma: a pena de morte". No seu entender, "a possibilidade de Portugal cooperar na investigação criminal de crimes em relação aos quais se prevê a pena de morte, não constando do texto do acordo qualquer norma que ressalve a impossibilidade de os EUA aplicarem a pena de morte aos agentes dos crimes que tenham sido identificados através do recurso ao presente acordo, viola o princípio da inviolabilidade da vida ('A vida humana é inviolável') e a proibição da pena de morte consagrados no artigo 24.º da Constituição Portuguesa ('Em caso algum haverá pena de morte').

Este penalista, coordenador da licenciatura de Políticas de Segurança da Universidade Lusíada, considera que, "face à proibição de Portugal efectuar extradição por crimes nos quais se aplica a pena de morte no Estado requerente, é manifesto que não se pode cooperar em investigação da qual poderá resultar essa mesma pena", acrescentando que no artigo do acordo que prevê "mecanismos de controle" este "perigo" não está "acautelado".

O professor viu também outra inconstitucionalidade no texto. Diz respeito ao facto de o acordo "não criar limitações à conservação dos dados que, eventualmente, venham a ser recolhidos pelos EUA". O nosso ordenamento jurídico, "no que concerne às análises de sangue ou de outras células corporais, estatui que só podem ser utilizadas no processo em curso ou em outro já instaurado, devendo ser destruídos, por despacho de juiz, logo que não sejam necessários".

O acordo, por seu lado, consagra que "a conservação ou o apagamento de dados depende dos Estados outorgantes, colidindo com o direito à privacidade e à inerente reserva da informação pessoal, consagrada no artigo 26.º da Constituição, na medida em que abre a porta à possibilidade de os EUA terem acesso e conservarem dados de cidadãos portugueses que se viram envolvidos numa investigação e que foram ilibados de qualquer suspeita. Ou seja, os EUA podem manter registos sobre cidadãos portugueses que a nossa lei não permite".

E o Governo, que diz disto tudo? Responde ainda o DN: "O ministro Rui Pereira, que se assumiu como porta-voz do Governo quando o DN no início do mês noticiou pela primeira vez a existência deste acordo, para minimizar o seu impacto, remeteu agora respostas para o Ministério da Justiça (MJ). O porta-voz oficial do MJ, por sua vez, dada a hora tardia em que lhe foi feito o pedido, remeteu para hoje uma resposta."

Até o próprio PSD, habitualmente cauteloso nestas matérias, e pela voz do eurodeputado Carlos Coelho, reage de forma dura. Carlos Coelho acha "incompreensível que o Governo não tenha divulgado publicamente este acordo" e considera "uma vergonha" que Portugal não tenha "salvaguardado a condenação à pena de morte". Destaca ainda que "neste acordo Portugal renuncia à protecção dos dados pessoais portugueses que enviar para os EUA, o que, além de ser muito grave, é exactamente o contrário do que a União Europeia está a negociar com os EUA no acordo quadro sobre estas matérias".

Se esta Acordo era secreto, agora passou a público, para vergonha dos nossos governantes. Agora, como último recurso, urge parar a sua ratificação na Assembleia da República a todo o custo. Quem não o fizer ficará associado a uma das páginas mais negras da história de Portugal.

O texto do acordo para a partilha de dados pessoais entre Portugal e os EUA está disponível no site do Department of Homeland Security (DHS), em versão portuguesa e inglesa.

Hoje é a Comissão Nacional de Protecção de Dados diz que há direitos fundamentais que não estão salvaguardados. Ao longo de 13 páginas, todos os adjectivos que constam do parecer servem para qualificar de forma negativa o tratado, que, segundo esta entidade, passa por cima de uma série de direitos. Não salvaguarda, sequer, que estes dados não possam ser utilizados em processos que envolvam pena de morte ou prisão perpétua. 
De acordo com a peça de autoria de Hugo Beleza, do TVI 24 online, "a primeira nota que salta à vista no parecer (leia aqui o documentolink externo) que chegou esta segunda-feira ao Ministério dos Negócios Estrangeiros é a nota crítica pelo facto do acordo, assinado a 30 de Junho de 2009, não ter sido «sujeito a consulta prévia da CNPD» na fase de negociação, tal como prevê a lei. 
Sobre as disposições de um acordo cuja oportunidade é colocada em causa - uma vez que está a ser preparado um acordo-quadro entre UE e EUA -, a comissão não deixa margem para dúvidas sobre as portas que este abre a uma erosão dos direitos fundamentais. 
No ponto quatro das conclusões surge uma das questões mais sensíveis: «Não é salvaguardada a possibilidade de os dados transmitidos aos EUA não serem utilizados em procedimentos conducentes à pena de morte, prisão perpétua ou prisão indeterminada»., afirma o site.
A CNPD assinala ainda que os «mecanismos de consulta automatizada não garantem o controlo dos acessos» e também não permitem «verificar pesquisas abusivas». 
«O tratamento de dados sobre pessoas que se crê poderem vir a cometer infracções penais excede o grau de indeterminação aceitável e não tem acolhimento no regime jurídico português», continua a avaliação da comissão, a quem não escapou «a falta de um prazo máximo de conservação dos dados pessoais» ou o «desrespeito pelo princípio da proporcionalidade». 
Mas outras críticas existem e recaem ainda sobre «uma indefinição indesejável quanto às entidades responsáveis pela transmissão e posterior tratamento dos dados», tal como acontece em relação às «categorias dos titulares dos dados» e às «bases de dados acessíveis para consulta». 
A comissão sublinha que não estão contempladas no acordo «as modalidades do exercício do direito de acesso, bem como o recurso à via judicial, por parte dos titulares dos dados». 
«Os titulares dos dados transferidos para os EUA, ao abrigo do presente acordo, em particular cidadãos portugueses, ficarão assim desprovidos da possibilidade de invocarem perante tribunais desse país possíveis atentados aos seus direitos fundamentais», lê-se.
Outras das questões que levantam dúvidas são a possibilidade de utilização de dados para «outros fins», bastando para isso a «autorização da parte requerida», e a transmissão destes dados «para outros Estados organizações internacionais, entidades privadas ou pessoas».
«A previsão de transmissão subsequente de dados para outros países, organizações, entidades privadas ou pessoas, sem qualquer justificação e sem condições estritas e garantias, não é de todo admissível», salienta a CNPD.
No parecer, a comissão frisa que estas conclusões poderão ainda «ser ponderadas» pela Assembleia da República, recordando que o acordo em causa «lhe deverá ser submetido».

Em conclusão: um desastre legal e político este acordo que, em nome do Estado português, o Governo de Portugal, de forma servil, estabeleceu com os EUA. Uma única solução é desejável: o seu chumbo na Assembleia da República, através da sua não ratificação pelos deputados e a feitura de um texto que proteja os cidadãos portuguses, sem prejuízo da intenção de fundo do mesmo constante. É que meus senhores, Dr. Luís Amado e Dr. Rui Pereira à cabeça, convençam-se de uma vez por todas de que, quando toca aos direitos, liberdades e garantias dos Portugueses, não pode mesmo valer tudo!

 

Nota - Publicado originalmente no blog ESTADO SENTIDO.

20
Jan11

Hotel português no "Top 25 Hotels in the World"


Pedro Quartin Graça

Hotel Albergaria Dias: OutlookTravelers' Choice 2011É motivo de orgulho para Portugal, e para a Madeira em especial, o honroso 13.º lugar alcançado pelo Hotel Albergaria Dias, do Funchal, na lista mundial do "TOP 25 Hotels in the World" em 2011, promovido pelo reputado sítio TRIPADVISER.

“Perfect example of Madeiran hospitality in the heart of the Old Town”, eis a frase que define para o referido site o hotel luso. O também considerado nº1 dos hotéis do Funchal, foi o hotel português melhor classificado.

17
Jan11

O vergonhoso acordo secreto


Pedro Quartin Graça

Portugal cede dados aos EUA sem excluir pena de morteO mandato começou mal. Os tempos de estertor acabam ainda pior. Para este Governo nada é sagrado. Vendem-se os anéis e, agora, vende-se a alma também. Só assim se pode compreender o escandaloso acordo que o Governo de Portugal, em nome do Estado português, celebrou com os Estados Unidos da América, em Junho de 2009, e através do qual cede dados vitais aos EUA sem excluir a hipótese de, da utilização dos mesmos, poder resultar a aplicação da pena de morte, isto TOTALMENTE ao arrepio da Constituição da República Portuguesa.

De acordo com o DN, pela mão da jornalista Valentina Marcelino, "O acordo que os ministros da Administração Interna e da Justiça assinaram com os Estados Unidos da América (EUA) para a cedência de dados pessoais de portugueses não exclui a possibilidade de essa informação contribuir para uma condenação à morte, violando a nossa Constituição. Este acordo visa o "reforço da cooperação no domínio da prevenção e do combate ao crime" e foi assinado em Julho de 2009 entre o ministro Rui Pereira, o então ministro da Justiça, Alberto Costa, e a secretária de Estado norte-americana, Janet Napolitano. Rui Pereira tinha garantido que o acordo salvaguardava a lei nacional.

O Governo tem mantido o texto secreto, sem que os deputados que o vão ratificar o conheçam ainda. Mas as coisas descobrem-se. E o que é secreto em Portugal nos EUA parece não o ser...

De acordo com o documento, "a partilha de informação, que inclui desde dados pessoais a impressões digitais e perfis de ADN, abrange os crimes "que constituem uma infracção punível com pena privativa de liberdade de duração máxima superior a um ano ou com uma pena mais grave".

O especialista em Direito Penal e Processo Penal, Pedro Salreu, explica que "pena mais grave do que penas privativas de liberdade só existe uma: a pena de morte". No seu entender, "a possibilidade de Portugal cooperar na investigação criminal de crimes em relação aos quais se prevê a pena de morte, não constando do texto do acordo qualquer norma que ressalve a impossibilidade de os EUA aplicarem a pena de morte aos agentes dos crimes que tenham sido identificados através do recurso ao presente acordo, viola o princípio da inviolabilidade da vida ('A vida humana é inviolável') e a proibição da pena de morte consagrados no artigo 24.º da Constituição Portuguesa ('Em caso algum haverá pena de morte').

Este penalista, coordenador da licenciatura de Políticas de Segurança da Universidade Lusíada, considera que, "face à proibição de Portugal efectuar extradição por crimes nos quais se aplica a pena de morte no Estado requerente, é manifesto que não se pode cooperar em investigação da qual poderá resultar essa mesma pena", acrescentando que no artigo do acordo que prevê "mecanismos de controle" este "perigo" não está "acautelado".

O professor viu também outra inconstitucionalidade no texto. Diz respeito ao facto de o acordo "não criar limitações à conservação dos dados que, eventualmente, venham a ser recolhidos pelos EUA". O nosso ordenamento jurídico, "no que concerne às análises de sangue ou de outras células corporais, estatui que só podem ser utilizadas no processo em curso ou em outro já instaurado, devendo ser destruídos, por despacho de juiz, logo que não sejam necessários".

O acordo, por seu lado, consagra que "a conservação ou o apagamento de dados depende dos Estados outorgantes, colidindo com o direito à privacidade e à inerente reserva da informação pessoal, consagrada no artigo 26.º da Constituição, na medida em que abre a porta à possibilidade de os EUA terem acesso e conservarem dados de cidadãos portugueses que se viram envolvidos numa investigação e que foram ilibados de qualquer suspeita. Ou seja, os EUA podem manter registos sobre cidadãos portugueses que a nossa lei não permite".

E o Governo, que diz disto tudo? Responde ainda o DN: "O ministro Rui Pereira, que se assumiu como porta-voz do Governo quando o DN no início do mês noticiou pela primeira vez a existência deste acordo, para minimizar o seu impacto, remeteu agora respostas para o Ministério da Justiça (MJ). O porta-voz oficial do MJ, por sua vez, dada a hora tardia em que lhe foi feito o pedido, remeteu para hoje uma resposta."

Até o próprio PSD, habitualmente cauteloso nestas matérias, e pela voz do eurodeputado Carlos Coelho, reage de forma dura. Carlos Coelho acha "incompreensível que o Governo não tenha divulgado publicamente este acordo" e considera "uma vergonha" que Portugal não tenha "salvaguardado a condenação à pena de morte". Destaca ainda que "neste acordo Portugal renuncia à protecção dos dados pessoais portugueses que enviar para os EUA, o que, além de ser muito grave, é exactamente o contrário do que a União Europeia está a negociar com os EUA no acordo quadro sobre estas matérias".

Se esta Acordo era secreto, agora passou a público, para vergonha dos nossos governantes. Agora, como último recurso, urge parar a sua ratificação na Assembleia da República a todo o custo. Quem não o fizer ficará associado a uma das páginas mais negras da história de Portugal.

O texto do acordo para a partilha de dados pessoais entre Portugal e os EUA está disponível no site do Department of Homeland Security (DHS), em versão portuguesa e inglesa.

Confira o escandaloso texto aqui.

16
Out09

O partido anti-português do Brasil, por Miguel Castelo-Branco*


Pedro Quartin Graça

Maitê Proença - confesso que mal a conheço, pois não vejo telenovelas há trinta e tal anos - terá feito comentários desagradáveis a respeito dos portugueses, pelo que se retratou com pedido de desculpas. Vendo um curto excerto do programa, que é eloquente do analfabetismo alvar da rapariga, compreende-se que se ria do que desconhece.

O mundo está cheio de idiotas e não é a rapariga que alterará com tão miserável exibição de mentecaptismo atrevido essa nossa certeza. A fazer fé no arrependimento da actriz, fica a mancha de um deslize que não é relevante pela protagonista da gaffe, mas pelo facto de ser característica de um grande país, tão grande como um continente, que foi talhado por Portugal. Aos brasileiros, esse povo admirável nos defeitos e nas qualidades - e até nas qualidades dos seus defeitos - importa lembrar que o Brasil nunca existiu; ou antes, o Brasil foi sempre, pelo menos até aos anos 20 ou 30 do século XX, a expressão da ideia de um Portugal atlântico, tropical e ultramarino. Sem os portugueses, o Brasil seria hoje um amontoado de republiquetas de fala castelhana com enclaves étnicos nativos dominados por terratenentes crioulos como o são, com excepção do Uruguai, do Chile e da Aregentina, os países saídos da colonização espanhola.

O Brasil é uma criação portuguesa e tudo o que disserem descendentes de italianos, alemães, libaneses e sírios que ali prosperaram faz parte de uma persistente tentativa de reescrever a história. O brasileiro fala português, o seu Estado foi feito por portugueses, as suas leis e instituições são de matriz portuguesa, os valores sociais e individuais carregam mais de trezentos anos de vida portuguesa e até a sua literatura - pelo menos até Euclides - é portuguesa.

O Brasil, lembrem-se os brasileiros, foi monarquia com casa imperial Bragança e chegou até a ser sede do poder, substituindo-se a Lisboa como cabeça do império. O Brasil é caso único, pelo que não se deve contorcer com as habituais cólicas compensatórias e complexos de inferioridade que acometem os ex-colonizados. Há anos tive a oportunidade de conhecer alguns académicos brasileiros que desenvolviam actividade docente nos Eua. Era um permanente campeonato de lugares-comuns e ditos sem espírito nem inteligência para apurar quem dizia mais mal de Portugal. Uns eram pró-holandeses, outros gostariam que o Brasil tivesse sido colónia britânica, outros ainda que se tivesse mantido à margem e fosse um imenso telão verde povoado por bons selvagens. Ou seja, esses professores de língua e cultura debatiam-se com a maior das contradições que era a de negarem o múnus da sua actividade profissional. É triste, pois o Brasil, para ser Brasil, não tem outro destino que o de actualizar, globalizando-a, a herança portuguesa. Nós não devemos nada ao Brasil.

O Brasil, sim, deve-nos a visibilidade, a grandeza da sua mancha territorial, a homogeneidade da língua, a capacidade de se ver para além da América do Sul.

O Brasil é, nem mais, o prolongamento de Portugal, pelo que não me repugna a ideia de, um dia, o Portugal europeu possa vir a integrar a Federação Brasileira. Sempre que olho esse colosso, lhe ouço o hino e olho a bandeira só vejo Portugal, não o Portugal Estado-nação, mas uma ideia de fraternidade universal que saiu da nossa lavra.

O Brasil, a vir a ser uma grande potência, não mais será que Portugal.

 

* Publicado no Blog Combustões

30
Set09

Portugal, diz Alberto João Jardim, "é um país louco"...


Pedro Quartin Graça

"Como é um país louco, é natural que não seja seguro".

Foi desta forma que Alberto João Jardim, presidente do Governo Regional da Madeira, reagiu esta quarta-feira às declarações do Presidente da República, Cavaco Silva, sobre as alegadas escutas a Belém. Jardim explicou ainda que ficou esclarecido que "houve papéis em mãos de jornalistas que falavam de hipotéticas conspirações" e que "esses papéis, estando nas mãos de um ou vários jornalistas do Público, foram parar aos jornalistas do jornal rival, o Diário de Notícias, que, assim, prestou serviço ao PS pelo que, agora, vamos ver qual é o prémio dos jornalistas que passaram os papéis para o jornal rival", ironizou o líder regional.

30
Set09

Tal como em Portugal, Amin Maalouf, escritor francolibanés afirma que a monarquia pode ser a solução para o Afeganistão


Pedro Quartin Graça

Cá como lá, de novo a Monarquia surge como garante da credibilidade das instituições.

Vale a pena ler a entrevista de Amin Maalouf  que afirma que o Ocidente perdeu parte da sua autoridade moral. Ler a entrevista em castelhano:

 

Autor de bellas novelas, como 'León el africano' o 'Samarcanda', Amin Maalouf es también uno de los más lúcidos pensadores de nuestro tiempo. Nacido en Beirut en 1949, este escritor que primero fue periodista y que se exilió a Francia tras el estallido de la guerra civil libanesa nos regala ahora un ensayo en el que advierte contra la deriva que vivimos. 'El desajuste del mundo' (Alianza Editorial) expone un panorama desolador: nuestra civilización se agota, inmersa en una crisis de valores de la que sólo se puede salir construyendo una verdadera ética universal que reconozca la diversidad de culturas. Lo explicó este lunes en una entrevista que transcurrió en Casa Árabe.

Pregunta.— ¿Estamos en un mundo en decadencia?

Respuesta.— Yo utilizaría más bien el término regresión. Hay una cierta regresión moral e intelectual que amenazan al mundo.

P.— ¿La recesión es una prueba de esa regresión?

R.— Algunos elementos están vinculados a este fenómeno, por ejemplo, la crisis económica se manifiesta esencialmente por una crisis de confianza y es parte de la crisis moral que nos afecta hoy.

P.— Dice que arrastramos este desajuste global desde el fin de la Guerra Fría. ¿Por qué considera que éste es el punto de inflexión y no, por ejemplo, el 11-S?

R.— Ambos acontecimientos son simbólicos e importantes para nuestra época. Pero no tienen el mismo significado. La caída del muro de Berlín fue un acontecimiento de mayor envergadura que marca el principio de una nueva era. Y fue un acontecimiento positivo, con el que se extiende la democracia hacia la Europa Oriental. Lo que me preocupa de él es que el mundo ha pasado de la esclavitud ideológica a la esclavitud identitaria y, más específicamente, religiosa. Los atentados del 11-S son un síntoma de este deterioro. Son la prueba de que hemos gestionado mal el periodo de la preguerra fría.

P.— Describe al mundo árabo-musulmán como una región que se hunde en un «pozo histórico». ¿Es el radicalismo islámico responsable de la decadencia de Oriente Próximo? R.— Es causa y consecuencia. El mundo árabe se encuentra inmerso en una crisis que no ha sido resuelta. El mundo árabe busca soluciones en todas partes. Las buscó en el nacionalismo, en el socialismo y hoy muchos la buscan en la religión, pero probablemente algunas respuestas no han hecho más que agravar el problema.

P.— ¿Occidente ha perdido su credibilidad moral?

R.— Occidente ha perdido una parte importante de su credibilidad moral, sobre todo a ojos de la población del mundo árabe. Pero el problema es que nadie más la tiene.

P.— Quizá los conflictos en Afganistán e Irak hayan contribuido a ello. ¿Ve alguna solución posible?

R.— No estoy seguro de que haya una solución militar al conflicto de Afganistán. Hubo una oportunidad, a la caída de los talibán, para instalar un régimen que pudiera unir todas las facciones del país. Puede ser —pero esta es mi visión personal— que la solución sea restaurar la monarquía.

P.— ¿Y en Irak?

R.— Mucho depende de la relación interna entre las diferentes comunidades iraquíes. No soy nada optimista. No creo que el conflicto entre suníes y chiíes o entre kurdos y árabes en Irak sean tensiones mínimas que puedan resolverse con una coalición gubernamental. Pesarán sobre el desarrollo del país durante muchos años.

P.— La fractura entre suníes y chiíes es cada vez mayor.

R.— Sus raíces son muy lejanas. Pero en los últimos años, el grado de violencia que está tomando me deja impresionado. Sé que en Líbano por ejemplo, un país con comunidades suníes y chiíes, siempre ha habido diferencias y hostilidades. Sin embargo, hoy hay una verdadera ruptura entre comunidades. Aunque en Irak es peor.

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