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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

24
Dez08

 

O meu grande amigo e camarada de armas, o Luís Pinto-Coelho, que publica há mais de 10 anos a sua série As Aventuras de Tom Vitoín na revista Motociclismo, sendo posteriormente um best-seller aquando da publicação em livro, tendo todos "sofrido" múltiplas reedições, aqui me envia uma bela imagem de Boas-Festas! A ele retribuo os bons votos!

 

P. S. - Tom Vitoín é o "motard" que leva o presente de Natal ao Menino Jesus, nesta imagem.

24
Dez08

 

 

Natal Chique

 

Percorro o dia, que esmorece
Nas ruas cheias de rumor;
Minha alma vã desaparece
Na muita pressa e pouco amor.

Hoje é Natal. Comprei um anjo,
Dos que anunciam no jornal;
Mas houve um etéreo desarranjo
E o efeito em casa saiu mal.

Valeu-me um príncipe esfarrapado
A quem dão coroas no meio disto,
Um moço doente, desanimado…
Só esse pobre me pareceu Cristo.

 

(Vitorino Nemésio)

 

24
Dez08

 

 

Três quartos muito bem equipados com roupeiros repletos de roupas. Casacos, casacões, sobretudos, coletes, camisas, calças, saias, blusas, camisolas, montes de tudo.

Mais o escritório, livros, livros, montes de livros, recortes de jornais, agendas, fotografias, milhares de fotografias.

Mais uma sala de televisão, um aparelho digital fornecendo imagens lindas, esculturas junto da varanda, peças de decoração únicas e antigas, modernas, tribais, africanas, brasileiras, australianas, timorenses, montes de peças decorativas a condizer com os confortáveis sofás de cabedal.

Mais uma sala de jantar com uma mesa de pau-rosa para doze pessoas, o aparador, loiças, vários serviços de loiça, vista alegre, cantão, bago de arroz, quadros de pintores famosos nas paredes.

Mais uma cozinha muito dimensionada e melhor equipada, com uma despensa em anexo assemelhando-se a um mini-supermercado.

Natal feliz em ano de amor familiar na companhia de vários casais amigos. Mesa cheia de culinária saborosa e variada da chef minha mulher. Vasta diversidade de doces e o melhor vinho. Era a minha casinha. Vendi-a com todo o recheio, sinal que os Natais não são todos iguais.

23
Dez08

 

 

Um misto de ingénuo espanto e ansiedade define a comoção com que eu na minha infância vivia a festa de Natal. Tudo começava na véspera, noite dentro, quando nós os cinco manos, lá íamos com os nossos pais, todos ao monte no velho carocha bege, bem agasalhados e aperaltados, para a missa do Galo. Ainda pequeno, era um sentimento muito especial o de entrar acordado no mistério da noite profunda e estrelada. Lisboa lá estava deserta e fria, mas calorosamente engalanada para a festa. Excepcionalmente para as solenidades natalícias íamos à Igreja de S. Pedro de Alcântara ou Santos o Velho. A ocasião era toda ela especial: a Igreja, quente e iluminada a preceito, tinha um cheiro especial, os cânticos também eram especiais, e o grande presépio ao fundo dominava o panorama. Num autêntico estado de graça eu sentia-me também especial, como Jesus que nascia...
Intimamente eu ansiava pelo fim da missa, pelos presentes e a ceia, na Avenida da Liberdade em casa dos avós, noite adentro com os tios e a primalhada toda. Era essa a primeira etapa do glorioso dia que então começava.

Além das coloridas iluminações de rua, o Natal era então também mundanamente anunciado por alguns sinais “televisivos”, que avisavam a chegada das festas. Eram os anúncios de brinquedos, chocolates e perfumes, o inevitável Natal dos Hospitais, e os magalas que logo a seguir ao telejornal mandavam saudades à família, em diferido das colónias.
Ontem como hoje, para as sedentas criancinhas eram os presentes o êxtase da grande festa. Lembro-me de alguns que me marcaram como um Mercedes Dinky Toys, que especialmente para mim, o meu pai pintou de preto e verde para satisfazer o meu capricho de ter um Táxi “como os verdadeiros”. Recordo também um pequeno “transístor” (rádio a pilhas) revestido de cabedal castanho, oferecido pelo meu padrinho e avô, donde eu ouvi as minhas primeiras canções, o “Quando o Telefone Toca” e os “Parodiantes de Lisboa”. E num qualquer Natal mais próspero lembro-me de ter recebido dos meus pais uma enorme caixa de Mecano, um jogo de construção que fez as minhas delicias durante meses…
E depois havia o chocolate quente na Avenida, cheia de primos, sonhos e outros fritos. E havia o acordar tarde e estremunhado já em Campo d' Ourique, para com os meus irmãos acorrermos estonteados ao nosso sapatinho junto ao presépio... onde como por magia já lá estava devidamente deitado nas palhinhas o Menino Jesus.
E ao final do dia, com uma réstia de preciosa energia, ainda íamos jantar casa da minha avó paterna na Travessa do Patrocínio... para um derradeiro banho de festa, de tios e de outros tantos primos...
O dia seguinte era uma ressaca feliz. Depois, restavam ainda uns dias de férias para empenhadamente brincar com os meus irmãos e com tantos e brinquedos novos. E para numa ida à matinée, a ver um filme de Walt Disney, estrear umas meias de lã, ou uma camisola nova tricotada pela minha mãe. E por esses dias, com a minha curiosidade endiabrada, ia desventrando meticulosamente alguns dos mais fascinantes e plásticos presentes, de corda ou a pilhas, até serem depositados ao monte no grande caixote. Inúteis e abandonados.
Finalmente, depois da passagem de ano, o suspiro moribundo das festas, a vida retomava a normalidade, a rotina. Até a escola implacável, ensonada e fria recomeçar.

 

Ilustração 1 - António Balestra, Adoração dos Pastores, c. 1707. Óleo sobre tela, 564 x 261 cm,  São Zacarias, Veneza. Roubada daqui

Ilustração 3 - Travessa do Patrocínio nº 15 em 1898

 

Reeditado

23
Dez08

 

 

Ao passar num descampado perto do bairro das Olaias, Lisboa, deparei com um indivíduo deitado, junto a uma ponte e entre alguns arbustos. Perto de si, um esqueleto do que foi um belíssimo 'carocha' cabriolet. Aproximei-me porque o homem tinha um cão junto a si e apenas um cobertor a tapá-lo. Barba com uma semana, cabelos grisalhos, sapatos apresentáveis. Estranhei e dialoguei.

- Boa tarde!

- Ãh?!

- O cão ataca?

- Não!

- Dormiu aqui?

- O que é que tem a ver com isso? É polícia?...

- Não sou! Você não tem casa?

- Tinha!

- Não term família?

- Tinha!

- Morreu?

- Eu é que morro para aqui com o Boxe!

- Boxe é o nome do cão?

- É!

- E a família?

- Puseram-me na rua!

- Então?

- Ora... deixe-me lá!... Fiquei sem emprego... embebedava-me... vendi as pratas e a minha mulher pos-me na rua de casa... trouxe o Boxe...

- E como é que vive agora?

- Vou lá à Almirante Reis... à sopa...

- E vive como?

- Umas esmolas...

- E os antigos colegas do trabalho?

- Os camaradas?

- Camaradas?... Como, camaradas, se o abandonaram ao ponto de dormir aqui?

- Esqueça, homem!

- Oiça, tenho aqui um bolo-rei... aceita?

- Deixe lá isso! Você comprou-o para si, guarde-o!

- Não! É Natal!

- Qual Natal?! Isto é mas é o Carnaval... é só palhaços...

 

23
Dez08

 

Sem tempo para postagens nestes dias atarefados, deixo aqui os votos de um Bom Natal para todos os riscadores e também para todos os que por aqui passam.

 

Muita paz, saúde e serenidade. E esperança, apesar dos pesares. E alguns doces, já agora, que é tempo de festa.

 

Até breve.

 

(Wisdom)

23
Dez08

Recebi por e mail este admiravel texto de Mendo Castro Henriques que passo a transcrever:

 

Feliz Natal

 

Cada um terá o seu motivo para celebrar o Natal, seja cristão ou não. E também é verdade que esse motivo muitas vezes se reduz a um sentimento de simpatia e se traduz em breves tréguas nos conflitos pessoais e sociais, simbolizadas pela troca de votos felizes e de presentes.
Comprar mais, comer melhor, descansar um pouco é o figurino do Natal mundano. E por isso, a semana após o Natal não será muito diferente da semana anterior. Por isso é corrente ouvir que "Natal deveria ser todos os dias!". E por isso as festas desta quadra são sobretudo um ritual onde cada um projecta as fantasias que entende.
E contudo, todos os livros sagrados da Humanidade falam do homem como atormentado por uma culpa, por uma existência precária que ele não sabe redimir a não ser sacrificando alguém, e fazendo do seu próximo o Bode Expiatório. A origem das violências, dos conflitos, e das guerras passa por aqui.
E contudo, com o Natal, Jesus Cristo veio ao mundo para oferecer-se como vítima sacrificial única e definitiva, encerrando um ciclo histórico que durava desde as origens da humanidade e que era regido essencialmente pela lei do sacrifício.
O que Jesus Cristo fez foi cumprir de uma vez só essa lei do sacrifício, nascendo como a vítima definitiva. Antes as vítimas se somavam: 1 + 1 + 1 + 1. .. Agora a vítima única se multiplica por si mesma: 1 x 1 x 1 x 1!. .. Façam as contas e compreenderão por que o Natal deve ser celebrado.

Esta consciência deve ser reconquistada de geração em geração. A maioria, mesmo quando recebe presentes, esquece que eles apenas simbolizam o ganho muito maior obtido há 2008 anos.
Esse ganho pode ser explicado em poucas palavras, segundo a filosofia. Todos podemos viver atormentados pela culpa que produz medo, ódio, inveja, ciúme, e busca obsessiva de aprovação. Esses sentimentos tornam-nos vulneráveis às acusações e insinuações com um poder incalculável sobre nós. Em busca de protecção contra esse poder, submetemo-nos aos malvados, acreditando que quem nos fere também nos pode ajudar. E assim nos convertemos em bode expiatório.
Cristo adverte-nos que esse sacrifício é inútil. Não existe no mundo um poder habilitado a exigir vítimas. Deus só exigiu uma, e Ele mesmo a forneceu. Quem depois disso se sinta culpado, deve recordar-se do nascimento de Cristo e alegrar-se.  Ele não foi um cobrador de dívidas mas um salvador. Nada pede! Apenas oferece. E em troca aceita qualquer coisa pois é manso e humilde de coração.
Se sabendo disso, continuamos vulneráveis à iniquidade; se ainda sentimos perante os malvados e os corruptos o temor reverencial e tentamos aplacá-los com mostras de submissão para que eles não nos castiguem, é porque ainda não acreditamos no Natal.
O Natal é simples: pede-nos para sermos bons e não temer os políticos injustos, os ideólogos perversos, os juízes desonestos, os investidores corruptos. Nenhum deles tem autoridade sobre nós. Não baixemos a cabeça perante eles! Não consintamos que as nossas fraquezas sejam exploradas pela malícia do mundo.
Jesus Cristo já pagou a nossa dívida.

 

Feliz Natal!

Mendo Henriques, 2008

22
Dez08

Um programa familiar que concilie os gostos da miudagem lá em casa é um objectivo cada vez mais ambicioso e difícil: com quatro infantes, dois dos quais em avançado estado de adolescência e os outros dois com idades entre os sete anos e os vinte meses de idade (!) é sempre necessária imaginação e alguma “capacidade de liderança”. Assim sendo, ontem à tarde a família Pipocas foi toda ao Circo. 
Com a boa vontade de todos e umas guloseimas à mistura, as coisas lá acabaram por correr bem no Coliseu do Recreios. Acontece que o circo tem uma magia irresistível, uma estranha decadência que subsiste imutável geração após geração. Um anacronismo que  prevalece sobre a sofisticação dos cenários, efeitos especiais, “grandes artistas” e partenaires.  As “atracções” do circo são admiravelmente intemporais: hoje como há quarenta anos soa igual a estonteante “orquestra” com trompas de varas, saxofones, rufares e passos dobles. Ou a garbosa apresentadora de sotaque irreconhecível espartilhada em rendas e cetins. E há o inevitável palhaço rico vestido de lantejoulas e chapéu de bico, os musculados trapezistas em colants arriscando a vida sobre a rede e a mulher acrobata contorcendo-se sensual sobre um grande arco. E depois, que dizer do elefante magricela que nos faz vénias e salamaleques vendido por dois amendoins, ou das focas que batem palmas com uma bola suspensa no focinho?
Assim construímos as memorias dos nossos filhos, que talvez fartos de jogos virtuais e explosões de electrónica se rendem aquela anacrónica realidade. E finalmente estamos quase no Natal que é o mais importante e ajuda muito.

22
Dez08

 D. Manuel Clemente, Bispo do Porto disponibiliza mensagem de Natal pelo YouTube. Para o Bispo do Porto, a resposta que os cristãos podem dar está no exemplo do presépio de Belém, com "actos pequenos", como o próprio menino Jesus em que Deus se transformou (Público)

 

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