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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

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Estrada dos bravos, blog dos livres

15
Jan09

Acabo de receber via Amazon a minha caixa com os cinco primeiros discos dos Génesis (era Gabrielana) em vinil de 200 gr. Durante o ano de 2007 Tony Banks, Nick Davis and Mike Rutherford empenharam-se no restauro e remistura do som dos primeiros cinco álbuns dos Génesis: Trespass, Nursery Cryme, Foxtrot, Selling England By The Pound e The Lamb Lies Down On Broadway agora disponíveis em DVD e SACD híbrido (compatível com leitores de CD) e... também em vinil numa bela caixa cartonada. Garanto-vos que o som é milagrosamente  espectacular, e que o preço, dada a desvalorização da libra uma agradável surpresa. Agora mais difícil vai ser arranjar tempo para desfrutar o brinquedo novo.

 

12
Jan09

Consta que Peter Gabriel em declarações à revista Mojo afirmou equacionar uma reunião dos míticos Génesis (1970/1975). Enquanto isso Steve Hakett, o outro insubstituível dissidente, nada menos do que compositor e guitarrista, declarou num artigo da Billboard que a banda se devia reunir quanto antes, "antes que um de nós morra, pois já não somos jovens".
Por mim que sou um incurável fã da formação com Peter Gabriel, Steve Hackett, Mike Rutherfordo, Tony Banks e Phil Collins, aguardo ansiosamente por mais desenvolvimentos.
 

29
Dez08

De todos os acontecimentos que se deram na música nos últimos tempos, o mais importante, na minha opinião, foi a miscigenação entre a música habitualmente classificada como "erudita" e os géneros musicais mais populares.

 

E essa arrojada, brilhante e generosa ideia deve-se, em grande parte, ao grande Luciano Pavarotti. Os excelentes concertos "Pavarotti & Friends" duraram quase uma década, juntando em palco os mais variados ritmos, timbres e talentos de todo o mundo, e fizeram muito mais pela divulgação da ópera e da música clássica junto de novos públicos do que muitos anos de programas culturais. Ficarão célebres os curiosíssimos duetos de Pavarotti com as mais inesperadas vozes e figuras, cujo resultado foi um saudável divertimento que pôs meio mundo  (de várias gerações) a cantarolar árias de ópera que, provavelmente, nunca ouviria de outra maneira. Se acrescentarmos o facto de esses concertos terem sido todos pro bono, sem excepção para nenhum artista convidado, e de todas as receitas obtidas (concertos, gravações, publicidade) terem sido oferecidas a causas humanitárias mundiais, teremos a noção do espantoso alcance desta ideia.

 

Aqui fica um dos mais felizes exemplos dessa cumplicidade: Pavarotti e Zucchero (outra das minhas vozes de eleição) numa espantosa interpretação de uma das mais belas composições musicais de todos os tempos - Va Pensiero, do Nabucco de Verdi. Escolhi-a também pela mensagem de esperança e de liberdade, tão necessária a estes tempos turvos em que as nossas prisões são menos visíveis, mas nem por isso menos reais.

 

(Va pensiero - Zucchero / Pavarotti)

13
Dez08

 

Numa sala gelada do belíssimo Palácio da Independência, ali ao Rossio, com cadeiras de plástico cedidas pela Câmara Municipal de Lisboa  (de tal maneira velhas e em mau estado que várias se partiram, fazendo cair no chão, com estrondo, alguns dos assistentes mais volumosos), assisti ontem ao lançamento de um CD curioso: "Mensagem - À Beira-Mágoa", de José Campos e Sousa.

 

São 18 poemas da Mensagem de Fernando Pessoa, musicados e cantados por  um bardo injustamente esquecido da nossa praça, cuja voz densa, bem colocada e cheia de belas ressonâncias ombreia sem vergonha com as dos grandes cantores franceses dos anos 60, Brassens, Ferré ou Reggiani. Foi bom ouvi-lo, nestes tempos de míngua identitária, sobriamente acompanhado pelo som dolente da sua própria viola e por aquela magnífica intensidade que há nas palavras de um Pessoa messiânico e visionário, apelando ao que de mais nobre temos, como povo.

 

De todos os poemas cantados no disco, destaco aqui Nevoeiro (o último poema da Mensagem), que me impressiona particularmente pela triste e arrepiante actualidade. Não sou de fatalismos nem de imobilismos saudosistas, mas é impossível negar a evidência: é assim que estamos de novo, ou talvez... sempre. Pessoa tem aquele raro dom de pôr-nos à frente um espelho, com implacável e inescapável clareza. Gostaria de acreditar que "é a Hora".

 

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,

Define com perfil e ser

Este fulgor baço da terra

Que é Portugal a entristecer.

Brilho sem luz e sem arder,

Como o que o fogo-fátuo encerra.

 

Ninguém sabe que coisa quere.

Ninguém conhece que alma tem,

Nem o que é mal nem o que é bem.

(Que ânsia distante perto chora?)

Tudo é incerto e derradeiro.

Tudo é disperso, nada é inteiro.

Ó Portugal, hoje és nevoeiro...

 

É a hora.

 

 

 

 

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