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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

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Estrada dos bravos, blog dos livres

03
Jun09

Os males do País são muitas vezes atribuídos ao “centrão”,  PS e PSD, que, com a contribuição ocasional do CDS, têm estado no Governo desde o 25 de Abril. Que outros partidos de menor dimensão peçam alternativas é natural, mas quando se vê “independentes” a clamar pelo mesmo, é caso para perguntar: mas o que é que há para além de PS e PSD? Há a esquerda do PC e do Bloco, mas pô-los a governar é um óbvio suicídio nacional, por razões que me dispenso de comentar. Há ainda os pequenos partidos, alguns dos quais interessantes (só me ocorre o Partido da Terra, mas enfim…), mas também é óbvia a sua falta de preparação para exercer o poder.
Resta, portanto, o CDS, que tem gente competente, mas que sofre de um mal incurável. Tendo nascido no esquerdismo pós-revolucionário, era então composto sobretudo por pessoas que o integravam “porque não havia nada mais à direita”. Digamos que como discurso não só era muito pobre como colocava o CDS numa posição algo revanchista e passadista, que afastava quem preferia lutar por um democracia moderna em Portugal. É claro que dirigentes como Freitas do Amaral (justiça lhe seja feita), Amaro da Costa, Lucas Pires e Adriano Moreira, entre outros, conseguiram que essa posição evoluísse e hoje ninguém põe em dúvida a perfeita integração do CDS no regime democrático. Mas já tinham perdido a ocasião de ocupar um espaço mais relevante à direita e o PSD conquistou a posição de maior partido não-socialista.
Hoje, o CDS só consegue chegar ao poder em coligação, mas para tal (a não ser que entre em alianças contranatura com os socialistas) precisa que o PSD seja o partido mais votado. Ou seja, precisa de tirar votos ao partido que o pode conduzir ao poder e que enfrenta o PS de modo concreto. Alguns poderão argumentar com a pureza ideológica dos centristas contra o “albergue espanhol” não-socialista que é o PSD, mas afinal qual é a “ideologia” do CDS? Democrata-cristão? Liberal? Conservador apenas? Ou, mais provavelmente, uma mistura de tudo isso e muito mais, com a mesma falta de nitidez ideológica de que acusam o PSD?
O PS teve o mérito de, no início, ter lutado contra a esquerda não democrática, mas, principalmente com Guterres e agora com Sócrates, ter demonstrado uma enorme falta de preparação para governar. O PSD, apesar de todos os defeitos e insuficiências, tem sido o partido que, sobretudo com Sá Carneiro e Cavaco, melhor governou Portugal. São, portanto, partidos bastante diferentes e colocá-los no mesmo plano não é correcto.
A luta do PSD tem, no entanto, duas frentes. Uma, óbvia, contra os socialistas. A outra é interna e passa por colocar nos lugares de poder do partido gente capaz, civilizada e que está na política pelos bons motivos. Gente como Paulo Rangel. 
É evidente que o CDS tem todo o direito a existir, mas não seria mais profícuo que os bons quadros que tem fossem aliados das pessoas que dentro do PSD lutam pelos melhores do partido e que poderão pôr fim ao descalabro socialista? É que esta luta é urgente e deixa em segundo plano "afectividades" e sentimentos de pertença a grupos.

 

Também no Papa Myzena
 

02
Jun09

É normal nos dias que passam escutar virtuosos analistas a lamentarem a ausência dos grandes temas europeus nas campanhas dos partidos, cobrando aos candidatos o previsível abstencionismo no próximo Domingo. Tal parece-me uma explicação algo simplista: tenho ideia que o esforço dos candidatos na abordagem dos “assuntos europeus” não é reconhecido pelos media, preocupados que estão com sound bites e parangonas com as quais conquistam audiências e vendem jornais. Além disso não me parece razoável que a discussão da política europeia, reduzida à regulamentação das colheres de pau durante quatro anos, assuma miraculosamente preponderância e interesse em duas semanas de campanha eleitoral.
Finalmente, parece-me que o partido de Vital Moreira e José Sócrates ao desprezar ostensivamente a co-responsabilização dos portugueses pela adesão ao Tratado de Lisboa, assinou-lhes um atestado de irresponsabilidade, tendo desse modo o PS perdido toda legitimidade para exigir uma adesão significativa de votantes ao acto eleitoral do próximo Domingo.

Quanto ao mais a proverbial preguiça tuga faz o resto, como refere aqui em baixo o Duarte Calvão.
 

02
Jun09

 

Sempre que as eleições se aproximam, lá vem a mesma conversa, geralmente da boca de comentadores de ar grave, como se o futuro da democracia dependesse das suas análises: “não admira que as pessoas se desinteressem da política e se abstenham”. Pois a mim admira-me imenso que alguém se abstenha e sobretudo que veja nisso uma atitude a ser seguida. Eu próprio, em tempos que já lá vão e por circunstâncias próprias da minha opção profissional pelo jornalismo, fui abstencionista, mas nunca andei a maçar ninguém com isso. Nunca recomendei a alguém que fizesse o mesmo e, acima de tudo, nunca achei que a culpa fosse dos políticos, como aquelas crianças malcriadas que fazem birra só porque os adultos não conseguem inventar nada que lhes possa agradar.
Nestas eleições europeias, os cinco principais partidos portugueses têm candidatos conhecedores e dignos (como gosto desta generalização, vou esquecer o inacreditável discurso de Vital Moreira sobre a “roubalheira”, provavelmente sugerido por algum assessor mais excitado…), que defendem pontos de vista muito diversos, que incluem prós e contras tratado de Lisboa, referendos ou punição para quem os prometeu e depois não os fez, federalismo e anti-federalismo e muitas outras questões, sem falar daquelas que dizem mais respeito ao âmbito nacional. E também para já não falar dos pequenos partidos, onde há várias propostas à disposição dos eleitores.
O problema não será assim de falta de opções, mas antes de um certo “bom tom” que faz com que muita gente mostre repugnância pela “política”, pelos “partidos”, como se vivessem entre tratados de filosofia política e ensaios sobre a Europa e lhe custasse descer ao nível dos políticos, votando neles. Ora o que eu mais vejo entre os abstencionistas, com alguma excepções evidentemente, são preguiçosos e hedonistas de terceira categoria, que não se interessem por nada a não ser o seu pequeno mundo, que se recusam a pensar em algo que fuja ao seu interesse directo, que não abdicam nem que seja por uma hora (para irem votar) da praia, das compras ou da comezaina com os amigos.
É claro que eles têm todo o direito de se absterem, mas porque é que alguém os deve respeitar politicamente? Porque é que os políticos têm que fazer um esforço para lhes agradar? Isso quer dizer que a abstenção vai ser muito elevada? Pois que seja. Já no passado assim foi e isso não tirou legitimidade ao Parlamento Europeu. Se as pessoas podem votar e não querem, o que mais faltava é que nós, os que nos damos ao trabalho de participar na vida política da nossa sociedade e vamos votar, fossemos afectados por quem prefere ficar de fora a dizer mal de tudo, incapaz de mexer uma palha para que as coisas melhorem. E que ainda por cima quer ser “reconhecida” por isso.

 

Também no Papa Myzena

 

29
Mai09

Na viragem para a última semana de campanha o atrapalhado professor de Coimbra entrou em desespero. Ontem à noite em Évora Vital decidiu focar o seu pedagógico discurso nos delicados assuntos europeus: abordou o tema da corrupção, aquilo que ele chama a “roubalheira” do BPN, insinuando que não é por acaso que os envolvidos militem todos nas fileiras do PSD.  Certamente uma questão de genética política: tempos houve que constava à boca pequena serem os pedófilos tendencialmente socialistas...
Ainda a respeito das opções estratégicas que o Partido Socialista propõe para a Europa, Vital Moreira revelou à nação incrédula que, precisamente dentro de pouco tempo, uma centena, duas centenas, três centenas de trabalhadores, voltarão a estar activos nas minas de São Domingos em Mértola; mas que afinal não: confundiu as minas com as de Aljustrel,  coisa bem diferente. Coisa parecida com uma, ou duas, ou três centenas de trabalhadores com emprego. Estamos conversados!
 

23
Mai09

 

Não percebo muita coisa de comunicação política, mas ambiciono vir a perceber e lá vou fazendo uns trabalhos. A verdade é que não é preciso ser um especialista na matéria para observar a forma como o Partido Socialista tem escondido o seu cabeça de lista às eleições para o Parlamento Europeu. Vital terá sido uma má escolha?

O Rangel é candidato e aparece nos cartazes, o Nuno Melo é candidato e aparece nos cartazes, o Miguel Portas é candidato e aparece nos cartazes, o Sousa Franco era candidato e aparecia nos cartazes e o Vital Moreira? O Vital não. Em vez disso o PS optou por mostrar António Guterres, Mário Soares e José Sócrates. Vital terá sido uma má escolha?

Depois de mostrar Guterres, Soares e Sócrates, o PS mostra uma família com ar apostólico e traços a tender para o escandinavo - com certeza que se trata de uma mensagem subliminar relativa ao estado social escandinavo. Ok, esta foi muito rebuscada, voltemos pois à pergunta: Vital terá sido uma má escolha?

Tudo indica que que o PS se apercebeu que Vital Moreira foi uma má escolha e se dúvidas houvesse sobre este facto as sondagens vêm tornar tudo mais claro - o PSD está a 2% do PS, trocando em miúdos o Rangel está a 2% do Vital. Vital Moreira foi aparentemente uma má escolha.

Não contesto o mérito académico do Professor Vital Moreira, mas contesto a prestação política do candidato Vital. Não tem imagem, não tem discurso, tem uma má prestação nos debates televisivos, não arrancou eleitorado à esquerda e afastou o eleitorado de centro. Enfim, um desastre - mas um desastre útil a José Sócrates.

O eleitorado que Vital afasta só Sócrates o pode ir buscar - e o primeiro ministro sabe disso. Prefere perder as europeias para ganhar as legislativas, prefere levar o cartão amarelo agora do que o vermelho depois. É uma atitude inteligente. Com isso José Sócrates reforça a sua posição no seio do Partido Socialista, manda o Paulo Rangel e o Nuno Melo para a Europa e só tem que se preocupar com Manuela Ferreira Leite e Paulo Portas - o eleitorado com quem disputa a votação.

Perante este cenário talvez Vital Moreira tenha sido uma boa escolha de José Sócrates. O líder do PS sabe que um fraco rei torna fraca a forte gente e também sabe que a forte gente pode voltar a ser forte com um rei forte, ou seja, ele próprio. Bem jogado.

22
Mai09

 

 

O mais impressionante na sondagem que hoje veio a público sobre as eleições para o Parlamento Europeu foi que ninguém reparou nas intenções de voto nos "outros partidos". Pela primeira vez estes simpaticamente denominados "outros" partidos aparecem com 7,7 % das intenções de votos.

 

Nas últimas eleições para o Parlamento Europeu (2004) os "outros" obtiveram um simpático resultado de 4,24 %, pelo que agora quase dobram a votação. No entanto, 2 desses outros partidos não vão concorrer as estas eleições e outro deles já foi extinto (MD), pelo que os "outros" partidos que se repetem as escrutínio eleitoral representavam na altura apenas 2,68% da votação.

 

Se esta sondagem diz que há 7,7% de eleitores portugueses que dizem que vão votar nos "outros" partidos, significa que provavelmente existem 5,02% de portugueses que vão votar pela primeira vez num dos "outros" partidos que se apresentam a eleições. Curioso não acham?

 

Temos que juntar a estes dados três novos dados, desta feita políticos: o facto de terem nascido dois novos partidos políticos em Portugal (Movimento Mérito e Sociedade e Movimento Esperança Portugal) e o facto de pela primeira vez o Partido da Terra (MPT) ter campanha política de grande formato nas ruas do país e ser o único partido democrático que se opõe ao Tratado de Lisboa, capitalizando assim mais eleitorado.

 

 

Se quisermos ter como dado de relevo apenas a criação destes dois novos partidos políticos, poderíamos apontar para que cada um deles terá 2,51% de votação. Sendo que um deles poderá ter mais votos do que outro, mas de qualquer maneira qualquer um deles se coloca em terreno favorável para uma possível eleição de deputados nas legislativas. O que poderá alterar o actual quadro de representatividade parlamentar português.

 

 

Se juntarmos a isto o factor de mobilização do MPT - Partido da Terra, teremos que acrescentar a estes 5,02% os 0,4% que já teve nas últimas eleições, pelo que cada um destes partidos, dividindo aritmeticamente em três o eleitorado, poderá ter uma votação próxima dos 2%. O que iria premitir, mantendo-se este cenário nas legislativas, que estes três partidos viessem a eleger deputados para a Assembleia da República.

 

Havendo percentualmente tanta gente interessada em votar em alguns destes "outros" partidos, gostava de saber o porquê deles serem encaixados nos "outros" e não serem chamados pelos nomes. De certeza que o Pedro Magalhães sabe mais disso do que eu, mas eu fico sem compreender na mesma.

 

Ora vejamos, o Bloco de Esquerda nas eleições europeias de 1999, em lista já na altura encabeçada pelo Miguel Portas, teve 1,8 % e já aparecia nas sondagens. Será que o BE interessava à comunicação social e o MMS, MEP e MPT não interessam?

 

De certeza que esta minha análise vai ser atacada por ter omitido os brancos e os nulos. No entanto, acho estranho que alguém diga numa sondagem que vai "votar nulo" ou até "branco", mas como disse não sou um especialista. Gostava ainda de referir que falei da sondagem de hoje da Eurosondagem, mas poderia também falar da sondagem realizada entre 14 e 19 de Abril que dava 13,5% de intenções de voto nos "outros", onde estão os brancos e os nulos.

 

Vamos esperar para ver.

19
Mai09

Gostei muito de ter ido ao Café Nicola ontem à noite. Não só pelo grande nível com que Paulo Rangel respondeu a perguntas e esclareceu as suas posições sobre a Europa e o País, mas também porque melhorou muito a minha opinião sobre os bloggers. De facto, ia com algum receio de encontrar aquela sobranceria e auto-suficiência analítica que muitas vezes encontramos na blogosfera, mas, fora um caso ou outro, ninguém se pôs com grandes declarações a mostrar como é arguto e honesto (como muitas vezes fazem para se distinguir dos “políticos”), colocando antes perguntas sucintas e objectivas, que permitiram respostas igualmente concisas e proveitosas.
Se a a minha opinião sobre Paulo Rangel já era extremamente positiva, ao vê-lo falar assim informalmente, sem recorrer a chavões nem procurar agradar à plateia, fiquei ainda mais convencido de que ele é um dos melhores políticos que surgiram nos últimos anos. Também aqui tenho que confessar que ia com algum receio de que Rangel repetisse os argumentos que tem utilizado nos debates televisivos, não porque não esteja de acordo com eles, mas sim por temer a monotonia. Mas, felizmente, e também porque a plateia ajudou, abordaram-se outros temas.
A prioridade a dar aos países balcânicos em caso de alargamento (mesmo aqueles como  a Albânia e a Bósnia, com grandes comunidades muçulmanas), os cuidados em relação à Turquia, a regulamentação como condição para um livre comércio eficaz, a defesa da construção europeia perante os eurocépticos (quem é que quer voltar a ter fronteiras ou mesmo moedas nacionais? perguntava Rangel), a validade do modelo social europeu na protecção aos desempregados, aos velhos, aos doentes e aos inválidos, a mudança da política agrícola, com a necessidade (sobretudo depois da crise alimentar do ano passado) da constituição de reservas alimentares de segurança, mesmo que não sejam competitivas a nível global, a aplicação dos fundos comunitários em Portugal, com as diferenças “pragmáticas” em relação ao PS, foram alguns dos assuntos que mais me interessaram e que cito de memória.
Como não podia deixar de ser, até porque o tema é caro à blogosfera e permite ataques aos dois partidos do “centrão” (um destes dias vou escrever um post a explicar que, na minha opinião, isso é algo que não existe em Portugal), falou-se bastante da Constituição Europeia e do Tratado de Lisboa e de o referendo prometido não se ter realizado. Foi aqui que admirei mais Paulo Rangel, por defender a legitimidade da democracia representativa (se essa questão é tão importante para vocês, não votem nos partidos que “traíram” a promessa do referendo, afirmou), pelas desconfianças em relação às vantagens dos referendos a questões mais complexas (e lembrou o que são as taxas de abstenção nesses casos…), pela coragem em não querer ser “popular” dizendo o que a plateia, creio que maioritariamente, gostaria de ouvir. Defendeu até que o jargão em Portugal é eurocéptico (e, a meu ver, bastante banal) e não pró-europeu, esquecendo as vantagens que a integração europeia nos trouxe e sem coragem de assumir a ruptura com Bruxelas…
Enfim, isto já vai longo, e há blogues (O Insurgente, Papa Myzena, ABC do PPM pelo menos) que transmitiram o debate, para quem quiser ver na totalidade. Foram duas horas muito bem passadas e saí de lá mais federalista do que entrei, porque fiquei a saber que Paulo Rangel também o é (tenho que ler o seu livro O estado do Estado) e tem de certeza melhores argumentos do que eu para o defender. Para mim, é mais o gostar da ideia supra-nacional, de uma certa rejeição do nacionalismo-tribalismo que me ficou dos tempos de trotskista e, sobretudo, de verificar que, desde 1910, com um ou outro período excepcional, os portugueses têm mostrado uma vocação suicida ao escolherem os melhores governantes para conduzir o País para abismo. Um dia também vou escrever um post a explicar porque é que um monárquico como eu também é federalista. Mas Paulo Rangel já me ajudou ontem ao dizer que o federalismo reforça a identidade dos países europeus.

Quem fez lá falta, para ajudar a debater tudo isto ainda com mais elevação, foi o Pedro Quartin Graça. Mas espero que haja outras ocasiões, quanto mais não seja aqui no Risco Contínuo.
 

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