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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

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Estrada dos bravos, blog dos livres

27
Nov08

O Enigma da Atlantida (L'Énigme de l'Atlantide) começou a sair na revista Tintin na Bélgica a 19 - 10 - 55 e teve a sua versão em álbum em 1957. Cá em Portugal, teve edições em álbum sucessivamente editadas pela Verbo, Bertrand, Meribérica e agora, finalmente, sai em suplemento no Público, em associação com a Asa. A não ser que seja o contrário.

A obra em si resulta de um trabalho algo desequilibrado - não é dos melhores do seu autor - talvez em desejo por este suceder de imediato à justamente famosa Marca Amarela. Aqui a aventura é algo mais ligeira, o traço mais elegante e menos pesado. Trata-se de uma space opera que ao mesmo tempo o não é, visto Jacobs, maniaco da perfeição como era, ter avolumado carradas de documentação, estudos e investigações (feitas por ele em boa parte!) e mesmo tendo feito uma visita à ilha de São Miguel para se documentar in loco, como era da sua preferência. Sobre essa visita, abro uma questão: jacobs terá dito a Vasco Granja, numa célebre entrevista que este lhe fez, que efectuou esta viagem. Ora há muitos livros que estudam a sua biografia e a sua intensa obra, e nenhum deles faz a menor menção a essa visita do autor aos Açores, ao contrário de outras viagens que efectuou, bem documentadas nessas obras... Fica assim, julgo eu, esta viagem como que numa aura de neblina, bem ao gosto do artista em questão.

Se entendo que o livro é "menor", apenas o afirmo em comparação com outros da sua autoria, e mesmo assim, muito a custo: muitas coisas há de absolutamente geniais na obra: as descidas às profundezas, as viagens labirtinticas pelas paisagens subterrâneas do heróis, criação de ambientes - e atmosferas - visualmente impressionantes, tanto no traço como na cor, sempre abafante e opressiva. Não era Jacobs, aliás, um fanático de cenas subterrâneas, tendo TODOS os seus livros sequencias aí passadas? Os recitativos, para algumas opiniões, desencorajadores à leitura e redundantes, como sempre provam não o ser, marcando como que uma banda sonora, por um lado, e por outro, uma marcação de ritmo obrigatória, impedindo o leitor de fazer uma leitura apressada do livro, perdendo assim muito do que não se encontrará numa leitura superficial e desatenta. Resumindo: eis uma obra desigual mas mas de qualidade muito elevada!

Inicialmente, Jacobs pretendia contar a história em dois livros, dedicando a primeira parte às incursões de Discos Voadores no mundo externo; foi no entanto avisado que outro autor da revista ia abordar o mesmo tema ao mesmo tempo e o artista, cavalheirescamente, "deu o lugar" ao seu colega, concentrando compactamente toda a narrativa num só livro. À distância, só se pode concordar que esta opção foi a melhor, dado que o tema dos Discos Voadores acaba por não ocupar sequer a acção em duas páginas, numa magistral lição de condensação que nos é dada!

Muito mais poderia ser anotado aqui sobre qualidades do livro, mas o tempo rareia e os leitores querem sem dúvida passar ao post seguinte. Por isso fico-me por mais duas observações: a primeira refere ao "modernismo" científico que E. P. Jacobs utiliza no livro, sublinho, em meados dos anos 50: se, por um lado, a abordagem dos Discos Voadores, armas de raios e palnadores soa já a algo de futurismo antigo, o que dizer de sensores de impressões digitais que permitem este ou aquele atravessarem passagens? Aí sim, a leitura mantém-se impressionatemente actual! E sabe-se lá  o que uma nova leitura da obra, por exemplo, daqui a 20 anos, nos trará?

A segunda questão refere-se à presente edição ASA/Público: Acompanhada sempre por um estudo incompetente e apressado por Carlos Pessoa, está esta colecção a sair à razão de um livro por semana. É estranho que esta edição, totalemente diferente das anteriores, tanto aqui como no estrangeiro, não mereça atenção nessa originalidade: a capa deste livro, por exemplo, é uma parcial reprodução da utilizada na primeira edição belga - estranha-se profundamente porque é que a cópia não é, nesse caso, integral! - e tem o aproveitamento de uma vinheta que só saiu na revista, aquando da pré-publicação, retomada pelo autor quando passou ele próprio a edição da sua obra: refiro-me à última imagem da página 18. Quando essa feroz cena das cabeças de pterodáctilos, numa dimensão onírico/dantesca surgiu no Tintin, o autor foi advertido que isso incomodadria sobremaneira os jovens leitores, "obrigando" o autor a substitui-la por uma bem mais inócua, o que por muitos anos prevaleceu nas edições da obra em álbum.

 

P. S. - Contnua-se a não entender porque é que o jornal Público insite em dizer que a lombada dos livros têm inscrições a doirado, quando não passa de um vulgar (mas oportuno!) amarelo.

25
Nov08

27 de Outubro de 1973 foi, para muitas pessoas, um dia triste. Nesse dia, o argentino Joaquin Salvador Lavado, que assinava como Quino, punha fim ao desenho das tiras da sua Mafalda, "Mafaldinha", para muitos! Essa série não foi um sucesso a nível mundial, alguns paízes na Europa e os EUA, por exemplo, reagiram algo friamente à menina de cabelo hirsuto, pessismista como o raio e debitante de trocadilhos trágico-pulhiticos!

O que vem para o  caso, é que a menina terrivel acabou de merecer as honras de decorar as paredes de um metro na capital da Argentina! Honra como essa só mereceu Hergé e o seu Tintim, numa estação em Bruxelas!

Lembro aqui que Quino, recentemente numa FNAC portuguesa, ao ser questionado sobre o fim da sua famosa série, respondeu que trabalhar nela deixara de lhe fazer sentido quando percebeu que zurzir em Fidel, Nixon e outros era inútil, visto os políticos ( * )  não serem os "senhores do mundo", mas sim estarem sob o jugo de grandes empresas e enormes negócios...

 

Mafalda a Contestatária apareceu entre nós nos finais dos anos 60 e influenciou o humor e a forma de pensar de umas quantas gerações. Ao contrário de Peanuts ou Calvin & Hobbes, para dar exemplos de outras séries de banda desenhada com criancinhas como personagens principais, ficou muito datada precisamente por se agarrar a personagens públicas e a factos muito gritantes da sua época. Mas se "envelheceu", fê-lo da melhor forma e o seu charme mantém-se inalterável!

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