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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

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Estrada dos bravos, blog dos livres

12
Jan09

 

 

Vivi durante 20 anos na capital dos casinos. Sei bem como funciona uma máquina aglutinadora das finanças daqueles que pensam que num casino podem alguma vez ganhar bom dinheiro. Não é por acaso que os casinos de Macau recolhem milhões de dólares em cada semana. Mas, como me disse uma vez um inspector de jogos "só lá vai quem quer". Seja como for, quem lá vai por divertimento, distracção, ambição, vício ou tentativa de testar a sua sorte, mesmo sabendo que a máquina dos casinos poderá estar viciada, nunca poderá aceitar ser declaradamente enganado.

O que se passou no Casino Lisboa, na madrugada de sábado para domingo, é absolutamente surreal e inadmissível. Dois clientes do casino sentaram-se a jogar em slot machines. A dado momento, uma das máquinas premiou o jogador e foi a festa. Um jackpot de quatro milhões de euros tinha sido a sorte do momento declarada no visor da máquina. Passado algum tempo, outro cliente do Casino Lisboa gritava com todos os decibéis vocais que acabara de lhe sair a sorte grande: quatro milhões de euros. Os jogadores reivindicaram aquilo a que tinham direito e a administração do casino respondeu o impensável: não pagamos!.

A administração do casino justificou a recusa do pagamento dos oito milhões declarados pelas máquinas, alegando que teria havido um bug no sistema informático. Garanto-vos que nunca imaginei ouvir uma justificação desta jaez. Andei anos e anos a tentar confirmar junto dos responsáveis dos casinos, algumas vezes com provas fornecidas por funcionários, que nas roletas e nas slot machines tudo é viciado. Sempre me negaram o facto, mas nunca me convenceram.

Agora, a administração da empresa Estoril-Sol caíu na esparrela. Inacreditavelmente apresentou como justificação para não pagar a quem de direito, o tal "sistema informático" que eu sempre pensei que existia e que sempre me foi negado. E existe para controlar os ganhos e perdas do casino. Um qualquer sistema informático que controla o momento exacto em que o cliente é premiado com uns míseros patacos para o animar em mais umas horas de perda. E se o cliente continuar horas agarrado à máquina, ao fim de um certo tempo, esse mesmo sistema contempla-o com uma quantia maior que o normal para que no dia seguinte não falte à chamada da "sorte".

Escandalosamente a administração do casino admitiu que existe um sistema informático que teve um bug. E o bug, pelos vistos, só funciona em prejuízo dos clientes. E quando os sucessivos bugs entram em acção para lucro do casino e nada oferecem a quem ali deixa o seu dinheiro? Saberá a administração quanto dinheiro teriam gasto anteriormente aqueles dois clientes? E por absurdo, se eles já tivessem dispendido dois milhões de euros nas máquinas, qual o problema de serem premiados com um jackpot de quatro milhões?

O caso não pode ter outra decisão da Inspecção de Jogos que não seja a entrega do dinheiro aos clientes contemplados. Não pode ser aceite a justificação de bug informático. Um cliente está num casino a gastar o seu dinheiro na perspectiva de que a máquina a qualquer momento o possa premiar, seja lá com a quantia que for. A estes dois cidadãos sairam-lhes quatro milhões a cada um, pois, serão oito milhões que o casino tem de entregar aos clientes.

A administração do casino sabe muito bem que se o caso tivesse sucedido em Macau até já tinha pago a quantia exacta... e em ambiente de festa, porque ali, as seitas não brincam em serviço, nem sabem o que são bugs...

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