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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

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17
Dez08

 

A  magnífica frase de Vergílio Ferreira - talvez a mais feliz de toda a literatura portuguesa, para mim - serve de epígrafe a Escrito no mar, o novo livro de poemas de Manuel Alegre, cujo lançamento foi hoje à tarde na Bulhosa do Campo Grande, em Lisboa.

 

Ao luxuoso amuse gueule de Vergílio Ferreira segue-se uma empolgante declaração do autor: "Tive desde muito novo a tentação e a sedução das ilhas, as ilhas nunca vistas, as ilhas só imaginadas e talvez ainda por descobrir. E até aquela ilha poética, a que nunca se chega. Mas um dia cheguei. E vi: as ilhas escritas, inscritas no mar."

 

Sei exactamente do que fala Manuel Alegre. Partilho com ele uma paixão inflamada e irremediável pelos Açores, essas ilhas encantadas cuja magia tem o condão de transportar-nos para planos nunca imaginados: mais longe, mais alto, mais fundo. As ilhas revelam-se e revelam-nos aos nossos próprios olhos, extasiados e incrédulos. Vem-se de lá em estado de graça - como tentei contar aqui, aqui e aqui - e nunca mais nos esquecemos delas.


Escrito no mar é inteiramente dedicado às ilhas dos Açores, e é de uma beleza que só elas poderiam inspirar. Reúne poemas inéditos, outros publicados anteriormente e recuperados, todos eles unidos pelo fio invisível que une também as ilhas de um arquipélago pleno de sortilégios. Vale a pena ler este livro. Vale sempre a pena ler Manuel Alegre, mas desta vez ainda mais. O rigor na forma, habitual no poeta, não retira às palavras um átomo que seja de emoção ou de paixão. Mas elas não estão sozinhas neste livro: têm ainda a vesti-las a roupagem de gala das fotografias de Jorge Barros. Imagens dos Açores de cortar a respiração, luz e bruma, maresia e mistério.

 

Aqui fica um pequeno poema, como aperitivo:

 

TANTO MAR

 

Atlântico até onde chega o olhar.

E o resto é lava

e flores.

 

Não há palavra com tanto mar

como a palavra

Açores. 

 

(Nota: A imagem que ilustra este post não é do livro)

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