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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

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03
Jul13

Até quando resistiremos nesta criminosa caminhada para o suicídio colectivo?


Fernando Sá Monteiro

"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, - reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta (...)” "Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados (?) na vida intima, descambam na vida publica em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira a falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na politica portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro (...)” (Guerra Junqueiro, in "Pátria", 1896)

 

Depois de toda esta tragédia a que vamos assistindo diariamente, estaremos nós, Portugueses, mais Seguro(s)?

O que nos espera não pode deixar de preocupar os que, verdadeiramente, pensam no futuro.

Neste circo em que caiu a política portuguesa, em que os palhaços não gostam de ser chamados por esse nome, mas se comportam ridiculamente como os mais lamentáveis bobos, com a trágica diferença de não nos causarem risos, mas antes lágrimas e gritos de revolta, para onde caminha Portugal? O que nos espera? Em quem iremos confiar? O que podemos fazer para mudar este lodo político em que caiu Portugal, mais uma vez?

Pergunto aos que VERDADEIRAMENTE se preocupam com o futuro dos nossos filhos e netos (já que o nosso dificilmente poderemos aspirar a mais alguma coisa do que meramente resistir): para que serve toda a despesa com uma Casa e um PR que apenas se presta ao lamentável, ridículo e desprestigiante papel de "corta fitas"? Não seria melhor rever a Constituição e acabar com esta palhaçada que somente nos faz envergonhar e manter uma despesa imensa com quem nada fornece de dignificante e confiável em momentos de desespero e descalabro nacional?

Quanto aos partidos políticos... afinal quase nada mudou; continua a mesma imagem dada por Guerra Junqueiro: "sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados (?) na vida intima, descambam na vida publica em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira a falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na politica portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos...".

 

 Até quando resistiremos nesta criminosa caminhada para o suicídio colectivo?

 

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