Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

15
Jun13

maternidade, paternidade e as lições que a vida nos dá


Sofia de Landerset

 

Há coisas que só depois de percorrermos umas décadas valentes conseguimos compreender. Eu quando tinha 20 anos era tão arrogante, intolerante, sexista, racista, preconceituosa e pedante como o Sr. Miguel Pires da Silva, que é presidente da Juventude Popular e deu uma entrevista aqui.

Aliás, era ainda pior do que ele.

Mas depois uma pessoa vai andando e vai dando uns valentes tropeções na vida, e na altura pensa "o que é que eu fiz para merecer tanto mal?".

E depois o tempo acaba por passar e lambidas as feridas, pomo-nos de pé outra vez e sabemos, sabemos assim de repente, que aprendemos uma lição. Da pior forma possível, mas também da forma mais eficaz: a que doeu.

É daquelas coisas que quando temos a idade do Sr. Miguel Pires da Silva, estamos sempre a ouvir dos mais velhos. Género "quando tiveres a minha idade, vais perceber".

(claro que há uns fulanos que escapam a este processo, como é o caso do senhor bastonário da Ordem dos Advogados)

Vem isto a propósito da adopção de crianças por casais formados por pessoas do mesmo sexo.

A mim, tanto me faz que pessoas do mesmo sexo se casem, desde que não me chateiem. 

Já a adopção, não tanto me faz porque envolve terceiros, e ainda por cima terceiros que não têm, geralmente, direito a decidir nada.

E não tanto me faz por uma só razão: a intolerância de pessoas como o Sr. Miguel Pires da Silva, que infelizmente representa uma considerável percentagem das pessoas, e encerra um certo potencial para discriminar estas crianças, tornando-as alvos fáceis dos colegas na escola, por exemplo.

Se duas pessoas têm uma relação estável, equilibrada, e uma situação financeira sólida, porque é que não existem condições para criarem uma criança? Ou duas, ou três? Que diferença faz estas pessoas serem homens, mulheres, encarnados, azuis ou amarelos às riscas?

Que raio de ideia é esta, perpetuada por pessoas como o Sr. Miguel Pires da Silva, que tem forçosamente de haver um pai e uma mãe numa casa de família? Tem de haver um pai que lê o jornal, vê televisão e joga à bola com os filhos, e uma mãe que passa o dia de avental na cozinha, limpa a casa e dá muito beijinhos e colinho às crianças?

É isto?

E se não houver disto em casa, acontece o quê? Se for a mãe que joga à bola e o pai que faz o jantar, as crianças ficam baralhadas? E se tanto o pai como a mãe gostarem de jogar râguebi e detestarem passar a ferro, as crianças ficam transtornadas?

Ser homem ou ser mulher não é a mesma coisa. Em termos biológicos, não é. Em muitos aspectos práticos, também não. Mas perante a lei, da última vez que vi, era a mesma coisa. E quando toca a dar a vida pelos filhos, a passar noites acordados, a fazer sacrifícios, a ensinar e a educar e a ser um exemplo, um bom exemplo, um homem e uma mulher são exactamente a mesma coisa.

Tal como dois homens e duas mulheres, ou três homens e três mulheres ou seja lá o que for que venha, são pais e mães e só desejam uma coisa, todos juntos: que os filhos sejam felizes.

Que cresçam amados, apoiados, e de preferência com um tecto por cima da cabeça, comida na mesa e dinheiro para os livros.

Pelo menos, é isso que eu desejo para os meus.

E se amanhã morrer atropelada por um camião, e o meu marido também, e um casal, gay ou não, puder cuidar dos meus filhos, dar-lhes amor e carinho e uma educação sólida e inteligente, só tenho a agradecer.

O único problema vai ser a intolerância do Sr. Miguel Pires da Silva.

Talvez tenha a sorte de a vida lhe proporcionar uns valentes tropeções.

Pesquisar

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Publicidade

Comentários recentes

Links

_EM DESTAQUE

_RISCOS ASSUMIDOS

Arquivo

    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2016
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2015
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2014
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2013
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2012
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2011
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2010
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2009
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2008
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D