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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

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17
Abr13

a random act of kindness*


Sofia de Landerset

 

Há muitos anos atrás, quando ainda morava em Lisboa, cheguei um dia a casa, de táxi.

O motorista parou em segunda fila à porta do meu prédio, e eu paguei e saí do carro. 

Levava vestido um casaco encarnado, que ficou preso na porta do táxi quando a fechei.

Não me apercebi disso até que o carro arrancou, e eu caí no chão e comecei a ser arrastada entre o táxi e os carros que estavam estacionados ao longo da rua.

Lembro-me de pouca coisa. Lembro-me, no entanto, de pensar que aquela era uma maneira estúpida de morrer. E que ia doer. Ia doer muito.

 

Obviamente, não cheguei a morrer.

 

Um rapaz que estava no passeio tinha-me observado a sair do táxi, e depois viu-me desaparecer de repente. Foi ele que correu para parar o táxi, salvando-me a vida, no fim do quarteirão.

 

Nunca me esqueci daquele momento, nem daquele rapaz. Sei que nunca lhe agradeci como devia. Em estado de choque, não quis outra coisa senão correr para casa. E foi isso que fiz, sem olhar para trás. Levei horas a dar-me conta do que tinha ali acontecido; levei horas até que conseguisse sequer sentir as dores nas mãos e nas pernas, cheias de cortes e arranhões.

 

Ainda hoje lamento não ter dito "Obrigada". Era o mínimo.

 

Esta manhã, na estação de metro do Marquês de Pombal, linha amarela, sentido Odivelas, entre as 8h35 e as 8h40, a minha filha Francisca deixou cair o telemóvel na linha.

Um rapaz desconhecido apanhou o telemóvel e entregou-lho.

Ela, de cabeça perdida, pensando que tinha ficado sem o telemóvel, não lhe conseguiu agradecer como gostaria.

Encontrar este rapaz para lhe agradecer devidamente é missão impossível? Provavelmente é.

Mas fica aqui dito que a gratidão que lhe é devida está guardada para um dia que se voltem a cruzar na estação do Marquês. 

 

E como eu acredito que somos um, todos nós e o universo, e amor com amor se paga, literalmente, enquanto não encontramos o rapaz do metro, vou praticar um random act of kindness*.

Pequenos gestos, expressões de amor pelo próximo.

 

Seja ele quem for.

 

 

 

 

 

* um acto aleatório de bondade

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