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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

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Estrada dos bravos, blog dos livres

08
Mar13
Todos nós já ouvimos, mais que uma vez na vida, a história acerca da tenebrosa ditadura do Estado Novo na qual a infame PIDE vagueava pelos bares, cafés, restaurantes e tascas de Portugal à cata de ouvir as conversas e prontamente deter os críticos do regime e, alegadamente, os simpatizantes e militantes comunistas.


Na última semana ficamos todos a saber que agora em plena democracia, liberdade e fraternidade a coisa não parece ter mudado muito, em vez de agentes da PIDE temos agentes da Autoridade Tributária a vaguear pelos mesmos bares, cafés, restaurantes e tascas do país à  cata de ver se os empregados passam a respectiva factura e, uma inovação, à porta desses mesmos estabelecimentos à caça dos clientes que optaram por não pedir factura. A boa nova é que já  ninguém vai preso, como no “tempo do fascismo”, não, em democracia (cada vez mais sinónimo de ditadura capitalista) o objectivo não  é prender os prevaricadores mas somente multá-los, e multá-los muito e sempre que possível.


Portugal vê-se hoje transformado em capital europeia das operações stop, com leis absurdas que regulam mais a liberdade dos cidadãos comuns e das próprias polícias (alguém se lembra que agora têm uma quota mínima de multas a cumprir mensalmente?) do que perseguem e penalizam os criminosos não fiscais (violadores, ladrões, homicidas).


Ao longo dos anos foram aprovadas leis que, por si só, aparentavam ser inócuas mas que, no seu conjunto, visam a destruição dos partidos extra-parlamentares, fizeram desaparecer a figura legal das associações políticas, impossibilitam o livre acesso ao aluguer de apartados não pessoais (norma para todas os movimentos e publicações alternativas sem sede própria desde sempre), proíbem a livre disseminação de propaganda política, a realização de operações stop em vias privadas, enfim, tudo medidas que nos deixaram factualmente menos livres.


Pode ser que um dia o povo desperte e perceba que vive uma mentira, que a democracia passou a ser sinónimo de ditadura quase descarada e que assim sendo, ó horror dos horrores, existem ditaduras melhores.


Publicado no semanário nacional O DIABO de 19 de Fevereiro de 2013.

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