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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

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21
Jan13

REQUIEM por Viana do Castelo!


José Aníbal Marinho Gomes

Não, não foi com surpresa que tomamos conhecimento de uma proposta que o governo português apresentou à Troika de introduzir mais pórticos nas antigas vias SCUT, e em particular no distrito de Viana do Castelo que é “premiado” com cinco novos pórticos na ex-Scut do Norte Litoral: no troço da A27 entre Viana do Castelo e Ponte de Lima (três), na A28 entre Viana do Castelo e Caminha (dois), e já fora do distrito, mas que o afecta directamente, está prevista a introdução de mais dois pórticos na A28 entre o Porto e Viana do Castelo, ou não vivêssemos numa época em que tudo é taxado e sobretaxado.

O governo, apoiado pelo PSD e pelo CDS/PP, resolveu pôr em prática o alegado princípio da igualdade como se fossemos, de facto, todos iguais…, numa região cujo PIB per capita é inferior à média nacional.

Convém não esquecer que o distrito de Viana do Castelo já foi fortemente penalizado com a introdução de portagens em 2010, que se traduziram em quebras de rendimento na ordem dos 30% a 40% em sectores como o do comércio, turismo e restauração e esta nova introdução de portagens pode significar o fecho de diversas empresas – das poucas que ainda sobrevivem...

Uma vez mais, excepção feita aos autarcas locais, os responsáveis políticos do Alto Minho (diga-se deputados eleitos pelo círculo eleitoral de Viana do Castelo e dignos representantes da Nação), que já anteriormente pouco ou nada fizeram, em termos concretos, para impedir a cobrança de portagens levada a cabo pelo governo PS, com o apoio do PSD, continuam no mesmo caminho, apesar de agora o xadrez político ser diferente, demonstrando estar de costas voltadas para os interesses das populações.

Em vez de estarem na rua, ao lado das populações, e de tomarem uma posição pública condenando veemente esta atitude que atenta contra os interesses do Alto Minho, os deputados do PSD e do CDS/PP eleitos pelo distrito de Viana do Castelo ficam-se pela marcação de reuniões com o Secretário de Estado dos Transportes que, à semelhança das anteriores, vão resultar em nada.

Estou curioso para saber o que dirá o Secretário de Estado Eng.º Daniel Campelo de tudo isto?!

Ele, que disse ao governo do PS que viabilizaria o OE desde que o seu distrito fosse contemplado com investimentos que enquanto candidato partidário tinha jurado defender.

Ele, que por duas vezes, à revelia do seu partido (o que lhe custou a suspensão do CDS/PP) viabilizou dois Orçamentos de Estado, em 2001 e 2002, ao Eng.º António Guterres, Primeiro-Ministro de um governo socialista sem maioria absoluta na Assembleia da República, a troco de vários investimentos públicos no distrito, com particular destaque para a conclusão dos eixos rodoviários Porto-Viana-Caminha (A28) e a ligação a Ponte de Lima (A27), que agora o Governo de que é membro se prepara para portajar.

Ele, que sempre reafirmou que a sua fidelidade para com os eleitores era muito mais forte do que ao partido e que era importante que os políticos fossem honestos para com os seus compromissos com o eleitorado.

Ele, que no dia 24-9-2005, numa entrevista ao Diário de Notícias, afirmou que enquanto fosse autarca e cidadão de pleno direito, obrigaria as pessoas que assumem compromissos consigo a levarem-nos sempre até ao fim.

Ele, que numa entrevista ao jornal i no dia 12-1-2010 referiu que era a favor de uma obediência aos eleitores e aos compromissos assumidos com os mesmos e que era contra a obediência ao directório partidário e que a política só tinha sentido quando era útil para os eleitores, acrescentando que os deputados não podiam ser marionetes de um Secretário-Geral ou Presidente de um partido.

Pela sua conduta e afirmações espera-se agora que o Senhor Secretário de Estado aja em conformidade com aquilo que sempre disse e defendeu, estando ao lado das populações locais, nem que para isso seja necessário apresentar um pedido de demissão do governo de que é membro; caso contrário correrá o risco de não passar de mais um demagogo, o que não quero acreditar.

Por isso Senhor Secretário de Estado Engº Daniel Campelo, assim como nós, para além de exigir a suspensão do pagamento das SCUT’S para todos os residentes e empresas sediadas no distrito de Viana do Castelo, deve exigir que o Governo de que faz parte proceda ao cancelamento imediato desta “luminosa” ideia de introduzir cinco novos pórticos, recordando que as estradas alternativas “de facto” não existem e que a suspensão desta medida é necessária para o desenvolvimento económico do Alto Minho.

Temos de defender intransigentemente a nossa TERRA e a nossa GENTE, e tudo fazer, com grande determinação, para obstar à desertificação do país interior e ao estrangulamento económico do tecido empresarial desta região, estando solidários com as populações locais afectadas por mais esta medida “punitiva” do Governo.

Caso o governo não recue nesta intenção será a morte do Alto Minho e ouvir-se-á o requiem pelo distrito de Viana do Castelo!...

E aos cidadãos só lhes resta a desobediência civil, não pagando portagens.

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