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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

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17
Jan13

Os senhores doutores que me perdoem


Sofia de Landerset

 

Talvez seja conveniente lembrar que não frequentei nenhuma universidade. A realidade das nossas faculdades é, para mim, tão desconhecida como a cultura da couve-de-Bruxelas.

(o que se nota no facto de ter escrito 'disciplinas' e ter vindo corrigir para 'cadeiras')

No entanto, nunca achei que isso fosse um entrave ao exercício do senso comum. Aliás, começo mesmo a suspeitar que é exactamente o contrário.

Vejamos. Temos uma turma do terceiro ano. Já lá andam há uns tempos, já se consegue aferir quem é bom em que cadeiras, quem tem dificuldades em quê.

Acontece que subitamente, numa qualquer cadeira do primeiro semestre, a turma chumba quase colectivamente o primeiro teste. Safam-se uns poucos, a nota máxima é um 13, conseguido pelo “crânio” da turma.

E não acontece rigorosamente nada.

Isto passa-se, não tão raramente como isso, em pelo menos uma prestigiada faculdade pública deste país. Muito me admiraria se fosse só ali.

Sejamos claros: há professores que prejudicam os alunos nas suas médias finais, só porque podem. Porque decidiram “dar uma lição” aos alunos, que pensavam que aquela cadeira “era canja”. Porque decidiram unilateralmente que a escala de notas termina no 15, e o 15 está reservado a Deus. Porque se acham superiores e intocáveis.

Nem sequer me interessa o motivo. Não há um motivo que justifique isto.

(por acaso até há, mas é uma justificação que aponta para a falta de competência do professor para transmitir os ensinamentos de forma eficiente)

Partindo do pressuposto que a) uma turma não estupidifica assim de repente e de forma selectiva e b) a matéria não é inacessível, o que se demonstra facilmente pelos resultados satisfatórios da turma do lado, que tem outro professor, não seria do interesse da própria faculdade que situações deste tipo fossem analisadas?

Não seria do interesse da faculdade, dos alunos e da comunidade em geral, que paga, através dos seus impostos, uma parte deste ensino, que o dito fosse da mais elevada qualidade, transmitido pelos professores mais qualificados – e “qualificado”, aqui, tem de incluir necessariamente a qualificação enquanto ser humano justo, equilibrado e mentalmente são, para além da qualificação académica.

As nossas faculdades não deviam ser recreios de escolinha primária onde os meninos que levam uns sopapos em casa se divertem a bater, por sua vez, nos mais fracos.

Parecendo que não, há pequenas coisas que se tornam enormes no futuro dos nossos filhos.

E muitas delas resolviam-se sem gastar um tostão.

Ah pois, mas dava trabalho e irritava uns senhores professores.

Que chatice.

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