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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

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10
Jan13

O SER PORTUGUÊS


José Aníbal Marinho Gomes

Na Vontade de Um Povo, A história de Portugal

Portugal nasceu de uma forte vontade de autonomia política face a Leão. A criação do Reino de Portugal ficou a dever-se ao grande prestígio pessoal e autoridade granjeados por D. Afonso Henriques na sua actividade guerreira.

Inicia-se assim a primeira dinastia portuguesa, que reinou desde 1140 até 1383.

A Vontade de Ser Português e a liderança do Mestre de Aviz permitem a defesa da independência nacional e lançam o nosso país na grande Epopeia dos Descobrimentos.

Foi a vontade popular, consequentemente A Vontade de Ser Português, que levou ao apoio do Prior do Crato, aquando da morte do Cardeal D. Henrique.

Após sessenta anos de domínio espanhol, foi com a Vontade de todo um Povo, A Vontade de Ser Português, que um movimento insurreccional apareceu, levando ao nascimento de uma nova dinastia, a de Bragança.

Portugal recuperou assim a sua independência antiga de 500 anos, que só foi possível, e é bom que se realce, pela manutenção de uma forte vontade de SER PORTUGUÊS, enraizada em toda a população.

Foi esta vontade de Ser Português que levou à expulsão dos franceses e ao regresso da corte do Brasil.

Apesar de toda esta tradição, no início do século XX A VONTADE DE SER PORTUGUÊS foi violenta e ilegalmente amordaçada por um golpe de força de uma minoria, uma sociedade secreta e terrorista, a carbonária, que derruba 800 anos de história, contra o consenso nacional, que não justificava a implantação da república, nunca referendada pelo povo português.

Os atropelos à vontade de SER PORTUGUÊS continuaram até aos nossos dias, onde já se fala em perda de soberania pelos estados incumpridores dos critérios de estabilidade…

Isso mesmo referiu a chanceler alemã, Angela Merkel, ao defender numa entrevista concedida num passado recente à televisão pública ARD, o agravamento de sanções a países da zona euro que não cumpram os critérios de estabilidade, incluindo a perda de soberania ou parte da mesma, se se verificar que o país em questão não cumpriu os seus próprios compromissos.

E de qual parte da Soberania devem os países abdicar?

Será que a Alemanha continua com tendências expansionistas e pretende que a parte (que não se sabe qual é) de Soberania que os países perderão, vai ser anexada pela Alemanha ou mesmo sugada pelo eixo franco-alemão?

Será que a chanceler alemã desconhece que a Soberania é inalienável e indivisível e deve ser exercida pela vontade geral, que é a soberania popular (Jean-Jacques Rousseau)?

Será que pretende colocar ministros no nosso Governo? Será que pretende tomar conta do Poder legislativo?  

Com toda a razão, o Prof. Freitas do Amaral referiu há uns meses na conferência ‘’O Estado e a Competitividade da Economia Portuguesa”, organizada pela Antena 1 e pelo Jornal de Negócios que ‘’A União Europeia deixou de ser uma união de Estados subordinados ao princípio de igualdade e passou a ser um directório dirigido por uma pessoa e meia", e que ‘’Portugal não pode desprezar a sua qualidade de Estado soberano que participa na União Europeia em condições de igualdade e tem de fazer ouvir a sua voz’’.

Nesta Eurolândia do salve-se quem poder, os alemães pretendem uma Zona Euro a várias velocidades, o que na prática implica perdas parciais de soberania por parte dos países mais fracos.

A Soberania é una e indivisível, pelo que não pode haver dois Estados no mesmo território, é delegada, mas pertence ao povo português, é irrevogável, é suprema na ordem interna, é independente na ordem internacional, uma vez que o Estado não depende de nenhum poder supranacional e só se considera vinculado pelas normas de direito internacional resultantes de tratados livremente celebrados ou de costumes voluntariamente aceites.

A Europa está a desintegrar-se como Europa e caminha a passos largos para um eixo político entre a França e a Alemanha. Está claro que a solidariedade europeia é um conceito do passado fundacional e que Angela Merkel e a Alemanha se situaram mesmo à frente do resto da União.

Sim, Portugal perdeu a independência por causa da integração na Comunidade Europeia. A nossa Identidade de mais de oito séculos está a diluir-se e a nossa Alma Lusitana está ameaçada.

Cuidado, pois somos porta-voz de uma Cultura Única e Universal que não se implantou por imposição, mas pela vontade de um Povo que sente orgulho em SER PORTUGUÊS, ao lado do seu Rei.

Já Eça de Queiróz o afirmou ‘’Qualquer dia, Portugal já não é um país, mas sim um sítio. E ainda mais mal frequentado’’

Palavras sábias, estas de Eça de Queiróz, que antecipam num século aquelas que recentemente proferiu o sociólogo António Barreto ao admitir que Portugal pode deixar de existir como estado independente dentro de algumas décadas, mencionando como exemplo no Oceano Pacífico, a Ilha de Páscoa, cujos habitantes desapareceram não só pelas decisões tomadas mas também pela maneira como viviam.

E prossegue, acusando os dirigentes partidários que governaram Portugal nos últimos anos, de ludibriarem a realidade omitindo factos que ajudaram às dificuldades em que o País se encontra, de esconderem informação e mentirem ao povo, pois se ainda há quatro ou cinco anos, o país vivia desafogadamente como foi possível passar a uma situação de falência iminente e bancarrota?

Estou inteiramente de acordo com o ilustre sociólogo, quando diz que considera muito conveniente perguntar aos políticos o que vai acontecer no futuro…

Por tudo isto e principalmente pela VONTADE DE SER PORTUGUÊS não podemos permitir que os nossos governantes façam aquilo que muito bem lhes apetece.

É preciso dizer basta! Já chega desta república ideológica. Não podemos pactuar mais com o regime que nos foi imposto pela força e que está assente no derramamento de sangue de um Chefe de Estado legítimo e de seu filho.

É preciso incutir uma nova maneira de estar na política reafirmando e reformulando algumas ideias, que terão de passar pela dignificação da pessoa humana, ecologia, ambiente, etc.

A promoção destas novas ideias terá de ser feita de forma clara, para que as diferentes camadas da população compreendem a mensagem, sendo que para isso é necessário entrar no quotidiano dos portugueses.

É preciso a renovação dos partidos políticos, bem como dos quadros dos já existentes; é preciso chamar novas pessoas para a política.  

Será que é livre um povo que vê o poder dos partidos enraizar-se a todos os níveis da vida nacional, de tal forma que é praticamente impossível ocupar algum lugar de relevância se não pertencer a um qualquer partido que esteja no governo?

Será que é livre um povo cujo desenvolvimento, depende cada vez mais de fundos europeus, cujo pagamento implica a perda de soberania?

Será que é livre um povo onde muitos dos seus membros vivem com reformas de 200,00€ e com um salário mínimo nacional de 485,00 €?

Será que é livre um povo que vê ficar impune a corrupção e o tráfico de influências?

Será que é livre um povo que perdeu o hábito de protestar, de se indignar e de se revoltar, quando a sua honorabilidade e a sua liberdade estão em perigo?

Portugal pode mudar se tivermos a coragem de traduzir em acções os nossos princípios, e se soubermos possuir a Vontade de Ser Portugueses e de Ser Livres.

Não posso deixar de citar novamente o brilhantíssimo Eça de Queiróz com um pensamento perfeitamente actual: Portugal está a atravessar a pior crise “Que fazer? Que esperar? Portugal tem atravessado crises igualmente más: - mas nelas nunca nos faltaram nem homens de valor e carácter, nem dinheiro ou crédito. Hoje crédito não temos, dinheiro também não - pelo menos o Estado não tem: - e homens não os há, ou os raros que há são postos na sombra pela política. De sorte que esta crise me parece a pior - e sem cura.” Eça de Queirós, in “Correspondência” (1891).

Enquanto Vivermos em Anarquia (entendida como sistema de organização da sociedade em que se tornam desnecessárias a quase totalidade dos Órgãos de Soberania, com excepção da Instituição Real) Ninguém nos destruirá!

A terminar o célebre grito de Almacave, proferido pelos povos representados nas Cortes de Lamego, simbolicamente identificado com a fundação do Reino de Portugal. ‘’Nós somos livres, nosso Rei é livre, nossas mãos nos libertaram’’ (Nos liberi sumus, Rex noster liber est, manus nostrae nos liberverunt).

 

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