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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

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10
Jan13

SONATA DE RAIVA E ESPERANÇA NUM MUNDO NOVO


Fernando Sá Monteiro

Tu que te manténs indiferente à Miséria que te rodeia, escuta a minha Raiva!

Se um dia estiveres perto de alcançar o que pretendes, destruindo à tua volta as pétalas da esperança de quem ainda tenta resistir à arbitrariedade e injustiça, pára um pouco para pensar.

Será que vale todo o sacrifício de uma vida? E não seria melhor seguir outro caminho?

Não te arrependes dos seres que calcaste para chegares onde pretendes? Será verdade que a vida dos outros, o futuro dos outros, a sobrevivência dos outros, são para ti de pouca conta?

E quando rasgas as lágrimas que viste serem derramadas, como se elas nada mais fossem do que pedaços de tempo perdido; quando fustigas impiedosamente a dor de quem sofre e dificilmente pode esperar resistir; quando arrogantemente viras as costas àquela criança indefesa que apenas deseja de ti um sorriso:

Então pára!

Provavelmente tu não existes e nada mais és do que uma sombra do medo e terror que alimentam a tua pobre existência, destituída de sentido, numa amálgama de vazios obscuros e abjectos.

Afinal, quem és tu?

O que aspiras de uma vida que será inexoravelmente quebrada pela morte?

E a tua morte, acredita, será tenebrosa, porque nunca foste capaz de um sorriso de amor.

Tu foste somente um mero ser amargo e infecundo, travestido de homem de sucesso, mas falso como tudo o que tentaste construir na vida.

Tu foste a fonte da agonia, do opróbrio, da iniquidade, da dor alheia. E descerás ao Inferno dos Miseráveis, arrastando contigo o desprezo do Mundo que julgaste adular-te.

Pensa, ainda assim, num derradeiro sopro de vida: nada será igual com o teu desaparecimento, porque o Mundo respirará melhor, as águas correrão mais limpas, os pássaros voarão mais alto, o espírito humano suspirará de alívio e confiança no futuro.

Nada mais resta de ti. É que, na verdade, tu não exististe mesmo; foste um mero pesadelo que se esfumou quando o vento amainou. E felizmente nós ainda acreditamos na Beleza de um sorriso e na fonte inesgotável do Amor.

Fernando de Sá Monteiro

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