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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

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Estrada dos bravos, blog dos livres

06
Jan13

 

(De como se deva evitar o ser desprezado e odiado)

 

Considerado por certos autores o pai da Ciência Política moderna, Nicolau Maquiavel, nascido a 4 de Maio de 1469 em Florença, formulou um conjunto de regras de acção para os governantes num pequeno livro, dedicado a Lourenço de Médicis, Duque de Urbino, intitulado “Dos Principados”.

A leitura desta obra fornece-nos uma visão sobre a natureza e o exercício do poder, sobre a Ética e a Política, sendo que a intemporalidade de algumas passagens merece a nossa atenção e destaque. É o caso da “advertência”, perfeitamente aplicável às actuais lideranças (políticas e empresariais), sobre os gastos descontrolados. Para Maquiavel a sobrevivência política a longo prazo reside na prosperidade dos cidadãos, só possível com um Estado solvente que gaste menos e que, consequentemente, cobre menos impostos, deixando as pessoas com mais dinheiro. Escreve a este propósito o citado autor:

“Nos nossos tempos, os únicos príncipes a quem conhecemos grandes feitos foram tidos na conta de míseros, todos os outros sucumbiram.”

Insistindo na actualidade dos “conselhos” ali plasmados, que indubitavelmente transcendem o contexto histórico em que foi escrito, não resistimos a transcrever alguns excertos, na esperança de que através do seu acolhimento se evite o desenlace que, infelizmente, afigura-se-nos cada vez mais óbvio:

“ (…) Odioso o tornará, acima de tudo, como já disse, o ser rapace e usurpador dos bens e das mulheres dos súbditos, do que se deve abster; e, desde que não tirem nem os bens nem a honra à universalidade dos homens, estes vivem felizes e somente se terá de combater a ambição de poucos, o que se refreia por muitos modos e com facilidade. (…) (…) Na verdade, um príncipe deve ter dois temores: um de ordem interna, de parte dos seus súditos, o outro de natureza externa, de parte dos potentados estrangeiros. (…) (…) Mas, a respeito dos súditos, quando os negócios externos não se agitam, deve-se temer que conspirem secretamente, contra o que o príncipe se assegura firmemente fugindo de ser odiado ou desprezado e mantendo o povo com ele satisfeito. (…) Um dos mais poderosos remédios de que um príncipe pode dispor contra as conspirações é não ser odiado pela maioria (…). (…) Concluo, portanto, que um príncipe deve dar pouca importância às conspirações se o povo lhe é benévolo; mas quando este lhe seja adverso e o tenha em ódio, deve temer tudo e a todos. Os Estados bem organizados e os príncipes hábeis têm com toda a diligência procurado não desesperar os grandes e satisfazer o povo conservando-o contente, mesmo porque este é um dos mais importantes assuntos de que um príncipe tenha de tratar. (…) ”

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