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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

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04
Jan13

 

Pessoalmente não vejo as eleições autárquicas como um ensaio para algo maior, excetuando nos casos de Lisboa e Porto, onde a política local tem contornos de política nacional. Em Lisboa a reeleição de António Costa será, de facto, um reinforcement para o Partido Socialista, ao mesmo tempo que colocará o atual presidente da Câmara Municipal de Lisboa sob todas as atenções na esperança de que o mesmo se assuma como candidato a Primeiro-Ministro, posição que o mesmo adiará até lhe ser manifestamente impossível ou o país se encontrar em falência suficiente para que ele seja indispensável e salvador. Aguardam-se novidades nesse capítulo. 

Adiante. Como comecei por dizer, a política local pouco tem a ver com a política nacional, no meu entender e a razão principal reside na geografia humana: quanto mais pequena a autarquia maior a proximidade entre o poder autárquico e o seu eleitorado. Dir-me-ão, e com razão, que nestes casos os favores pouco democráticos se tornam mais vincados. É um facto. Inúmeros presidentes de autarquia preservam o seu lugar através da troca de votos por empregos. Autarquias há em que um terço da população ativa é funcionária municipal o que representa um estrangulamento do orçamento autárquico. A parte disso, o exercício municipal é feito de ouvir as histórias de vida, é conhecer as gentes e suas famílias. A política local é, nessa medida, mais nobre porque é mais próxima. Assim, por essa razão, a margem dos partidos concorrem os rostos - vota-se no filho do "Ti Manel", o rapaz que foi estudar e voltou com um canudo. 

Mas como nem tudo são flores, a carreira autárquica tem gerado inúmeros "dinossauros" o que tem representado, aqui e ali, uma cristalização ideológica, metodológica e programática. A renovação vai-se fazendo amiúde e às duras penas dos que vão chegando à oposição ou como conselheiros e/ou vereadores. Certos vícios instalam-se, em particular os que fogem aos padrões democráticos. Em função da lei que limita os mandatos a três, inúmeros presidentes de câmara estarão a indicar o vice-presidente como candidato à sucessão. Exceções a parte a decisão em pouco abonará em favor das populações. Manter-se-ão orçamentos que servem para tapar as derrapagens dos orçamentos anteriores, os mesmos lóbis, os mesmos favores e as mesmas equipas. A esperança, em muitos lugares, é que o vice-presidente seja um reformador, viciados que certos lugares estão nas eleições partidárias e, noutros lugares, a esperança concentra-se no oposto - nos programas e não nos rostos familiares. 

Grosso modo, a política local não é um laboratório para a política nacional, mas é um laboratório de sociologia política, revelando os comportamentos-padrão dos eleitores. O que sendo bom para a ciência tenderá a ser perigoso para a democracia, mas isso, como diz o povo, "são contas de outro rosário". 

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