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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

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Estrada dos bravos, blog dos livres

02
Jan13

Não sou anti-americano, nem tinha como o ser, depois de ter crescido com a América entranhada poros adentro via televisão e rádio. Nesse capítulo vale dizer que a nostalgia não é racional e, até certo ponto, gosto dela assim. Serve a prólogo para fazer ponto de situação particular em relação aos EUA, antes de avançar para a questão em cena da posse de armas. Sabemos que os americanos possuem uma visão bipolar do mundo: os alinhados e os opositores. Tal visão está demarcada na sua política externa mas está também presente no seu quotidiano. A desconfiança face ao vizinho e uma noção evangélica de fim do mundo operaram para a construção de uma visão arma da existência. A meio disto tudo não poderíamos deixar de tocar na nostalgia americana do far west, nostalgia que se atualiza e se vive segundo o modelo de Hobsbawm e Ranger (1992). É claro que os "republicanos" intrincados a um paradigma americano conservador fazem-se sentir nas regiões rurais (deep america) como defensores do direito às armas, fazendo de tal pormenor o seu móbil de campanha política.

Mas nem tudo é ideologia na América, há o capital sem ética e sem rosto e, nesse capítulo, a indústria do armamento tem um peso importantíssimo no Senado, pelo que leis que promovam o desarmamento tendem a esbarrar contra o lóbi instalado. Há, pois, uma interdependência entre culto do armamento e a indústria que o alimenta. E não é ténue. Somente o poder que tal indústria tem justifica a manutenção de uma lei do século XVIII. O capital não se compadece com valores como a vida. Por isso, ao invés de se banir o porte de arma para evitar as sucessivas chacinas, avança-se com a venda de mochilas anti-balas, cujas empresas criadoras viram os seus lucros subir em 500 por cento depois do massacre no Connecticut. Humor negro, no mínimo, afinal nem a mochila protege todo o corpo nem as crianças andam de mochila às costas. O provincianismo americano e o culto das armas são uma nuvem a toldar os raciocínios. Os pais preferirão enviar os seus filhos para as escolas com armaduras militares medievais do que deixar de ter o seu arsenal em casa.

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