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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

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01
Jan13

 

“…the doctrine that the social sciences, if they are to be of any use at all, must be prophetic. It is clear that this attitude must lead to a rejection of the applicability of science or of reason to the problems of social life - and ultimately, to a doctrine of power, of domination and submission.”

In Karl Popper, The Open Society and its Enemies, volume 1: The Spell of Plato, Ed. Routledge Classics, London and New York, 2009, p.xxi

 

Karl Popper (Viena 1902_Londres 1994)


Em época típica de previsões, como é todo o início de mais um ano, quero aqui dar nota de uma das grandes preocupações de um dos maiores pensadores do século XX, Karl Popper, bem ilustrada na citação em epígrafe e a qual se refere aos perigos de uma sociedade em que a razão é ultrapassada pela profecia, ou pior ainda, pela “arrogância da profecia”. Ora este é, quanto a mim, um dos problemas que mais me perturba nos dias que vivemos, ou seja, não existir hoje nenhum discurso político que não tenha que ser profético, como se, não o sendo, perdesse credibilidade. Ou seja, a dúvida, a abertura de vários cenários possíveis ou a enumeração dos elementos em jogo, numa qualquer equação de um cenário futuro social, nunca são apontadas por nenhum órgão decisor nacional. A certeza profética é sempre o único caminho retórico escolhido. E isso é um perigo para a concretização de uma democracia autêntica.

O “escândalo da previsão”, usando as palavras de Nassim Nicholas Taleb (autor do livro O Cisne Negro) é, quanto a mim, um crime contra a razão, cometido diariamente à nossa frente pelos dirigentes do nosso país (e não só), levando a um embrutecimento do diálogo crítico e a uma impossibilidade de fazer valer factos e argumentos contra predições, talhadas apenas no desígnio político-manipulatório.

 

Cygnus atratus in: nationalgeographicstock.com

 

 

O País vai afundar ou emergir da crise, consoante o discurso foi proferido antes ou depois de almoço e as medidas fiscais e de austeridade são decretadas de acordo com estes vaticínios, sem que os critérios técnicos e científicos que lhes presidiram sejam alguma vez evocados ou discutidos de forma séria, perante os Portugueses.

Uma sociedade à mercê da “arrogância profética”, seja esta optimista ou pessimista, será sempre uma ameaça ao primado da razão e do conhecimento crítico, premissas de qualquer decisão ou medida verdadeiramente democráticas. Arriscamos muito neste cenário político, em que somos vítimas do que poderemos chamar “síndrome do Titanic” (lembremos que segundo as previsões dos técnicos na altura, este seria “inafundável”).

Há que contrariar esta tendência crescente para o determinismo acéfalo dos nossos governantes, sob pena de podermos estar já debaixo de água, enquanto nos tentam convencer que as previsões afirmam que ainda flutuamos.

 

Imagens do Titanic in: ngm.nationalgeographic.com



 

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