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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

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Estrada dos bravos, blog dos livres

01
Jan13

O governo de Pedro Passos Coelho anunciou-se como detentor de uma receita infalível, apesar de dolorosa. Mas como todas as mentiras tendem a ter "perna curta" a realidade revelou-se como o azeite e veio ao de cima. O estilo de governação assente exclusivamente no percurso na JSD não é o quanto baste para fazer um primeiro-ministro e a fraca preparação inteletual torne-se gritante. Vitor Gaspar passou de quase desconhecido a ódio de estimação dos portugueses, claro que ficou que PPC é apenas o corpo por onde as ideias de Gaspar fluem. Sucessivas previsões falhadas desembocando num falhanço da execucação orçamental que se prevê catastrófico para o ano que hoje inicia, trouxeram os portugueses à rua, renovando o sentido de participação cívica adormecido. A manifestação de 15 de Novembro tornou-se num ponto de viragem definitivo: o governo não tem legitimidade suficiente para continuar a governar.

Perante a crise política e a instabilidade social, PPC tem sido o primeiro-ministro nos antípodas do que país necessita: incontinente nas palavras, vazio de retórica e expressando-se no Facebook com paternalismo que só tende a deixar os portugueses ainda mais revoltados. O Pedro não é um de nós, como quer fazer passar, é um deles, do neoliberalismo vigente que tem na Goldman Sachs, por exemplo, um poder nas sombras que controla o mundo perigosamente. Entre as falhas discursivas PPC teve o condão de dizer que os portugueses viveram acima das suas possibilidades, argumento que conjugado com o desemprego crescente e com as dificuldades quotidianas do país serviu para incendiar ainda mais os cidadãos.

Poderia ser uma paródia a situação portuguesa se não vivêssemos todos muito pior, à custa de uma estratégia sem rumo, liderada por um paradigma sem rosto, sem respeito pela dignidade humana e onde cada cidadão é um fator de produção, uma peça na engrenagem do capitalismo. Em Portugal vive-se acima das possibilidades, há restaurantes a mais, o desemprego é uma oportunidade e o melhor para os jovens é emigrarem.

Paulo Portas e Cavaco Silva são figuras centrais na trama - ambos mantêm o governo intacto. O Presidente da República porque entra mudo e sai calado em todos os eventos públicos, expondo as suas ideias pelo Facebook, sabendo que ali está a exercer funções com peso legislativo. O OE 2013 passou e Cavaco será culpado das consequências que o mesmo trouxer. Esquecendo todo o seu passado como Primeiro-Ministro, Cavaco Silva trouxe o discurso das pescas, da indústria e da agricultura à tona, como se não tivesse sido ele um dos grandes responsáveis pelo assassinato dos fatores produtivos nacionais. Paulo Portas, por seu turno, com os malabarismos políticos que o mantêm vivo politicamente (e que um dia o levarão a Primeiro-Ministro porque a memória coletiva é curta) ameaça fazer tomar uma atitude e fica-se por aí. As autárquicas são este ano e a coligação CDS-PSD está em vigor. O país, no meio disto de tudo, espera e "aguenta, aguenta".

O projeto europeu está em crise também. A Alemanha viu o seu papel reforçado à custa dos países periféricos. A moeda única, um Marco disfarçado, está em falência. Somente a ideologia subjacente o mantém de pé. A austeridade imposta pela troika passou rapidamente de receita ideal para crime, na boca da senhora Lagarde, mas nem isso fez arrepiar caminho, mesmo sendo claro que não é possível impor tal receita sem desvalorização monetária.

Ainda por cá, as privatizações à tripa-forra tem sido um carnaval, com a RTP e a ANA como cabeças-de-cartaz. Numa altura em que a esquerda é fundamental no país, Francisco Louçã abandonou o barco, deixando o BE entregue a si mesmo e sem a sua força pública costumeira. O discurso de saída foi em grande, marcando ainda mais o espectro do ex-líder. A refundação tornou-se numa ideia vendida como toque de midas, quando na verdade a necessidade de cortar em 4 mil milhões de euros servirá para cobrir o escândalo do BPN. O capitalismo à solta, o "aguenta, aguenta" ideológico que tinha na TSU uma imoralidade atroz.

O país e o mundo não se resumem só nisto, é um facto, mas só isto serve para pintar o quadro de Edvard Munch em que vivemos. Coragem portugueses, 2013 começou.

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