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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

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O Baú Contador de Histórias - um folhetim fatídico para crianças precoces e adultos infantis (2)

Tiago Salazar, 08.12.08

Ora, o baú, que contava histórias desde o tempo da Maria Cachucha, parecia assim para o macambúzio ultimamente, amordaçado e coberto de pó a um canto escuro num quarto de sótão na casa dos Silveira, «uma família de gente porreira»... e foleira, segundo zelava o frontispício, com um inusitado acrescento a tinta. O quarto ficava no cimo de uma escada em caracol, daquelas muito estreitas e intermináveis por onde ninguém sobe com receio de lhe aparecer de repente um fantasma ou coisa pior, como uma história pedagógica contado por um baú desbocado. O que podia muito bem ser o caso. Casuístico.

 

No lar Silveira moravam Noé, rapaz dos seus treze anos e que cismava na ideia de vir a ser político. Além disso, sem que se percebesse a razão, zurrava como um desalmado, ou talvez que nem um empalado, pois a gritaria era muita, e fecunda, sempre que via, farejava ou auscultava um dos seus futuros pares. Coisa que era frequente, pela via mediática, e que afugentava os potenciais compradores de Bíblias (ver já a seguir). E, claro está, tinha que ser resolvida, a bem ou a mal, ou a casa ia a abaixo... E o negócio paterno falia... E lá se ia o cantinho no Céu... Mas guardemos estes ditirambos bíblicos para outras núpcias, ou até para outras literaturas, mais urbanas e realistas.

 

(Continua)