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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

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Estrada dos bravos, blog dos livres

19
Jul09

Já em pequeno me diziam ser uma "porcaria" andar de mãozinhas sujas. No entanto, apesar de as estranhar nas vacas, jamais reconheci mãos aos porcos. Com os porcos é mais "pezinhos", de preferência de coentrada. Também me diziam que a anatomia dos porcos é chocantemente parecida com a dos homens. Por isso parecia-me natural que o bicho fosse um omnívoro, mesmo sem entender porque lhe tiravam o h.  Vem isto a propósito das regras profilácticas contra a gripe suína que por aí se anunciam, num fervoroso desígnio de adiar a inevitável epidemia: trinta segundos a ensaboar as mãos parecem-me um exagero. A vida é muito curta. Contrariado, aceito que me escapem as mais aprazíveis delícias do lar por ter de trabalhar como um camelo para lhe conferir um estatuto e existência condigna - agora desperdiçar a vida a lavar as mãos durante trinta segundos entre uma ida ao Multibanco e a contorção duma maçaneta de porta, definitivamente isso é de mais. Prefiro apanhar a dita gripe, que agora entendo porque lhe chamavam "dos porcos": é porque as suas vítimas não “guardaram” um metro de distância dos perdigotos da recepcionista do hotel em Cancun, e porque não lavaram convenientemente as mãos, bem fundo nas palmas e nos sovacos dos dedos, onde se escondem os mais perigosos germes.

Quando era pequeno e acordava de manhã em férias, parecia-me um interminável aborrecimento os minutos que me demorava a vestir, nomeadamente a apertar os atacadores, antes de me precipitar na brincadeira com os primos ou amigos: havia toda uma vida a esvair-se enquanto eu me atrasava com tão supérfluas tarefas. Lavar a cara e os dentes era um castigo ainda maior. Enfim, uma grande porcaria.
Talvez por isso e por escrever estas bacoradas, e apesar de me ter tornado um cidadão honesto e medianamente asseado, me arrisque a cair de cama (não sei se é por ser hora da sesta mas soa-me bem a expressão) como que vítima de um castigo divino. Mesmo sem sair do distrito de Lisboa.
Mas desculpem-me a insistência: tenho verificado com estranheza como os media dos povos bárbaros, os britânicos por exemplo, teimam em chamar gripe suína (swine flu) à maleita, apesar da sábia deliberação da OMS em mudar-lhe o nome. Chissa que a Velha Albion não aprende! Nisto os portugueses são bons e obedientes rapazes. Disso deveremos nós sentir orgulho: desde a manhã seguinte ao comunicado nem o mais rebelde redactor de jornal se atreveu a desacatar a ordem. Imagino-os nas redacções todos a beber café em copos de plástico, a assomarem-se uns aos outros em distâncias higiénicas e a fazerem bicha para os lavabos. Eu por mim tenho mais que fazer.   

 

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