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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

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Estrada dos bravos, blog dos livres

19
Jul09

No Corta-Fitas, Tiago Moreira Ramalho discorda do meu post anterior, dando-me oportunidade para o desenvolver um pouco. Nunca defendi que era apenas uma questão de "vontade" dos pais verem os filhos nascerem num determinado local e muito menos que esse local fosse uma determinada freguesia ou rua. A título de exemplo, dou-lhe o caso do meu pai, nascido há cerca de 80 anos na casa da nossa família, na aldeia (freguesia) de Vilela Seca, a cerca de 10 km de Chaves, na direcção da fronteira, e dos meus sobrinhos, que foram nascer à maternidade de Chaves, felizmente antes da "reforma" de Correia de Campos os obrigar a serem naturais de Vila Real ou de alguma localidade espanhola. Tanto num caso quanto no outro, o meu pai e os seus netos são de Chaves, faz parte da nossa identidade e ligação a essas terras, coisa que não aconteceria se fossem nascer longe.

Portanto, não se trata de um simples capricho, mas de algo essencial para a fixação das pessoas no interior e para a continuidade de determinadas culturas e modos de estar na vida, que se perdem com a vinda para as grandes cidades. Economicamente, numa visão que vai além do próximo Orçamento de Estado, é fundamental que Portugal deixe de ter a população tão concentrada nas grandes cidades do litoral, com todos os problemas (inclusive de desemprego) que tal acarreta, em que o abandono da agricultura se salienta.

Curiosamente, entre as pessoas que vivem nas cidades, vejo cada vez mais o anseio de ir viver para o campo. No entanto, ninguém prescinde (e muito bem) da garantia de cuidados de saúde próximos, sobretudo quem tem filhos pequenos, de boas escolas, de boas comunicações, de bons acessos, de boa habitação. Felizmente, hoje em dia já não há o "isolamento" que a geração do meu pai sentia e vai-se de Lisboa a Chaves em cinco horas. Um Governo esclarecido aproveitaria esse sentimento de retorno ao campo para proporcionar boas condições de vida a quem vive no interior e não o contrário, como acontece agora.

Para mim, que sou um urbano sem remissão, é uma prova de civilização ver aldeias com personalidade, com habitantes que gostam de ali viver, com cuidados de saúde próximos, com escola, locais de convívio (café, bar, restaurante, o que seja) e de cultura, onde cada um possa mostrar os seus dotes e assistir a espectáculos, igreja, correios, polícia, etc. Prefiro cem mil vezes que os meus impostos sirvam para pagar estes custos do que para a terceira ponte em Lisboa, a terceira autoestrada Lisboa-Porto, os hospitais gigantescos dos subúrbios e tantas outras infraestruturas que seriam dispensáveis se não tivéssemos tanta gente que veio  para as grandes cidades porque não encontrou qualidade de vida no interior.

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