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Risco Contínuo

Estrada dos bravos, blog dos livres

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29
Jun09

 

A propósito da entrevista de António Lobo Xavier ao i, para a qual o João Távora chama a atenção, bem como de vários posts que aqui escrevemos sobre as vantagens do PSD e do CDS formarem um só partido, assunto sobre o qual João Gomes também se pronunciou, retorno ao tema, já que hoje é um dia tão bom como qualquer outro para isso e estar de chuva também ajuda. Sei que o sentido prático desta discussão é nulo, já que seria uma enorme surpresa se houvesse coligação pré-eleitoral, que em época de eleições se tem que levar ao rubro o sentido “clubístico” de pertença ao partido, que, se tudo correr bem, haverá uma coligação governamental PSD-CDS em Outubro mas que continuarão a perdurar as visões dos que consideram os partidos “espaços de afectividade” e não instrumentos para exercer o poder da melhor maneira possível. Mas como eu gosto de boas discussões e escrever ajuda-me a organizar o que penso, não largo o tema, independentemente do “aproveitamento” que ele possa ter.
A entrevista a Lobo Xavier é, de facto, muito interessante e começo logo por citá-lo: “O facto de [o PSD e o CDS, nas últimas eleições europeias] terem crescido ao mesmo tempo é uma coisa nova, estávamos habituados aos vasos comunicantes - o que é profundamente negativo. Os militantes do CDS se calhar vão ficar chocados comigo, mas acho que vale muito pouco o CDS crescer à custa do PSD. Agora, pela primeira vez, PSD e CDS cresceram ao mesmo tempo.”
Este crescimento conjunto, e a eventual coligação governamental, propiciam, a meu ver, a época ideal para a fusão dos partidos, numa perspectiva de futuro e não numa “refundação” baseada na crise de um dos partidos, ou mesmo dos dois, com um a pensar que está a ser prejudicado pelo outro devido a uma conjuntura eleitoral negativa que esteja a viver.
Quanto à questão de ser vantajoso para o PSD ter um partido mais à direita, que lhe deixe livre o “centro”, que pode ser ocupado pelo PS, devo dizer que esse tipo de análises “geográficas” me cheira a mofo. Eu sou daqueles para quem esses conceitos de “direita” e “esquerda” há muito deixaram fazer sentido, a não ser em casos extremos (PCP, BE, à esquerda, ou na, felizmente, pouco expressiva extrema-direita portuguesa). Mas não me limito a constatá-lo, tiro consequências disso.
Claro que não me importo nada de ser considerado de “direita”, como geralmente sou, nem tenho nenhum “complexo” de esquerda. Só acho é que é uma classificação demasiado simplista e tenho pena que haja tanta gente, que deveria aprofundar mais as questões, que se contente com “grelhas” de análise tão ultrapassadas. Sou assumidamente pragmático, e vou buscar as soluções que mais me agradam a muitos “quadrantes”, sem preocupações de pureza ideológica ou doutrinais. Como é óbvio, acho que o melhor PSD é aquele que governa assim, sem se preocupar em ser “social-democrata”, “liberal”, “conservador” ou o que quer que seja. Na altura em que era importante diminuir a presença do Estado na política e na economia, Sá Carneiro e Cavaco Silva trataram desse “liberalização”. Mas, por exemplo, seria mau que essa “doutrina” abrangesse hoje uma série de sectores, como a Saúde ou o Património, por exemplo, e aí mais vale que o Estado continue a ter uma forte presença.
Eu sei, e o último post do João Távora vai nesse sentido, que no CDS se bate mais no peito pela direita, que ainda estão vivas muitas feridas do período revolucionário, que ainda há um certo “revanchismo” contra o domínio da esquerda, mas será que isso é mais importante do que trazer para a governação gente com a qualidade de Lobo Xavier (que ainda por cima é monárquico…)? O que eu acho imperdoável é que gente como ele, e há tanta no CDS, passe pela vida do país afastado dos centros do poder político, concentrando-se apenas na carreira profissional (por muito brilhante que seja) sem dar o seu contributo para sermos melhor governados. E, o que é ainda pior, que os lugares que gente como ele deveria ocupar sejam exercidos por medíocres. De qualquer partido…
 

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